Wednesday, February 18, 2009

18-02-2009 Liderança e Competência

É a altura de perguntar se Portugal pode confiar na capacidade das suas lideranças para navegar esta crise.
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No trimestre passado Portugal mergulhou no centro da crise económica global, arrastado pelo desmoronar do sistema financeiro americano, tão rigorosamente investigado e eloquentemente relatado por David Faber, em "House of Cards" (CNBC). Tudo leva a crer que a situação nacional irá ainda piorar por muitos e largos meses - senão anos - antes que comece a revelar melhorias.
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É a altura de perguntar se Portugal pode confiar na capacidade das suas lideranças para navegar esta crise. É o momento de perguntar se o Governo, se o ministério da Economia, da Agricultura, das Finanças e do Emprego estão a fazer tudo o que devem para ajudar as famílias e para apoiar as empresas, se os líderes da oposição têm oferecido contributos úteis. Se os líderes das associações empresariais e de cada uma das empresas portuguesas têm um plano credível para confrontar a crise, para assegurar a sua sobrevivência ou mesmo para beneficiar a sua posição com estratégias que melhor se adequem à sua situação financeira, à sua vantagem competitiva, ao seu cabedal de inovação e à capacidade de servir os seus clientes. Serão uns e outros credíveis para pôr em prática esses planos?
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A recuperação de Portugal depende da sua capacidade de exportar e da sua capacidade de penetrar mercados. Mas a actual quebra das exportações não está a acontecer apenas na Europa. Está a acontecer na China e em Singapura. De acordo com as Singapore Trade Statistics, houve uma quebra de 15,7% nas importações de Portugal, de 543,201 milhões de dólares de Singapura, em 2007, para 458,110 milhões de dólares, em 2008. As importações de produtos electrónicos dos códigos 84 e 85, que representaram 90% das importações de Portugal, sofreram uma quebra de 14,1%. Pior, o conjunto dos produtos não electrónicos teve uma quebra de 27,4%. Com alguma probabilidade, o processo de falência da Qimonda poderá levar a que as importações de Singapura com origem em Portugal possam vir a situar-se nos 50 milhões de dólares de Singapura, isto é, cerca de 25 milhões de euros.
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As PME necessitam de um maior empenhamento do Estado e não apenas de crédito. Necessitam que o Ministério da Economia, com as associações empresariais, avalie o grau de desenvolvimento de cada sector económico e apoie a formulação dos respectivos planos estratégicos de sector.
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Necessitam que sejam identificadas as empresas com maior potencial de exportação e que lhes seja proporcionado apoio em termos de desenvolvimento organizacional, TIC, certificação de qualidade, desenvolvimento de produtos, avaliação de necessidades financeiras e apoio à exportação. O Ministry of Trade & Industry de Singapura tem um ‘account manager' para cada PME exportadora apoiada pelos seus serviços.
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Esta crise é nova e muito diferente daquelas que alguma vez os actuais líderes experimentaram. Talvez por isso, empresas financeiramente estáveis aparecem com estratégias próprias de empresas com risco de insolvência em vez de se lançarem na aquisição de empresas financeiramente vulneráveis com produtos e marcas de grande potencial, de prosseguirem o desenvolvimento de novos produtos e serviços e de arriscarem na conquista dos mercados emergentes.
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Fazem falta a Portugal líderes que pensem ‘out of the box', a todos os níveis da decisão. Faz falta reforçar as actuais lideranças com profissionais nacionais ou estrangeiros com forte e qualificada experiência do mundo, nas empresas públicas e nos institutos públicos, nas associações empresariais e nas empresas privadas. Recentemente Singapura iniciou a substituição da actual CEO do fundo soberano Temasek Holdings por um gestor americano, circunstância que coincidiu com o anúncio da perda de 31% do seu capital. Uma realidade que seria impensável em Portugal.
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Porque muitos portugueses, que propagandeiam o universalismo da sua cultura, por medo e insegurança são profundamente paroquiais nas soluções que adoptam e protegem-se a todo o custo dos olhares exteriores. Para que possam manter nos corredores da política como nos corredores das administrações um taticismo imediatista e preguiçoso aliado a um padrão de comunicação sem transparência, sem eficácia, quantas vezes eivado de pura perversidade.

Wednesday, February 4, 2009

04-02-2009 Responsabilidade

A distribuição desigual dos benefícios da globalização criou um problema social e, logo, um problema político.
Modelos teórico-ideológicos legitimaram as práticas que conduziram à presente recessão e à mais do que provavel depressão económica mundial. Muitos governos de países desenvolvidos, a começar pelos EUA, muitos gestores de sectores económicos específicos, com particular destaque para a banca, muitos investidores e muitos consumidores responderam "escrupulosamente" aos incentivos que esses mesmos modelos geraram e deles beneficiaram amplamente. Mecanismos de segurança foram iludidos. Modelos micro-económicos prescritivos baseados em análises descontextualizadas das rápidas transformações macroeconómicas globais, permitiram a catástrofe económica que o Mundo hoje enfrenta. Os macro-economistas, que previram os desastrosos efeitos sistémicos, foram subestimados enquanto os micro-economistas dispuseram das luzes da ribalta. As teorias económicas dominantes, transformadas em ideologias e guias de acção, falharam na capacidade de entender a realidade económica e de ajudar a gerir o desenvolvimento global.
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Neste contexto de perturbada racionalidade emergiram pulsões irracionais, medos, manifestações e comportamentos xenófobos. E irresponsabilidade. Como aquela a que, com perplexidade, se assiste da parte daqueles que falharam na prevenção da crise, que falharam numa efectiva adaptação da economia à actual fase de globalização, mas que advogam e apoiam políticas proteccionistas.
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A globalização trouxe incalculáveis ganhos aos EUA e a muitos outros países, à Europa e ao Japão, à China, à Índia e ao Sudeste Asiático. Uma larga percentagem de cidadãos destes países beneficiaram amplamente em termos de emprego, de consumo e de investimento. Leia-se, a este propósito, "A year without Made in China" de Sara Bongiorni (2007). Mas muitos perderam os seus empregos e viram os seus rendimentos estagnarem ou diminuirem, sobretudo os que pertencem a estratos sociais médio/ baixo e baixo. A agricultura e a indústria têxtil dos EUA sofreu um impacto negativo, como diversos outros sectores. A distribuição desigual dos benefícios da globalização criou um problema social e, logo, um problema político. O acesso indiscriminado à compra de habitação por parte das famílias com menos rendimentos poderá ter funcionado como válvula de escape, até que a bolha rebentou.
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A medicina para a crise tem apresentado um conjunto vasto de soluções, sem que um sólido consenso a nível internacional tenha sido alcançado. Davos foi disso expressão. Há um problema de clarificação do nível lógico a que as soluções preconizadas se aplicam (global, intra-regional, inter-regional, nacional) mas há também agendas partidárias a fervilhar nos países que passaram por uma eleição recente ou se preparam para entrar em período eleitoral, que condicionam as escolhas. Seria desejavel que, antes da próxima reunião do G20, uma conferência internacional de macro e micro-economistas provasse, pelo menos desta vez, que a economia é uma ciência capaz de interpretar e de antecipar os efeitos combinados a diferentes níveis de diferentes cursos de acção e que, avaliadas as vantagens e desvantagens de cada um deles, propusessem um plano de acção global e fizessem recomendações sobre a orientação mais eficaz ao nível das macro-regiões económicas.
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Em plena recessão económica, desconhecendo os seus efeitos mais profundos, Portugal entrou psicològicamente em fase pré-eleitoral. Se é certo que muitas matérias poderão proporcionar a melhor competição partidária, a resposta à crise deverá merecer um tratamento distinto, deverá suscitar uma resposta consensual por parte do sistema de partidos. A menos que a democracia, numa situação de crise nacional, seja a forma acabada de privilegiar os interesses dos grupos partidários em detrimento dos interesses nacionais.
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O país precisa de uma resposta nacional. Precisa de uma orientação mobilizadora para as empresas e para as famílias. O país não precisa dum catavento de propostas dos economistas nacionais, independentes ou partidários. Precisa de uma análise sistemática, de uma proposta consensual baseada na evidência e numa análise estratégica. E não ficaria mal a Portugal ter um conselho internacional de assessoria económica para momentos de crise.

Wednesday, January 21, 2009

21-01-2009 Tão Diferentes

O que dá a AIP ao Governo que a CIP e a AEP não dá? E o que dá o Governo à AIP que não dá à CIP e à AEP?
Portugal e Espanha: tão próximos e tão diferentes. Diferentes no modo como lidam com a internacionalização da economia. Espanha não improvisa, prepara-se com tempo. Países tão diferentes no rigor com que enfrentam os seus mercados prioritários como o demonstra o lançamento, em 2005, por parte do Ministério da Indústria, Turismo e Comércio de Espanha dos "Planes Integrales de Desarrollo de Mercados" (PIDM), dirigidos a onze países, entre eles a Índia, a China, o Japão e a Coreia do Sul.
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Fruto dum aprofundamento crescente das relações entre os dois países, a Espanha tem, actualmente, mais de 600 empresas presentes na China e HongKong enquanto escassíssimas são as empresas portuguesas por estas paragens. Desde o final dos anos 70 a Espanha tomou posição na China, quer com o apoio do PSOE quer do Partido Popular. A Inteco foi a primeira empresa ali a instalar-se. Depois, nos anos 80, chegou a Alsa, a Agrolimen e a Nutrexpa. Em 1987 foi criada, pelo Governo, a Comissão Mista Espanha-China e, em 1988, a empresa Técnicas Reunidas construiu a petroquímica de Fushun, na província de Liaoning.
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Em 1993 o "Consejo Superior de Cámaras de Comercio" de Espanha criou o "Comité Empresarial Hispano-Chino" para dinamizar as relações empresariais entre a Espanha e a China. Na sequência da visita de Felipe Gonzalez nesse ano, foi celebrado o contrato de construção da central eléctrica de Yahekou na província de Henan. E, em 1994, o Instituto Espanhol de Comércio Exterior (ICEX) levou a cabo, em Pequim, uma feira sobre a indústria e a tecnologia espanhola, a Expotecnia.
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Importantes iniciativas estruturantes tiveram lugar a partir de 2003. Primeiro, o "Ministerio de Asuntos Exteriores y de Cooperación" desenvolveu e publicou o "Plan de Acción Asia y Pacífico 2005-2008', com o objectivo de reforçar a importância da Ásia na política externa espanhola. Logo, depois, deu-se o lançamento do ‘Plan Integral de Desarrollo del Mercado China" (PIDM China), para o período 2005-2007, com um orçamento de 690 milhões de euros, que fez com que Espanha passasse, finalmente, a dispôr de um instrumento programático de intervenção mulitdimensional e multisectorial naquele país. Em 2005 foi consolidada a associação estratégica Espanha-China e foram feitos avultados investimentos na China, nomeadamente por parte da Telefónica e do BBVA. Com o "Ano da Espanha na China", em 2007, atingiu-se o ponto mais alto da década. Entre as mais de 250 actividades comerciais e culturais, que tiveram lugar, conta-se a participação em mais de 40 feiras e a realização de 30 missões comerciais à China e de 15 missões inversas. Entretanto, mais de 370 milhões de euros foram atribuídos ao novo PIDM China 2007-2009. Um flagrante contraste com a política de internacionalização de Portugal na China, que urge redefinição. Uma matéria ausente das preocupações dos partidos da oposição que têm partilhado o arco do poder. Outra diferença peculiar.
Entretanto, no encontro empresarial luso-espanhol que ocorrerá, esta semana, no contexto da cimeira entre Sócrates e Zapatero, Portugal poderá inspirar-se na intervenção da Espanha na China, sem a parasitar, e a partir daí vir a construir uma estratégia consequente, que financia, que divulga e que poderá, então, coordenar com o país vizinho.
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Este encontro torna, uma vez mais, evidente que o Governo tem privilegiado a AIP no processo de internacionalização da economia. AIP que merece, aliás, todo o apoio do Governo. Mas não se entende qual a racionalidade de uma tal prática. O que dá a AIP ao Governo que a CIP e a AEP não dá? E o que dá o Governo à AIP que não dá à CIP e à AEP? A internacionalização deve basear-se numa política de inclusão efectiva de todos os actores relevantes, alheia a todo o tipo de interferências que possam prejudicar a equidade das empresas no acesso aos canais de decisão e acção, sem subalternizações.
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Amado em Singapura O MNE da Holanda esteve em Singapura na semana que passou. Não há razões que justifiquem a Portugal manter um nível de representação inferior ao dos outros países da UE. Espera-se, firmemente, um decisivo aprofundamento das relações económicas, científicas e culturais com a República. Gong Xi Fa Cai!

Wednesday, January 7, 2009

07-01-2009 Mudar este País

O novo aeroporto de Lisboa é bem um caso exemplar da falta de eficácia do sistema democrático português.
O novo aeroporto de Lisboa, que se virá a localizar em Alcochete, mereceria um estudo aprofundado do ponto de vista sociológico e da ciência política para que dele se pudessem recolher ensinamentos quanto ao modelo de funcionamento da democracia em Portugal, ao comportamento dos partidos, dos governos, das elites e da sociedade portuguesa em geral em relação a esta decisão, ao longo das três últimas décadas. Este é bem um caso exemplar da falta de eficácia do sistema democrático português e do subdesenvolvimento da nação portuguesa que, tarde e a más horas e sem consenso, caminha finalmente para uma solução em 2009.
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Um caso que envergonha contar ao mundo. Um contraste flagrante com a história aeroportuária de Singapura.Vão longe os dias em que a KLM aterrava pela primeira vez no Aeroporto Seletar de Singapura, uma base da RAF que abriu nesse ano de 1930 a aviões comerciais. Logo em 1931 Sir Cecil Clementi, o governador dos ‘Strait Settlements', perante o rápido aumento da procura decidiu por um novo aeroporto no pântano de Kallang. Em 1937, com parte da área reclamada ao mar, abriu o novo aeroporto de Kallang. A sua capacidade esgotava-se ao fim de uma década. Em 1951 foi decidida a construção do aeroporto de Paya Lebar para acomodar um milhão de passageiros. Que entrou em actividade em 1955.
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Vinte anos depois atingia os quatro milhões de passageiros obrigando a novas decisões.
Em 1975 o governo decidiu-se pela construção do aeroporto Changi, numa zona pantanosa e de novo com áreas reclamadas ao mar. O aeroporto de Paya Lebar fora entretanto ampliado, recebendo sete milhões de viajantes em 1980.
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Em 1981 abriu o aeroporto Changi, com um custo de 1,5 mil milhões de dólares de Singapura, que viria a alcançar os dez milhões de passageiros em 1985, altura em que foi decidida a construção dum segundo terminal que veio a entrar em funcionamento em 1990. Nesse ano dezasseis milhões de viajantes passavam pelo Changi.
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Em 1995, estudos que apontavam para uma procura de setenta milhões de passageiros, em 2015, sugeriam o planeamento de um terceiro terminal. Plano final terminado em 2006, veio o mesmo a abrir em 2008, com um custo de 1,75 mil milhões de dólares de Singapura. Numa ilha de 4,5 milhões de habitantes e com uma superfície equivalente à região norte da área metropolitana de Lisboa, existe agora um aeroporto com quatro terminais com uma capacidade para cerca de setenta milhões de passageiros (21 milhões para o 1º, 23 milhões para o 2º, 22 milhões para o 3º, além do ‘budget' terminal em operações desde 2006, para 2,7 milhões de viajantes) e que teve 37 milhões de passageiros em 2007. Logo em 1988 destronou o aeroporto de Schiphol como o melhor aeroporto do mundo.
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Planeamento valorizado, decisão atempada, rápida implementação, elevada eficiência, custos razoáveis e benefícios inquestionáveis são a imagem de marca da decisão política e da administração pública de Singapura que, ano após ano, impressiona a maioria dos líderes mundiais. E que um dia também virá a receber uma outra aceitação na sociedade portuguesa quando esta perceber que tem de mudar, e muito, para romper com a sua mediania e se afirmar como uma nação moderna, inovadora, competente e eficaz entre as nações desenvolvidas.
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Os parlamentares portugueses, os presidentes de câmara, os directores gerais dos ministérios, os reitores e directores de universidades, politécnicos e de centros de investigação, os directores de escolas de ensino secundário e primário e os responsáveis pelo planeamento regional e urbano muito ganhariam se visitassem Singapura e se estabelecessem relações institucionais e profissionais com as entidades relevantes. Depressa que se faz tarde!

Saturday, December 27, 2008

24-12-2008 Muito Tarda em Despertar

Os portugueses são ricos em emoções mas estão longe de saber pensar bem o seu futuro. Faz-lhes falta pensar, ter estratégia, ter projecto.
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Uma andorinha não faz a primavera mas sempre a pré-anuncia. O mesmo significado tem a notícia de que mais uma empresa portuguesa se interessa pelo mercado chinês. Mas este interesse pelos mercados asiáticos continua a ser muito diminuto e a mudança de atitude por parte das empresas portuguesas continua a ser duma lentidão inimaginável, dir-se-ía mesmo dominada pela irracionalidade.
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Quando o crescimento a Oriente bem poderia compensar as perdas que se estão a sofrer nos tradicionais mercados de exportação nacionais.Durante a maior parte do século XX a economia Mundial foi mobilizada pela Europa e pelos EUA e, parcialmente também, pelo Japão. As restantes economias da Ásia puderam ser praticamente ignoradas. O motor da economia no século XXI será, sem dúvida, a Ásia. A menos que haja um empenhamento da Europa e dos EUA nos mercados asiáticos, no limite, esta região pode vir a prescindir do interesse das empresas do Ocidente tal o nível de desenvolvimento alcançado, o tamanho da sua população e a dimensão dos seus mercados.
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É completamente inadmissível que, nos primeiros oito meses de 2008, as importações da China com origem em Portugal tenham tido mais uma quebra de 17,6%, em relação a igual período do ano anterior (fonte: mofcom.gov.cn), continuando a perda de ritmo de 2007. Quando ao mesmo tempo, e à semelhança do que ocorrera em 2007, a Irlanda teve um crescimento de 53,% e a Dinamarca de 55,1%. E a Espanha cresceu 39,3%. Quando o volume das importações da China com origem em Portugal não vai além de 13% do volume das importações da Irlanda ou da Dinamarca e de 6% das de Espanha.
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A China, e toda a Ásia, está mentalmente muito distante de Portugal. Mas não está distante de mais nenhum país europeu. Uma particularidade nacional que justifica a pergunta: será que os (empresários e gestores) portugueses sabem pensar? Porque têm os portugueses medo da Ásia?
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Governo, associações empresariais e empresas precisam de reflectir seriamente sobre a estratégia a seguir. Os países desenvolvidos têm uma estratégia económica definida, explicitada e publicada em relação à China. Onde está a estratégia portuguesa? Quem a define, quando e como? Quem, como e quando a divulga?
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Macau é muito importante para Portugal. Mas para a China é o seu parque de diversões. A China tem doze cidades com mais de quatro milhões de habitantes, para além de Pequim e Xangai. Não se chega às cidades da China através de Macau, como não se chega a Paris, Londres ou à Baviera através de Lisboa. A província de Hebei tem 63 milhões de habitantes, mais do que a esmagadora maioria dos países da UE. Há que estabelecer uma relação directa com as cidades capitais de província da China.
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A representação de Portugal na China deverá ser repensada. A AICEP da Austrália (Austrade) tem escritórios em Pequim, Xangai, Chengdu, Dalian, Guangzhou, Hangzhou, Hong Kong, Kunming, Macau, Nanjing, Ningbo, Qingdao, Shenzhen, Wuhan, Xi’an. A AICEP de Singapura (IE Singapore) tem 45 profissionais em oito escritórios na China, produzindo estudos de mercado para as suas empresas ali estabelecerem uma presença adequada. O volume das importações da China com origem em Portugal, nos oito meses de 2008, representa pouco mais que 1,6% do volume das importações da China com origem em Singapura.
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Há que enfrentar a vulnerabilidade das exportações para Singapura que têm estado quase totalmente concentradas na actividade de uma só empresa, a maior exportadora portuguesa, que muito recentemente esteve em risco de falência. Reafirma-se o que se vem clamando, há já algum tempo, de que é urgente diversificar o padrão das exportações para Singapura e a Malásia. O desaparecimento da Qimonda poderia significar, não só um profundo rombo no volume global das exportações, mas também o quase completo esvaziamento das relações comerciais com estes países do Sudeste Asiático.
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O que faz falta aos portugueses não é, em primeiro lugar, dinheiro para investir. O que faz falta é pensar, ter estratégia, ter projecto, ter metodologias eficazes de implementação. Os portugueses são ricos em emoções mas estão longe de saber pensar bem o seu futuro.
Bom Natal e um Novo Ano mais inteligente!

Wednesday, December 10, 2008

10-12-2008 Avaliação e Sucesso

Singapura gasta no ensino primário menos que 27 dos 30 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.
Alunos de universidades portuguesas colocam-me frequentemente a questão dos factores de sucesso de Singapura por contraste com Portugal. Recorde-se que Singapura adquiriu a independência em 1965. Era então um pântano polvilhado por tugúrios onde grassava ainda a tuberculose e a guerrilha racial. No início dos anos oitenta o nível de desenvolvimento entre os dois países era semelhante. Em 2007, o PIB per capita de Singapura atingiu os 49.900 dólares enquanto o de Portugal ficou-se pelos 21.800 dólares.
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Em alternativa a uma comparação baseada em indicadores, optei por questionar os factores de sucesso percebidos por cidadãos com conhecimento privilegiado, reunindo um ‘focus group’ constituído por um professor universitário, um docente de instituto politécnico, dois professores de ensino secundário, um quadro superior público de apoio às PME, um jornalista sénior e um jornalista júnior, pertencentes ambos aos jornais de maior circulação de Singapura. Perguntei-lhes a que se devia o sucesso do seu país. A resposta foi unânime: à liderança de Lee Kuan Yew e à sua direcção estratégica.
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Não sendo descabido utilizar o mesmo factor explicativo em relação a Portugal, poder-se-ía afirmar que o menor sucesso nacional decorre do conjunto das orientações estratégicas que o conjunto das lideranças pôs em prática durante os últimos trinta anos. Uma conclusão politicamente incorrecta. Mas sobre a qual seria desejável que as elites de esquerda, centro e direita, que vêm gerindo o sistema político português desde abril de 1974, aceitassem reflectir.
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Um sistema onde, em qualquer momento, um qualquer grupo profissional é capaz de bloquear a transformação imprescindível do país. Um sistema onde a retórica se sobrepõe à lógica de resultados, onde as palavras valem mais que as acções. Onde as emoções valem mais que a avaliação científica dos problemas, mais que a análise comparada com outros países, mais que a elaboração fundamentada das estratégias, a discussão serena e a mobilização do país em torno de objectivos de interesse nacional. Um sistema político onde a dramatização substitui o rigor. Um sistema político onde as agendas da esquerda, do centro ou da direita valem mais do que a agenda de Portugal. Qualquer observador atento à evolução de Portugal perguntar-se-á para que serve este sistema democrático e estas lideranças de esquerda, centro e direita, se em conjunto não são capazes de assegurar o crescimento económico, o desenvolvimento, o emprego, o bem estar da população portuguesa? Muita ideologia, fraca estratégia, pouco pragmatismo, magros resultados práticos.
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Avaliação do desempenho
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Singapura, um dos ‘top performers’ mundiais a nível da educação, dedicou-lhe uma larga fatia do orçamento nos primeiros anos após a independência. Hoje gasta no ensino primário menos que 27 dos 30 países da OCDE.
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Razão suficiente para questionar o grupo focal sobre o que explica, então, o sucesso do sistema de ensino de Singapura a nível primário e secundário. Sem hesitação o grupo atribuiu à introdução da avaliação de desempenho dos professores o salto qualitativo alcançado no ensino de Singapura nos últimos dez anos. .
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Os aumentos salariais e os prémios de desempenho, bem como a atribuição de prémios às equipas de docentes, estão associados à avaliação do desempenho. Que é apoiada pela maioria dos professores, como resulta dum inquérito realizado no ano passado a uma amostra 3.300 professores.Singapura adoptou na educação um sistema de avaliação que tem em conta não só o desempenho anual do professor mas também o seu potencial de desempenho futuro. Avalia em que medida os objectivos de trabalho docente foram alcançados (actividades de de ensino, actividades co-curriculares, projectos e tarefas, etc) e os níveis de competência atingidos em termos de conhecimentos e habilidades, bem como as características profissionais dos docentes. A classificação traduz-se num A, B, C, D ou E. Enquanto Portugal resiste à mudança necessária para enfrentar os desafios do mundo globalizado, Singapura põe em prática soluções eficazes e influencia os caminhos do século XXI. Enquanto Portugal se fragiliza, Singapura fortalece-se. Sem fundos da UE!

Wednesday, November 26, 2008

26-11-2008 Crise e Adaptabilidade

O Governo de Singapura apoia as empresas, ajudando-as a reduzirem os seus custos e a salvarem os postos de trabalho.
As crenças e ideologias partilhadas a nível colectivo, como a nível individual, são factor decisivo na adaptação em tempo de crise e na sua resolução. Numa sociedade onde a interpretação dos factos é predominantemente feita tendo por base o conflito, onde as diferenças são reforçadas, onde os distintos interesses são destacados, a adaptação a novas realidades é penosa, tortuosa e lenta. Onde as crenças e ideologias valorizam a necessidade de manter os sistemas funcionais e integrados, onde os interesses comuns são factores de mobilização, as crises são percebidas como desafios e enfrentadas com pragmatismo, a procura das soluções é partilhada e a adaptação é progressiva e sustentada. A ultrapassagem da crise é um sucesso colectivo.
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Para que a sociedade adopte uma postura mobilizadora em tempo de crise económica é fundamental que o sistema político assegure a harmonia, a justiça social e que concorra para uma sociedade inclusiva.
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Assim, quando numa situação de recessão em que existe excesso de pessoal é aplicado o recurso ao despedimento de uma percentagem significativa de colaboradores, sem que todas as outras opções tenham sido antes consideradas, não se está decerto a demonstrar sentido de responsabilidade social nem a contribuir para manter a harmonia e a justiça social.
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A introdução de flexibilidade no período de prestação de trabalho, a par da redução do tempo semanal de trabalho, e mesmo a cessação temporária do contrato de trabalho, são algumas das alternativas. Outras medidas estão a ser postas em prática por governos dinâmicos, como o de Singapura, que, com uma abordagem tripartida com as associações patronais e os sindicatos, pretende que as empresas mantenham os seus trabalhadores em vez de os despedirem. Foi há dias criado um programa para os próximos dois anos, “The Skills Programme for Upgrading and Resilience” (SPURS), cujos objectivos são, em primeiro lugar, a redução dos custos de pessoal com manutenção dos postos de trabalho, em segundo lugar, o apoio ao desenvolvimento de competências (‘reskill’ & ‘upskill’) dos trabalhadores ou no activo ou desempregados e, em terceiro lugar, o apoio aos empresários e trabalhadores para tirarem partido de novas oportunidades que estão a emergir durante esta fase do ciclo económico. A colocação dos desempregados em novos empregos, em sectores que continuam a crescer, integra este programa. Para além dos 2,3 mil milhões de dólares com que as empresas serão apoiadas para controlarem custos e aumentarem o seu ‘cash flow’, uma verba de seiscentos milhões de dólares será atribuída ao SPURS a fim de apoiar os programas de formação mas também para compensar as empresas com trabalhadores em formação.
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As sociedades cooperam com os seus líderes públicos e privados quando em tempo de dificuldade percebem que também estes fazem sacrifícios. Assim, no próximo ano, o Presidente, o primeiro-ministro, os membros do Governo de Singapura e os directores gerais terão uma redução entre 18 e 19% nos seus salários. Os membros do Parlamento receberão 16% menos. As chefias da função pública terão os seus vencimentos reduzidos em 12%. Todos os funcionários públicos receberão menos um mês de prémio no próximo ano. As empresas públicas seguirão idêntico padrão. Na ‘holding’ pública Temasek, cujo “portofólio” atinge os 130 mil milhões de dólares, os salários dos gestores de topo sofrerão um corte de 15 a 25%.
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A fim de prevenir a ruptura do tecido social o Governo de Singapura apoia as empresas, ajudando-as a reduzirem os seus custos, a manterem-se viáveis e a salvarem os postos de trabalho, e apoia as famílias com rendimentos médios ou baixos, nomeadamente com transferências pecuniárias. Através destas e de outras medidas contracíclicas, nomeadamente do aumento do investimento em infraestruturas e do aumento das despesas públicas, Singapura, país de pequenas dimensões e sem quaisquer recursos naturais, que venceu as crises de 1985, 1998 e 2001/2003, prepara-se uma vez mais para demonstrar a sua capacidade de transformar a adversidade em oportunidade.

Wednesday, November 12, 2008

12-11-2008 - Missões a Cidades Emergentes

É do lado do sol nascente que estão a surgir as melhores oportunidades, nomeadamente na China e na Índia.
A actual crise financeira desencadeada, nos EUA, por práticas neo-liberais excessivas provocou um verdadeiro “efeito dominó” sobre todos os sistemas financeiros e económicos. O factor desencadeante (‘trigger effect’) é conhecido: o crédito hipotecário. Entre os factores de reforço está, decerto, o ambiente de desregulação. Caso para se questionar se os ‘checks and balances’ se devem, ou não, aplicar sempre aos sistemas económicos, como o são aos sistemas políticos. Onde há comportamento humano há pulsões que podem requerer contenção.
A ruptura política de Obama, que nestes dias teve lugar nos EUA, está em melhores condições para contribuir para a introdução do equilíbrio de que o sistema carece a nível global.
Mas não se discutem, por ora, os factores predisponentes da crise associados ao estado da economia real dos EUA, de que a crise da General Motors/Chrysler, a crise da indústria automóvel norte-americana, mais não é do que um sintoma. Um sintoma da progressiva perda da posição dominante da economia norte americana em relação à economia global, cuja energia flui, hoje, mais do Oriente que do Ocidente. Nunca, como hoje, a análise prospectiva da evolução da economia mundial nos próximos cinco, dez, vinte ou trinta anos, e das alternativas estratégicas, se tornou matéria urgente, não apenas para americanos mas também para europeus. Porque o futuro já está aí.
Muito embora sejam várias as empresas que em Portugal só descobriram as oportunidades da economia norte americana na fase descendente do ciclo, é do lado do sol nascente que estão a surgir as melhores oportunidades, nomeadamente nas cidades emergentes, como Hangzhou, Chen-gdu, Nanjing, Tianjin, Shenyang, Chongqing, na China, Mumbai, Bangalore, Hyderabad, Pune, Chennai ou Calcutá, na Índia.
E, sendo isto verdade, nada garante que nisto acreditem as empresas portuguesas. A menos que as autoridades portuguesas, os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Economia o afirmem, ou disso dêem conta as instituições representativas como a AEP, a AIP ou a CIP. O que, afinal, torna muito semelhantes as práticas das empresas portuguesas e das empresas asiáticas. Só avançam em missões comerciais quando enquadradas pelas autoridades e pelas associações empresariais. E, por este facto, os empresários e gestores portugueses quando se deslocam em missão a outros países precisam de atribuir uma importância significativa, também, aos encontros com as autoridades centrais, regionais ou locais e com as organizações empresariais que afinal são quem lhes abre as portas do negócio.
Uma missão às cidades emergentes asiáticas comporta sempre, antes das reuniões com os parceiros potenciais, apresentações sobre a economia do país, ou da região e da cidade. Assinam-se acordos e trocam-se presentes. E, naturalmente, as autoridades esperam que os empresários estrangeiros visitem e apreciem os seus símbolos culturais. Como muito bem sabem os gestores e empresários portugueses, a internacionalização exige atitudes e comportamentos adequados. Exige educação apropriada. Implica muito conhecimento, muitas competências. E em matéria de relações públicas quem as não tem que não tarde em obtê-las.
Assinale-se a seriedade e a forma como se preparam os empresários e gestores asiáticos quando integram uma missão a um país estrangeiro. Os asiáticos estudam ‘dossiers’ sobre o país e os seus mercados e participam em seminários onde são debatidos os desafios que as empresas têm de enfrentar, em particular quando pretendem instalar-se nesses países. As estatísticas sobre as trocas comerciais, o investimento estrangeiro, os requisitos contabilísticos, as leis do trabalho, os impostos, a transferência de lucros, os problemas resultantes da variação das taxas de câmbio e dos juros, as redes logísticas, os regulamentos alfandegários, e a propriedade intelectual são matérias versadas nesses encontros que são sempre largamente participados. E, obviamente, onde são abordadas as especificidades culturais relevantes para a realização de negócios.
Os empresários asiáticos são negociadores hábeis mas agradáveis. Simples mas orgulhosos dos seus sucessos ignoram quem os menospreze. Porque chegou a sua hora.

Wednesday, October 29, 2008

29-10-2008 Proacção e "Governance"

À cegueira comunista veio a suceder a cegueira capitalista incapaz de manter um olhar atento sobre os seus resultados e consequências.
A actual crise financeira e económica ilustra como os sistemas de crenças determinam bem mais as decisões humanas do que a pura racionalidade. A crença no ‘laissez faire’ não pode admitir que não há apenas uma mão invisível em acção mas muitos tipos de mãos invisíveis.
À cegueira comunista veio a suceder a cegueira capitalista incapaz de manter um olhar atento sobre os diferentes níveis da decisão financeira, sobre os seus resultados e sobre as suas consequências. Ideologia a induzir o fecho prematuro do campo de análise e de intervenção, dando lugar a um simplismo analítico onde nem todas as unidades de análise relevantes foram seleccionadas para serem acompanhadas e para serem devidamente reguladas na actual fase da globalização.
Tal como os comportamentos económicos e financeiros em contexto comunista se não puderam explicar apenas pela pretensa racionalidade do planeamento central também agora não os podemos explicar com base na pretensa racionalidade estratégica e operacional da firma. Porque os actores em jogo não são apenas organizacionais mas são pequenos grupos, elites, líderes empresariais, gestores cujos interesses e racionalidade podem conflituar, de facto, com os interesses do conjunto dos ‘stakeholders’.
E, por isso, para além duma crise financeira, e agora também económica, o que o Mundo enfrenta é uma crise de ‘governance’ a múltiplos níveis.
Entendam-se as raízes ideológicas e comportamentais da crise do ‘subprime’ e da actual crise económico-financeira e construa-se um novo sistema de prevenção, monitorização e gestão dos sistemas financeiros a nível global, em vez de simplesmente se acusarem os que a propiciaram, como Phil Gramm, o senador que promoveu as leis Gramm-Leach Biley Act de 1999 e o Commodity Futures Modernisation Act de 2000 que enfranqueceram a regulação financeira e tornaram possíveis os empréstimos irresponsáveis e a falta de supervisão do crédito hipotecário, ou Alan Greenspan, ex-’chairman’ da Reserva Federal americana, cuja fé na autoregulação dos mercados contribuiu para rejeitar uma maior regulação de produtos financeiros complexos, ou Cristopher Cox, ‘chairman’ da Securities and Exchange Commission, a quem competia supervisar Wall Street e que não quis ou não pode regular os bancos de investimento, ou Ian McCarthy, CEO da Beazer Homes USA, que favoreceu a venda de habitações a quem a não podia pagar, tal como Angelo Mozilo, fundador da Countrywide Financial, considerado o rei do mercado de ‘sub-prime’, ou James Cayne, ex-CEO do Bear Sterns, Franklin Raines, ex-CEO do Fannie Mae, Richard Fuld, ex-CEO do Lehman Brothers, ou Joe Cassano, ex-chefe do departamento de produtos financeiros da AIG.
China-Singapura
Enquanto a crise paralisa a decisão de muitos agentes económicos a Ocidente, e os mais esclarecidos revêem as suas estratégias e avançam em novas direcções, Singapura vai dando o exemplo prosseguindo o alargamento sistemático da sua rede de relações económicas bilaterais, enquanto as negociações de Doha se desvanecem no marasmo.
A assinatura do Acordo de Livre Comércio entre Singapura e a China, que teve lugar, em Pequim, no passado dia 23 de Outubro, eliminará a partir de Janeiro de 2009 85% das taxas cobradas às exportações de Singapura, permitirá a empresas de saúde da cidade-Estado deterem 70% do capital de hospitais chineses e concederá liberdade de movimentos a empresários e profissionais de ambos os países. As exportações da China para Singapura passam a ser totalmente liberalizadas. Foi o primeiro acordo a ser celebrado entre a China e um país asiático.
Singapura não investe só em Pequim e Xangai. Em Tianjin constrói uma “eco-cidade”. Em Chengdu e Hangzhou apoia nomeadamente os sectores de logística, turismo, sistemas de informação, serviços financeiros, de saúde e de educação, para além da construção e gestão de centros comerciais. Xian será a próxima prioridade.As empresas portuguesas, ao estabelecerem as suas subsisdiárias em Singapura, poderão aceder aos benefícios do acordo assinado com a China.
Da China sopram bons ventos para quem sabe navegar.
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in Diário Digital
Sábado, 15 de Novembro de 2008 10:44

G20: França anuncia acordo para nova regulação mundial
Os dirigentes dos principais países industrializados e emergentes reunidos na cimeira do G20, em Washington, chegaram a um acordo para sustentar a economia, concretizar uma nova regulação internacional e reformar a governação mundial, disse hoje a presidência francesa.

Segundo o Eliseu, as decisões do G20 devem ser resumidas num comunicado de cinco páginas, que será divulgado hoje no final desta cimeira inédita que decorre desde sexta-feira em Washington com o objectivo de pôr cobro à pior crise financeira depois da Depressão de 1930.
A presidência francesa adiantou que será feito a 31 de Março de 2009 um primeiro balanço dos trabalhos a desenvolver a partir das decisões tomadas na cimeira.
De seguida, até 30 de Abril haverá lugar a um novo encontro do G20, não se conhecendo ainda em que local.
Segundo a presidência francesa, o texto que está a ser estudado na cimeira inclui «mensagens positivas de três ordens: sustentabilidade da economia, nova regulação internacional e reforma da governação mundial».

Wednesday, October 15, 2008

15-10-2009 Crise e Arte

Os galeristas dos EUA e da Europa não perdem oportunidades para promover as obras dos seus pintores no Oriente.
Quando uma sucessão de terramotos, com epicentro nos EUA, abalava o sistema financeiro mundial e ondas de choque se propagavam inexoravelmente pelas economias nacionais de Ocidente a Oriente, 110 galerias de arte reunidas na ArtSingapore, de 10 a 13 de Outubro, davam a conhecer uma amostra do melhor que se produz de arte contemporânea na Ásia, do Japão à Coreia do Sul, da China a Singapura, Tailândia, Vietname, Indonésia e Filipinas, à Índia. Uma evidente demonstração do vigoroso processo de desenvolvimento que atravessa a Ásia e do crescente poder económico das suas elites. Uma expressão do posicionamento cada vez mais proeminente da arte asiática no mundo global da arte.
Contrastando com a angústia que perpassa a Ocidente, galeristas e pintores exprimiram paz e confiança no futuro da Ásia e nas suas riquíssimas expressões artísticas enquanto interpretaram os episódios perturbadores a que se assiste nos dias que correm como dores de parto de um novo mundo. ArtSingapore foi esteticamente uma exposição de modernismos plurais, que dominantemente se afirmam como um contínuo histórico-artístico autónomo e distinto dos cânones euro-americanos, com temáticas que oscilam entre o local e o global, que comunicam energia e espiritualidade, tabus e sensualidade, e onde o experimentalismo tem livre curso.
A criação visual moderna também ela se libertou na China com a política de abertura de Deng Xiao Ping, a partir de 1979. Na Índia múltiplos movimentos se manifestaram de Nova Delhi a Bombaim, alastrando a uma miríade de cidades de menor dimensão.
A primeira exposição de arte contemporânea pan-asiática teve lugar em Nova Iorque, em 1996. Foi também nos anos 90 que o mercado de arte se veio a afirmar e a crescer nas principais cidades asiáticas.
Em 1999, um óleo do pintor indonésio do século XIX, Raden Saleh, foi adquirido em Singapura por um amante de arte local pela extraordinária quantia de 1,43 milhões de dólares americanos.
Nos últimos cinco anos a Índia viu florescer as transacções de arte, não mais à custa dos cidadãos indianos da diáspora mas, em larga medida, devido ao aumento do poder de compra da classe média. Os indianos residentes na Índia são responsáveis por 85% das aquisições. As transacções de arte indiana ultrapassam actualmente os 350 milhões de dólares.
O marketing e a promoção da arte asiática têm-se vindo a expandir de forma sustentada a nível mundial nas últimas décadas. A revista Arts of Ásia surgiu pela primeira vez em Hong Kong em 1971. AsianArtNews, que se publica na mesma cidade desde 1991, viu surgir a seu lado múltiplas concorrentes, desde Daruma Magazine dedicada à arte japonesa e publicada desde 1994, à Art Índia no seu décimo segundo ano de vida, à revista indiana Art & Deal em existência desde 2002. Art_Icle, dedicada à arte e cultura japonesa, pôs em Outubro nas bancas o seu 12º volume. Mais recentemente viu a luz da ribalta a revista Gallery, com origem na cidade chinesa de Guangzhou, que distribui actualmente 80.000 exemplares.
A arte asiática contemporânea está exuberante. Mercê, igualmente, de uma valorização crescente das condições de formação e de criação artística nas sociedades asiáticas donde emanam. Os ocidentais apreciam e usufruem deste gosto pela arte contemporânea da Ásia. Os galeristas dos EUA e da Europa não perdem oportunidades para promover as obras dos seus pintores no Oriente. Na ArtSingapore não faltaram, entre outros, os EUA, a França e a Espanha.
Apesar desta se realizar desde o ano 2000, Portugal, país com uma reconhecida plétora de artistas plásticos, nunca esteve presente. Há sempre uma primeira vez. Será 2009?

Wednesday, October 1, 2008

01-10-2008 Equilibrar

O abandono da Ásia por parte da Europa, aquando da crise financeira sofrida em 1997, deixou um amargo de boca aos líderes asiáticos. Anos continuam a ser perdidos.
A crise financeira, emanação de graves falhas de regulação no sistema financeiro americano, tornou-se verdadeiramente global.
Se causa perplexidade o facto das instituições relevantes dos EUA não terem prevenido a tempo este colapso, não é motivo para menos preocupação a incapacidade da Europa para antecipar consequências e para agir proactivamente a nível político e financeiro na cena internacional.
A Europa, a quem falta a necessária coesão na acção, continua a afirmar-se como dependente das forças e fraquezas americanas.
Num novo contexto histórico, que vai assistindo ao fim do domínio que o Ocidente disfrutou durante os últimos duzentos anos(1), é mais do que tempo para a Europa, reafirmando a aliança atlântica, assumir uma forte liderança (2) no concerto das nações. Em vez de se remeter a uma posição digna e honrosa mas de mero aconselhamento e de ‘lobbyist’, a Europa tem hoje uma oportunidade para tomar a iniciativa a nível diplomático, económico e financeiro, como também, ao nível da política de segurança global, e para estabelecer relações privilegiadas com a Ásia. A Ásia beneficiaria desta Europa mais autodeterminada na construção de um mundo multipolar mais equilibrado.
A Ásia deverá poder contar com uma Europa não concentrada apenas nos seus interesses imediatos mas que esteja deveras empenhada no desenvolvimento da China, da Índia, do Sudeste Asiático, dos países asiáticos em geral, sem estar constantemente à procura dos aspectos negativos ou menos positivos desse processo.
A Ásia precisa de ser assumida como um parceiro da Europa. A mentalidade colonial não tem mais lugar nas relações entre a Europa e a Ásia e esta não precisa que lhe dêem lições. Mas espera que com ela cooperem.
A Europa ganharia em desenvolver alianças activas com os países amigos da região. Uma aproximação que cada um dos países europeus pode ajudar a fermentar, Portugal incluído.
Muitos milhares de empresas europeias estabeleceram-se na Ásia. Mas as relações institucionais entre a União Europeia, a China, a Índia, Singapura ou a ASEAN têm progredido muito lentamente. São ainda magros os progressos alcançados ao nível do Asia Europe Summit Meeting (ASEM), criado em 1996.
O abandono da Àsia por parte da Europa, aquando da crise financeira sofrida em 1997, deixou um amargo de boca aos líderes asiáticos. Anos continuam a ser perdidos para a aproximação institucional e para a celebração de acordos de cooperação económica ou de livre comércio. Os países asiáticos deveriam ser prioritários para a política externa da Europa. E não apenas o Japão. E as suas preocupações deviam merecer a maior atenção.
É do melhor interesse da Europa e da Ásia, onde vive a maior parte da população islâmica do mundo, apoiar o desenvolvimento efectivo do Estado Palestiniano, a par do respeito pelo Estado de Israel, integrar e apoiar o desenvolvimento das comunidades islâmicas e ter em consideração os seus sentimentos. Uma forma de evitar a humilhação e de prevenir o alastramento do ódio que é o caldo do terrorismo. Ódio e pobreza são a mistura mais explosiva do século XXI.
A Ásia é um continente geograficamente distante da Europa. E, por isso, os europeus corrrem o risco de instintivamente colocarem os que estão longe da vista, longe do coração. Mas a Ásia tornou-se um continente com economias cada vez mais poderosas, povos confiantes no seu futuro, admirados pelo seu profissionalismo, o seu método, a sua organização, a sua paixão pela perfeição. Que esperam o respeito e o reconhecimento por parte dos países ocidentais. Que esperam uma redistribuição justa e equilibrada na partilha do poder nas instituições que gerem os assuntos globais.
A Ásia espera uma nova atitude da Europa, uma visão do século XXI
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1)
Estados Unidos preparam-se para o declínio
in Público, 22.11.2008, Francisca Gorjão Henriques

Relatório especial da espionagem norte-americana prevê uma transferência sem precedentes de riqueza do Ocidente para o Oriente
Os Estados Unidos em declínio. A China e a Índia mais poderosas. Falta de alimentos. Falta de água. Muitas armas. Será assim o mundo em 2025.
Estas são algumas das conclusões de um relatório do National Intelligence Council, um think tank dos serviços de informação norte-americanos.
A cada cinco anos, especialistas de várias áreas são ouvidos para encontrar as tendências globais do futuro.
O relatório Global Trends 2025: A Transformed World é mais pessimista que os anteriores, sobretudo quanto ao papel dos EUA na cena internacional. Mas não chega a ser fatalista. Tudo dependerá das respostas dos líderes às crises que vão encontrar.
O documento foi precisamente preparado para estar em cima da mesa da Sala Oval a 20 de Janeiro, quando Barack Obama tomar posse como Presidente.E os cenários não são traçados a cor-de-rosa.
Não é que os EUA deixem de ser a grande potência mundial. Mas a dispersão de autoridade, que tem sido já uma tendência nas últimas duas décadas, irá aumentar. "Os BRIC [Brasil, Rússia, Índia e China] não deverão desafiar o sistema internacional como fizeram a Alemanha e o Japão nos séculos XIX e XX, mas, devido à sua ascensão geopolítica e económica, terão um maior grau de liberdade para adoptar as suas medidas políticas e económicas em vez de integrar totalmente as normas internacionais", lê-se. E mesmo no campo militar, "em que os EUA continuarão a possuir vantagens consideráveis em 2025, os avanços feitos por outros na ciência e tecnologia, adopção de tácticas bélicas irregulares por estados e actores não estatais, irão limitar a liberdade de acção dos EUA".O relatório também refere que a emergência de sistemas multipolares torna o mundo mais instável do que com um sistema uni ou bipolar. Os riscos advêm da concorrência no comércio, investimentos e inovação tecnológica, embora não se possa excluir um cenário como o do século XIX de corrida ao armamento, expansão territorial e rivalidades militares.
Não é que vá estar em total colapso, mas daqui a quinze anos, "o sistema internacional, tal como foi construído na sequência da II Guerra Mundial, será praticamente irreconhecível". Isto por causa da emergência de novas potências, de uma economia globalizada, uma transferência histórica de alguma riqueza e poder económico do Ocidente para Oriente e da crescente influência dos actores não estatais.
(...)
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2) FINALMENTE A EUROPA FOI CAPAZ DE ENSAIAR A LIDERANÇA
Reunião do G20 em Washington
Luis Rego em Bruxelas, DIÁRIO ECONÓMICO 2008-11-17 00:05
Começou a reforma da economia mundial
G20 determinou o que mudar e os prazos. Agora falta concretizar.
.
Os Estados Unidos e as mais ricas e promissoras economias mundiais adoptaram, grosso modo, o plano europeu de reforma do sistema financeiro internacional acordado em Bruxelas, incluindo um calendário para apertar a regulação no sector e reformar as instituições de Bretton Woods, o FMI e o Banco Mundial.
Os receios de excesso de regulação por parte da administração americana foram serenados com uma declaração de apoio à economia capitalista de mercado que, diz a Casa Branca, impediu o “assalto ao capitalismo”.Os ministros das Finanças dos 20 países reunidos emWashington foram mandatados para concretizar propostas a tempo da próxima reunião, no dia 30 de Abril, desta feita em Londres, 101 dias depois de Barack Obama tomar posse como presidente dos EUA.
Dando uma nova dinâmica ao processo, o ex-senador de Illinois pode ditar no futuro próximo o êxito ou fracasso da reunião deste fim-de-semana.
Nicolas Sarkozy, actual presidente da UE, cantou vitória no sábado dizendo “tudo ou quase tudo”o que a UE propôs foi aceite. “As agências de notação serão registadas e supervisionadas, os bancos que tenham uma política de remuneração exagerada verão o seu ‘rating’ diminuído, teremos novas regras de contabilidade e acabámos coma concorrência entre praças financeiras, sob pretexto de que umas são menos supervisionadas do que outras”, explicou Sarkozy. Além disso, sobre os paraísos fiscais, ou os centros não cooperativos, “há uma obrigação de os bancos declararem tudo o que lá têm, e estes passaram a ser controlados”, explicou. “Todos os mercados financeiros, produtos e participantes serão regulados ou sujeitos a supervisão” diz o comunicado final.
“Não haverá mais pontos cegos [no sistema financeiro]”, resume a chanceler alemã, Angela Merkel.
É “histórico que aqui nos EUA a administração norte-americana aceite fazer um movimento [relativo ao mercado] que sempre recusou, fosse com democratas ou republicanos”, disse Sarkozy.
Revelou-se audaz a estratégia europeia de fazer esta cimeira durante a transição na Casa Branca, em que a administração Bush está fragilizada e Obama carrega baterias na sua sombra. Resta saber se o próximo presidente subscreve este plano.
Bush disse aos parceiros que tinha Obama bem informado e que tinha zelado pelos interesses americanos. “Quaisquer reformas que sejam recomendadas, precisamos de ser conduzidos por um facto simples: a melhor forma de resolver os nossos problemas é através do crescimento económico. E a forma mais segura para o crescimento é o capitalismo de mercado”, disse George W. Bush.
A parte mais prática da declaração defende que, “nos próximos 12 meses, vamos coibir-nos de erguer novas barreiras ao investimento ou comércio em bens e serviços, impondo restrições às exportações ou medidas inconsistentes com a OMC”.
Se o êxito das conclusões está sujeita à sua execução, a reunião já foi uma vitória para os líderes das economias emergentes que celebraram a presença no novo fórum mundial e viram a porta aberta a que os novos Fórum de Estabilidade Financeira, FMI e Banco Mundial reflictam o novo equilíbrio de forças mundial.
Hu Jintao, o presidente chinês, apelou a que isto seja o princípio de uma “nova ordem financeira internacional mais justa, inclusiva e ordeira”. “Estamos num mundo novo”, afirmou Sarkozy, “não é menos para os EUA, é mais para os outros”, concluiu.

Wednesday, September 17, 2008

17-09-2008 As Visitas

As visitas de Estado são uma excelente oportunidade para promover as relações culturais e as relações económicas.
Visita-se por muitos motivos. Para manter relações e reforçar a amizade. Hoje menos, por cerimónia, por cortesia, por respeito. Cada vez mais por curiosidade, para fazer turismo. Também para inspeccionar, controlar e corrigir situações. E, frequentemente, por negócio.
As visitas de Estado, para além das formalidades diplomáticas, são uma excelente oportunidade para promover as relações culturais e as relações económicas. Muitas são bem eficazes e geram o aumento do investimento e do emprego. E, no curto prazo, fomentam a expansão do comércio bilateral. Estudos internacionais recentes apontam para um aumento de 8 a 10% das exportações após as visitas de Estado. Mas este crescimento depende da repetição destas visitas entre os países em questão.
Mas há, também, “visitas de estudo” de líderes políticos nacionais ou provinciais cujo efeito é ainda mais retumbante. Porque o que as mobiliza não é a simples curiosidade mas uma avaliação no terreno de políticas adoptadas e dos modelos que as sustentam. Recorde-se a este propósito a visita de Deng Xiao Ping a Singapura, em Novembro de 1978. Singapura tornou-se, desde então, o modelo preferido de Deng para a China (Michael Leifer, Singapore Foreign Policy, London, Routledge, 2000).
Actualmente visita a cidade Estado uma delegação de Cantão (Guangdong) com vinte altos dirigentes públicos e 400 empresários, chefiada pelo secretário geral do Partido Comunista da província, Wang Yang. O Housing Development Board, modelo de habitação de iniciativa pública onde reside 80% da população, é uma das prioridades desta “visita de estudo”.
Tal como o modelo de desenvolvimento urbano, assente em planos de longo e muito longo prazo, que é gerido pela Urban Redevelopment Authority e que coordena o uso do território com o modelo de desenvolvimento económico.
Nestes, como em muitos outros domínios, há exemplos de grande eficácia e de eficiência a apresentar e que não deixarão de gerar parcerias, ‘joint ventures’, acordos, novos negócios, com benefício para as populações dos países envolvidos.
A saúde é outro caso exemplar, onde Singapura alcança os melhores indicadores do Mundo mas, ao mesmo tempo, onde só gasta actualmente 4% do PIB. Onde os EUA gastam 16%. É que não há competitividade que valha quando o modelo é inadequado e o uso dos recursos é ineficiente.
O que impressiona o visitante estrangeiro interessado em processos de desenvolvimento é a combinação de uma forte economia de mercado com uma forte intervenção de ‘holdings públicas’, altamente lucrativas, responsáveis por cerca de 60% do PIB, dirigidas pelos mais destacados gestores nacionais ou estrangeiros, com uma forte e clarividente direcção política. Uma realidade que liberais e socialistas portugueses terão dificuldade em entender.
Uma verdadeira terceira via que atrai um número crescente de países em desenvolvimento sem desencadear qualquer ameaça a quem quer que seja, dada a sua dimensão: Singapura é o segundo país mais pequeno da Ásia, com cerca de 700km2, mas com um volume de trocas comerciais de 847 mil milhões de dólares, em 2007.
Portugal é visitado e visita. Aos de fora precisa de apresentar com maior agressividade os seus modelos de sucesso no planeamento urbano, na habitação pública, na saúde, na educação e na ciência, na administração pública, na industrialização. Onde quer que exista potencial há que gerar parcerias, ‘joint ventures’, acordos, novos negócios.
Empresários portugueses embarcam em comitivas de Estado de um país que parece não ter mais que cinquenta empresas para apresentar no exterior. Uma imagem que se espalha. Que é afinal consistente com o facto de num território de mais de 91.000 km2 não irem além dos 127 mil milhões de dólares, em 2007, as trocas comerciais com o Mundo.
Faz falta a Portugal serenidade para encontrar uma direcção e um futuro. Enquanto na cultura política predominar o prazer da conflitualidade, a exposição pública de egos frágeis à procura de compensações simbólicas Portugal não será mais que um país liliputiano.
Portugal precisa de procurar convergências para rasgar os caminhos do Mundo. E para provar que a democracia é um modelo eficaz para satisfazer as necessidades de uma Nação.

Wednesday, September 3, 2008

03-09-2008 A Última Prioridade

A Ásia é quase um deserto para Portugal, como as estatísticas das exportações relativas aos cinco primeiros meses deste ano indiciam.
É facto que os empresários portugueses não vêem nem a China, nem o Sudeste Asiático, nem a Índia como fonte de oportunidades. E as excepções não fazem a regra.
As enormes capacidades demonstradas pela China, o ritmo do seu crescimento, as extraordinárias transformações que nela têm lugar e a sua trajectória como superpotência são percebidas, em Portugal, ou como irrelevantes ou, então, como uma ameaça. Apesar de a China ser o segundo parceiro comercial da UE. Apesar de as exportações da UE para a China terem mais do que duplicado entre 2003 e 2007, alcançando neste último ano os 72 mil milhões de euros.
Imagine-se Singapura a ignorar as oportunidades oferecidas pelo conjunto das economias americana e europeia. É o que faz Portugal ao subestimar o potencial económico da China e ao desinteressar-se pelas oportunidades na Ásia. Ignora-se que a explosão da China tem a dimensão da Ásia.
A China é, hoje, o centro dum imparável processo de integração da economia asiática. A China é, actualmente, o principal cliente do Japão, de Taiwan, da Coreia do Sul. E dentro de pouco tempo sê-lo-á, também, da Índia.
Entre 1993 e 2003 o comércio bilateral entre a China e o Japão cresceu 250%. Cresceu mesmo 350% com Singapura, 670% com a Coreia do Sul, 835% com a Tailândia, 1.025% com a Malásia. E 1.025% com a Índia.
Se excluirmos o valor das exportações para a região mais populosa do Mundo, nomeadamente para Singapura e Malásia, de produtos produzidos por algumas empresas multinacionais de origem estrangeira a operarem em Portugal, a Ásia é quase um deserto para Portugal. E com agravamentos, como as estatísticas das exportações relativas aos cinco primeiros meses deste ano indiciam. As exportações para o Japão decaíram 46% em relação a igual período do ano passado. Mas as importações do Japão, de Janeiro a Junho de 2008, com origem na UE, estabilizaram num crescimento de 0,2% relativamente a igual período de 2007. Houve quebras nas importações de países da UE, não tão acentuadas como as sofridas por Portugal, e houve crescimentos nos casos da Alemanha (3,6%) ou Espanha (11,2%), entre outros. O que confirma não serem uma inevitabilidade as perdas nacionais.
Esta Ásia sinocêntrica, que será o maior mercado consumidor de bens e serviços do Mundo, justifica um muito amplo e redobrado empenhamento económico e diplomático de Portugal, uma fundamentada estratégia. Exige mesmo uma acção radicalmente distinta da que tem sido adoptada, com um outro ritmo, com a visita assídua de líderes políticos e empresariais, com a implantação de uma vasta rede de empresas subsidiárias e de escritórios de representação portugueses na região.
O sucesso na Ásia obriga a uma mudança de atitudes por parte dos empresários portugueses. Esconder, sob a máscara de sentimentos de superioridade, o desconforto das diferenças culturais só prejudica as relações políticas, económicas, científicas e culturais, com os povos asiáticos.
Há um caminho a percorrer, uma aprendizagem a fazer em cada país asiático. Enquanto os ocidentais vão para fechar negócio, os chineses desenvolvem relações com pessoas com quem, eventualmente, querem fazer negócio. E só fazem negócio com pessoas que conhecem, de quem gostam e que respeitam. Enquanto europeus e americanos fazem capitalismo impessoal, os chineses preferem um capitalismo baseado nas relações pessoais. E esperam realismo e flexibilidade por parte dos fornecedores ocidentais.
Mas não será a Ásia, pura e simplesmente, a última prioridade para Portugal?
Cautela! Porque muito provavelmente os últimos virão a ser os primeiros.

Wednesday, August 20, 2008

20-08-2008 Desafios

As importações de Singapura com origem em Portugal tiveram um incremento de 448% entre 2001 e 2007.
Com uma imagem mais saliente, os países da Ásia poderão ganhar, após os Jogos Olímpicos, um novo interesse para as empresas exportadoras nacionais, nomeadamente China e Singapura.
Desde 2005, este pequeno país do Sudeste Asiático, localizado um grau acima do Equador, tem assumido uma extraordinária importância para Portugal pois constitui o terceiro mais importante mercado das nossas exportações fora da União Europeia.
De acordo com dados do International Trade Center UNCTDA/WTO, as importações de Singapura com origem em Portugal tiveram um incremento de 448% entre 2001 e 2007. Um sucesso que deve ser associado aos incentivos concedidos pela API e que foram negociados quer por Miguel Cadilhe quer, mais recentemente, por Basílio Horta. Cerca de noventa por cento dos produtos importados caem, por inteiro, no âmbito dos códigos oitenta e quatro e oitenta e cinco.
Há um enorme desafio para lançar às empresas portuguesas. Em primeiro lugar, porque as exportações portuguesas para este país estão concentradas num muito reduzido número de produtos.
Em segundo lugar, porque existe uma poderosa economia com possibilidade de absorver a oferta nacional de uma vastíssima gama de produtos e serviços, caso esta tenha a ousadia, a competência e a disciplina necessária. É preciso diversificar a oferta, ganhar e consolidar mercados. Portugal representou, em 2007, pouco mais que 0,1% do total das importações de Singapura, não ultrapassando a 44ª posição entre os países fornecedores.
Wine for Asia
Entre os mercados de interesse está o dos vinhos. Portugal ocupa agora a 13ª posição entre os países fornecedores de vinhos a Singapura. Mas não se devem subestimar as oportunidades pois, entre 2001 e 2007, as importações de vinhos portugueses para a cidade-Estado cresceram 154%.
Os produtores portugueses deveriam atribuir uma acrescida prioridade a este país que é, afinal, um dos países mais inovadores da Ásia e do Mundo. Deveriam explorar novas estratégias adequadas a este mercado. Singapura ocupa, tão só, a 37ª posição entre os países clientes dos vinhos portugueses.
Em 2007, a AEP organizou a presença de alguns produtores e exportadores de vinhos portugueses na Wine for Asia 2007. O Pavilhão Portugal teve um extraordinário impacto e deu lugar a novos canais de importação e distribuição. A empresa, que concebeu e produziu o pavilhão, uma multinacional do sector de exposições com forte presença em toda a Ásia, percebeu o potencial estratégico da Wine for Asia e adquiriu a organização da feira. Uma decisão que merece reflexão.
De novo, em Outubro próximo, terá lugar a Wine for Asia 2008 onde são esperados mais de 4000 profissionais do sector oriundos de, pelo menos, quinze mercados da região.
Não há mercados fáceis.
Os produtores portugueses que decidirem estar presentes vão ter, uma vez mais, uma oportunidade para demonstrar a sua visão, competência estratégica, determinação e persistência. Vão poder aprofundar o seu conhecimento sobre os mercados asiáticos. Vão poder lançar os seus produtos, promover as suas marcas e as suas empresas na Ásia. Se tiverem afinado o seu marketing estratégico para esta parte do Mundo.
Não há mercados fáceis. Há-os mais ou menos competitivos com graus de diferenciação e segmentação diversos, com hábitos distintos mercê dos quadros de vida que os caracterizam. Mas as variações culturais entre povos asiáticos são um grande desafio para os exportadores de vinho nacionais.

Wednesday, August 6, 2008

06-08-2008 Multinacionais

Vencer a crise económica portuguesa passa por um drástico aumento do número de empresas multinacionais portuguesas.
Os jogos olímpicos na China inspiraram um vasto conjunto de artigos, editoriais e comentários que ultrapassam largamente o interesse desportivo. O papel das multinacionais no desenvolvimento da China tem sido um dos temas mais versados nestes dias que antecedem o momento simbólico do reconhecimento universal da China moderna. A sua actuação é apresentada como negativa para os interesses da União Europeia e dos EUA. “Uma traição!”
O que, verdadeiramente, evidenciam a maioria destes textos são atitudes proteccionistas, anti-globalização e anti-multinacionais. Atitudes que evidenciam uma total desfocalização em relação ao estado do mundo neste século XXI. Porque as multinacionais representam uma característica fundamental e indissociável das economias modernas, um dos principais motores da globalização.
Sentimentos ambíguos, senão mesmo contraditórios, em relação às multinacionais prevalecem em Portugal, como em muitos outros países. As multinacionais sao vistas como ameaças à riqueza e à identidade nacional. Mas, por outro lado, reconhece-se que elas trazem investimento estrangeiro, mais postos de trabalho, melhores condições de emprego, mais conhecimento, mais I&D, melhores formas de organização do trabalho, melhores práticas, mais avançadas tecnologias de gestão e produção, muitas vezes produtos e serviços de melhor qualidade que os oferecidos pelas empresas locais. E contribuem decisivamente para o aumento das exportações e do PIB. As multinacionais contribuem para o desenvolvimento regional e local, para o desenvolvimento dos recursos humanos porque empregam uma maior percentagem de colaboradores diferenciados (‘white-collar’) e têm uma produtividade superior às empresas locais.
Levar um número crescente de empresas multinacionais a investir nas suas economias é um objectivo comum a países desenvolvidos, dos EUA ao Canadá, ao Reino Unido ou à Suiça. Não é ambição apenas de países em dificuldades ou de países em desenvolvimento. Um terço do PIB suiço tem origem em empresas multinacionais.
Portugal tem de competir de forma muito agressiva para as atrair. Em 2005, estariam a operar em Portugal 600 empresas multinacionais. Singapura tinha, em 2006, cerca de 7.000 empresas multinacionais, sendo que 4.000 eram sedes regionais. Em 2013, a China tem como objectivo ter, em Shanghai, 3.000 sedes regionais de empresas multinacionais.
Os países distinguem-se, também, pelo grau de sucesso da integração das suas empresas no mercado global e em cada um dos mercados regionais. A comprová-lo está a China que não é apenas receptor do investimento do Ocidente. Também ela fomenta o desenvolvimento das suas empresas multinacionais. Entre as 500 mais importantes empresas mundiais, doze têm origem na China. A Legend Holdings, que detém o grupo Lenovo, ou o grupo YTO, que exporta tractores para 30 países e que possui fábricas na Turquia e na Europa Central e do Leste, são ambas expressão desta política de globalização. Tal como a China National Cereals, Oils & Foodstuffs Import & Export Corporation, a TCL Corporation ou a Gree Corporation.
De igual modo, a Índia investiu na União Europeia, em 2007, mais de 25 mil milhões de dólares americanos, tendo criado mais de 10.000 postos de trabalho na Alemanha.
Ser empresa multinacional é a melhor forma de operar numa economia global integrada. Ganhar acesso a novos mercados, procurar factores de produção mais eficientes, adquirir tecnologias específicas para integrar a sua produção, explorar externalidades associadas a determinadas (des)localizações são razões suficientes para as grandes ou médias empresas portuguesas se abalançarem a uma transformação em empresas multinacionais.
Pequenas empresas subsidiárias, localizadas em centros de influência regional em cada continente, poderão operar de forma flexível e adaptável em múltiplos países das Ásias, das Américas, da África, ou da Europa.
Vencer a crise económica portuguesa passa por um drámatico aumento do número de empresas multinacionais portuguesas.

Wednesday, July 23, 2008

23-07-2008 Arroz ou "Spaghetti"

As empresas portuguesas têm tudo a ganhar em se apresentarem nos mercados externos com fortes relações públicas comuns.
Realizou-se há algum tempo, em Singapura, uma importante feira para promoção da Índia.
Num dos seminários que, então, tiveram lugar usou da palavra um dos líderes da comunidade empresarial indiana de Singapura que comparou a atitude dos empresários chineses locais com a dos empresários indianos, nas suas iniciativas de internacionalização. Na sua opinião, enquanto os indianos se apresentam no mundo como arroz solto, os empresários chineses comportam-se como as ‘noodles’ ou o ‘spaghetti’. Enquanto uns permanecem dispersos e frágeis, outros avançam em rede, em permanente interacção reforçando as capacidades mútuas. Enquanto a atitude de desconfiança e de competição mútua prevalece entre indianos, o suporte mútuo domina entre os empresários chineses na partilha de informação e de oportunidades oferecidas pelos mercados externos. O que explicaria o maior sucesso das comunidades chinesas na sua expansão pelo mundo.
Poder-se-á especular sobre factores, que poderão explicar esta diferença de atitude, associados ao sistema de castas internalizado entre indianos e ao igualitarismo dos chineses. Aparentemente o padrão de comportamento que prevalece entre empresários e gestores portugueses nos processos de internacionalização parece estar mais próximo do indiano que do chinês. Sejam quais forem as razões que para tal concorrem.
Nunca é demais reafirmar que, na internacionalização, os concorrentes das empresas nacionais não são as suas congéneres nacionais mas as suas concorrentes estrangeiras que gozam eventualmente de vantagens de contexto (menores impostos, sistema normativo consistente e ‘user friendly’, acesso a acordos de livre comércio, etc.), de vantagens nos diferentes factores de produção (maior desenvolvimento organizacional, maior flexibilidade), de maior produtividade e, consequentemente, de maior competitividade.
As empresas portuguesas têm tudo a ganhar em se apresentarem nos mercados externos como forças concertadas de ataque, com um elevado nível de organização e com potentes relações públicas comuns.
É fundamental que as empresas portuguesas surjam nas feiras sectoriais, por esse mundo fora, enquadradas em pavilhões Portugal que se distingam pela imagem de inovação, criatividade, actractividade e eficácia na comunicação externa e interna. É fundamental que a concepção dos pavilhões Portugal demonstre essa força colectiva, acentuando a interacção e referenciação entre as empresas nacionais. Afirmando-se num espaço comum, aberto a renovados fluxos de visitantes, em vez de se quedar pela mera adição de pequenos territórios circunscritos em cubículos de escassos metros quadrados.
A participação nas feiras deve assentar numa estratégia com objectivos definidos, deve apoiar-se em fortes iniciativas de marketing antes, durante e após a sua realização, com uma escolha criteriosa dos meios audiovisuais e outros instrumentos de promoção que, dentro dos limites do orçamento para o evento, aumentem a eficácia da intervenção, com uma adequada concepção do espaço de exposição, uma adequada utilização da iluminação e dos materiais que concorram para aumentar a visibilidade e promovam o conhecimento da empresa e a venda dos seus produtos ou serviços. E deve ter a sustentá-la colaboradores que estejam devidamente treinados para representar e promover a imagem da empresa, para gerar interesse pelos produtos ou serviços e para alcançar um determinado nível de vendas.
É indispensável que as empresas portuguesas encarem a possibilidade de aumentarem a sua participação em feiras nos países asiáticos. Não como instrumento único mas como acção integrante da sua estratégia de entrada num dado país. É que o crescimento das Ásias é sustentado. A confirmá-lo está o facto de os países asiáticos estarem a aumentar de forma muito significativa os seus espaços de exposição. Entre 2006 e 2010, a China aumentará 445.000m2 (+18%), a Índia 79.000m2 (+33%), a Coreia do Sul 65.000m2(+41%),Singapura 54.000m2 (+35%) e o Médio Oriente, em particular os EAU (147.000m2 +115%).
Nas Ásias não se compreende porque são, sempre, tão poucas as empresas portuguesas presentes.

Wednesday, July 9, 2008

09-07-2008 Persistência

A consolidação de um mercado de exportação exige dez vezes mais tempo do que o previsto, mais dinheiro e mais persistência.
O peso das exportações no PIB português está longe de trazer paz de espírito a governantes e a governados. Fez bem o Compromisso Portugal em compará-lo, na semana que passou, com o da República Checa e a Irlanda, entre outros, promovendo uma tomada de consciência colectiva das enormes dificuldades com que o país se confronta.
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É certo que há sinais positivos nas exportações portuguesas que decorrem do aumento da componente tecnológica. Mas a excessiva concentração das exportações de maior intensidade tecnológica num reduzido leque de produtos e de empresas exportadoras não deixa de traduzir uma enorma vulnerabilidade. Razões suficientes para aconselhar uma atenção redobrada e equilibrada ao conjunto dos sectores exportadores. E para sugerir uma avaliação sistemática, aprofundada, do grau de preparação das empresas de cada sector, para a exportação em geral, e para a exportação para os países dos mais diversos continentes, Ásias incluídas. Que poderá justificar ajustamentos nos instrumentos de financiamento e de apoio à formação já disponíveis. Uma avaliação que permita identificar os factores que levam a que, das 183.000 empresas que em Portugal produzem ou comercializam bens transacionáveis, só 7.683 sejam exportadoras. A pesquisa dos factores associados ao modelo de negócio, mas também às competências de gestão, há-de encontrar os obstáculos psicológicos que fragilizam a decisão de exportar e a estratégia de entrada em cada mercado.
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Há determinadas atitudes que são verdadeiros empecilhos à exportação. Empresários e gestores vivem apaixonados pelos seus produtos e não compreendem porque é que os consumidores de outros países não valorizam as características destes e não lhes reconhecem as qualidades. Directores de marketing e de vendas concentram-se nos seus produtos em vez de procurarem compreender os seus mercados de eleição, em vez de procurarem responder aos seus problemas, às suas necessidades e expectativas. Muitas vezes não chegam a perceber que os mesmos produtos podem desempenhar funções diferentes e ser desigualmente valorizados em sociedades e culturas distintas. Empresários e gestores necessitam de aprender a ser adaptáveis aos novos mercados. A expectativa de participar numa feira e de logo aí, e à primeira, conseguir nomear agentes e distribuidores e de obter, de imediato, encomendas significativas, pode indiciar um insuficiente planeamento da entrada num novo mercado, sendo gerador das mais indesejadas frustrações. As empresas exportadoras, que são casos de sucesso, têm todos os incentivos endógenos para expandir os seus mercados. Mas elas sabem quanto necessitam de planear devidamente a entrada em cada um dos mercados, de definir com quem querem negociar e como ter impacto nos consumidores desses mesmos mercados. A exportação exige muito conhecimento, é um ‘knowledge based sector’.
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Os novos exportadores entusiasmam-se levando aos mercados externos toda a gama dos seus produtos, e esperando a todos promover igualmente. Mas a consolidação de um mercado de exportação exige dez vezes mais tempo do que o previsto, muito mais dinheiro e muito mais persistência. Uma verdade de valor universal mas que, mais ainda, se aplica nas Ásias. E que sugere aos que não avaliaram devidamente a sua estratégia de entrada nos mercados asiáticos que pensem e reflictam adequadamente as suas decisões. Porque melhor do que aparecer num ano, para nunca mais dar sinal de vida, é optar por não ir a um mercado para o qual se não está preparado, dando azo à criação de uma imagem de inconstância e de inconsistência. Que prejudica a imagem externa do país e das empresas exportadoras no seu conjunto.
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As empresas experimentam muitas vezes enorme frustração com o governo quando este não lhes proporciona uma assistência qualificada, motivada e capaz nos países para onde procuram exportar. A falta de visão, de dedicação, de integração local e de uma rede de relações qualificada por parte dos agentes locais de apoio à exportação levam a uma baixa procura dos seus serviços e constituem um desincentivo à entrada nesses mesmos mercados. Que só a muita persistência por parte de empresários e gestores permite ultrapassar.

Wednesday, June 25, 2008

25-06-2008 Que Estratégias?

Quanto à sua relação com os mercados asiáticos, Portugal só se pode queixar de si próprio. Porquê um ritmo de crescimento tão lento?
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A incapacidade de Portugal para se relacionar eficazmente com as economias asiáticas não é um problema recente. Nem é, apenas, uma dificuldade menos bem resolvida pelo Estado. O facto é que nem as entidades públicas nem os líderes privados acertaram no ‘mix’ de políticas e de estratégias para que Portugal se tivesse transformado num parceiro relevante nas Ásias.
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Empresas portuguesas estão presentes em países asiáticos. A questão mais relevante não respeita, pois, à viabilidade da entrada nos mercados. A questão fundamental tem a ver com o reduzido número de empresas portuguesas que avançou para os países asiáticos. O que explica tão insignificantes volumes de importação de Portugal, tão reduzidas quotas de mercado detidas pelos produtos portugueses em cada um dos países asiáticos? Porquê um ritmo de crescimento tão lento?
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Segundo os dados do Ministério do Comércio chinês, em 2007 a China importou 956 mil milhões de dólares americanos. Destes, 111 mil milhões de dólares couberam à UE. A China apenas importou mercadorias no valor de 385 milhões de dólares de Portugal. O que representa, apenas, 0,0004 das importações da China em 2007. Uma insignificância. E nem chega a 0,5% do total das importações da China com origem na UE. Da Dinamarca e da Irlanda a China importou cinco vezes mais do que de Portugal. E, da Finlândia, dez vezes mais. Mais revelador é que, no ano passado, a China tenha importado da República Checa mais do dobro do que importou de Portugal. As importações da China com origem na UE cresceram 22,4%, entre 2006 e 2007. Neste mesmo período as importações oriundas da República Checa deram um salto de 60.8%. Mas as que tiveram origem em Portugal apenas aumentaram 8,7%. E nos quatro primeiros meses de 2008 as importações da China, com origem em Portugal, caíram 37,9%, quando as do conjunto da UE cresceram 25,4%, as da República Checa aumentaram 35,8%, as da Irlanda 38% e as da Dinamarca 60%. Alarmante!
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Fraco desempenho é igualmente demonstrado por Portugal no Japão. Segundo o Ministério das Finanças do Japão, dos 7,7 mil milhões de ienes importados da UE, no ano de 2007, apenas couberam a Portugal uns escassos 20 milhões de ienes. Isto é, 0,26 % do volume de importações da UE e, apenas, um terço do importado da República Checa pela nação nipónica. As importações do Japão com origem na República Checa ultrapassaram as de Portugal no ano 2000 e, em 2005, já as duplicavam. Em 2007, o Japão importou da Dinamarca doze vezes mais que de Portugal e, da Irlanda, 24 vezes mais. Desconcertante!.
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Débil é também a penetração dos produtos portugueses na Coreia do Sul. De acordo com as estatísticas da Coreia do Sul, esta importou de Portugal apenas 202 milhões de dólares em 2007, o que corresponde a 0,00057 do total das suas importações e a 0,0042 do total das suas importações da Europa. Da República Checa importou, no ano passado, 369 milhões de dólares, da Dinamarca 702 milhões de dólares e da Irlanda 835 milhões de dólares. A agravar esta situação está o facto de as importações da Coreia do Sul com origem em Portugal, entre Janeiro e Maio de 2007, terem alcançado 131,7 milhões de dólares e, em igual período de 2008, se terem ficado pelos 33,5 milhões de dólares.
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Quanto à sua relação com os mercados asiáticos, Portugal só se pode queixar de si próprio. O governo, a oposição, os líderes das associações empresariais, os empresários, os directores de marketing das empresas só podem acusar-se a si próprios. Porque os países europeus com os quais Portugal se compara estão sujeitos aos mesmos constrangimentos. Estão sujeitos à mesma sobrevalorização do euro. Têm o mesmo problema da língua e das diferenças culturais. Os seus bons resultados deveriam servir de referência. As suas estratégias deveriam servir de exemplo. Eles não precisaram da protecção da UE para vingarem em terras do Oriente. As suas iniciativas, os seus acordos, as suas parcerias, as suas redes, as suas estratégias e tácticas, as suas relações pessoais e institucionais enraizaram-se e deram frutos.
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Portugal está anémico. Que o sol de verão lhe traga a energia que necessita para encontrar as melhores estratégias para vencer nas Ásias.

Wednesday, June 11, 2008

11-06-2008 Desporto e Diplomacia

Trazer o futebol de Portugal à Ásia, ajudaria a rasgar auto-estradas de entendimento entre os povos e os seus líderes.
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2008 será o ano dos mercados emergentes. Mas a mudança de padrão em curso leva a crer que a Ásia será cada vez mais o motor do crescimento económico mundial.
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Será, pois, incompreensível que Portugal não atribua uma fortíssima prioridade às suas relações bilaterais com os países asiáticos. Será ilógico que Portugal não desenvolva estratégias bem fundamentadas e que não tome iniciativas com impacto decisivo em relação a cada um dos países asiáticos. De modo a garantir, já em 2008, uma eficaz e determinada aproximação política, cultural e económica. De modo a assegurar a Portugal uma participação decisiva nos seus processos de desenvolvimento e um incremento excepcional no volume das importações destes países. Estão em causa não apenas as relações com a China, mas também com a Índia, o Japão, a Coreia do Sul, Singapura, Malásia, Indonésia, Tailândia e, mesmo, com o Vietname.
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A distância e a barreira da língua podem explicar a actual timidez lusitana. Porque tímida continua a ser a comunicação com os governos asiáticos, a comunicação com as organizações empresariais asiáticas, com as empresas asiáticas, com as instituições científicas asiáticas, com a actual expressão artística dos povos asiáticos.
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O calor que Portugal põe nas suas relações com os dirigentes sul-americanos e africanos contrasta com o insuficiente empenhamento e, nalguns casos, com a sobranceria moral que exibe nas relações com dirigentes asiáticos. Uma mal disfarçada desconfiança que o cidadão comum asiático atribue ao facto de Portugal ainda ser “o país mais tradicionalista da Europa”.
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Existe um verdadeiro problema na atitude dos portugueses face aos asiáticos que dificulta a comunicação a todos os níveis. É que é preciso tratar os asiáticos como eles gostam de ser tratados. E não tratá-los como nós gostaríamos de ser tratados. O que implica conhecer e valorizar as suas expectativas, os seus valores, as suas maneiras de pensar, as suas preferências, os seus hábitos, a sua maneira de negociar, a sua cultura vivida.
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Um traço cultural comum à China dos dias de hoje, como ao sudeste asiático, em particular a Singapura e à Malásia, é a consideração dada ao futebol como desporto rei e à Liga Inglesa como a referência. Portugal é, também, conhecido e admirado nestas paragens pelos seus mais destacados futebolistas. Os media asiáticos não falam da economia portuguesa. Nem falam dos políticos portugueses. Mas falam do futebol português. E escrevem sobre Cristiano Ronaldo, Deco, Ricardo Carvalho, Figo e Mourinho. Conhecem até os clubes portugueses mais importantes. Antes mesmo do início do Euro 2008, Portugal era já vaticinado, no Straits Times de Singapura, como o mais provável vencedor.
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De igual modo não surpreende que, como forma de expandir rapidamente a importação de vinhos portugueses no seu país, o presidente de uma poderosa associação de ‘Food & Beverage’ da China tenha sugerido a realização de uma campanha publicitária baseada num anúncio em que Cristiano Ronaldo emprestaria a sua influência persuasiva afirmando cândidamente: “eu prefiro vinho português”.
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Trazer o futebol de Portugal à Ásia, com os seus mais destacados protagonistas, ajudaria a rasgar autoestradas de entendimento entre os povos e os seus líderes e a alterar a imagem de Portugal. O desporto está em condições de prestar um serviço à diplomacia e à diplomacia económica portuguesa. Distintos desportistas poderiam ser convidados a desempenhar a função de “Goodwill Ambassador” abrindo caminho a outras venturas.
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Não é demais recordar o papel do desporto na aproximação entre a China e os EUA. Em Abril de 1971 o governo chinês convidou a visitar a China uma equipa americana de ‘ping-pong’ que disputava no Japão o 31º Campeonato do Mundo de Ténis de Mesa. A diplomacia do ‘ping-pong’, como então foi denominada, transformou-se num excelente instrumento para iniciar a normalização das relações entre os dois Estados que vieram a ganhar um ímpeto e profundidade nunca então imagináveis.
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Portugal tem as suas relações normalizadas com os países asiáticos. Mas são frouxas, sem ímpeto.
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Mais trabalho a Oriente!

Wednesday, May 28, 2008

28-05-2008 DE SINGAPURA A GUANGZHOU

A expansão das exportações portuguesas na China parece ter pouco a ganhar com a mera participação em feiras.
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Nada mais convincente que entrar pela China adentro. Até na resposta ao terramoto de Wenchuan se confirma que há uma nova China. Que encerra um mundo ilimitado de oportunidades para as empresas portuguesas. Mas a expansão das exportações portuguesas na China parece ter pouco a ganhar com a mera participação em feiras. Na China, o caminho mais directo nem sempre é o caminho mais certo.
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Algumas dezenas de empresas portuguesas têm já assegurada a sua presença na China. Grandes grupos mas também PME. Para estas, em particular, uma penetração rápida na China deverá ser feita com o suporte, ou em parceria, com empresas ocidentais, há muito aqui instaladas, ou com empresas asiáticas cujos gestores conhecem a língua e dominam as regras do jogo. E que desenvolveram ao longo dos últimos dez anos relações pessoais, profissionais e empresariais, isto é, o guanxi.
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Singapura tem as melhores condições para funcionar como facilitador das iniciativas portuguesas na China. Porque em muitas províncias da China operam, há vários anos, milhares das suas empresas, apoiadas numa larga rede consular. Porque tem desempenhado, para a China moderna, o papel de modelo de referência de desenvolvimento industrial, de desenvolvimento urbano e de políticas sociais. Porque tem investido fortemente nas suas zonas económicas especiais e nos seus parques industriais cujo conceito ajudou a desenvolver. Porque tem investido largamente no desenvolvimento de centros comerciais e da sua habitação social. Porque tem contribuído para o seu desenvolvimento científico. Porque tem ajudado à formação dos dirigentes da administração pública chinesa. Porque tem relações pessoais muitíssimo cordiais com os seus dirigentes máximos e tem apoiado a transformação gradual das políticas internas e da política externa da China. E porque tem contribuído para um melhor entendimento da China pelas nações ocidentais. Chegar à China de braço dado com uma empresa da cidade-estado equivale a ter passadeira vermelha.
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Foi, assim, que nestes últimos dias se multiplicaram contactos intensos com umas poucas dezenas de líderes empresariais e institucionais de Guangzhou. Se discutiram projectos de investimento na China e em Portugal. Se identificaram oportunidades de exportação de produtos portugueses para a China e de produtos chineses para Portugal, Brasil, Angola ou Moçambique. Com apresentações em ‘powerpoint’, claro, mas também com muitos almoços e jantares em largas mesas-redondas. Sem evitar a passagem obrigatória pelo ‘karaoke’ e as extraordinárias estórias de sucesso empresarial que Deng Xiaoping fez o favor de permitir aos cidadãos da China. Em nove anos o senhor Chen (não sendo este o seu verdadeiro nome), ex-’chauffeur’ dum empresário de Guangzhou, construiu um pequeno império cujo valor actual ascende a 500 milhões de dólares americanos. Tudo começou com uma oportunidade que o seu ex-patrão lhe proporcionou. Chen, homem simples de quarenta e dois anos, ofereceu no passado fim-de-semana uma estadia num ‘resort’ na montanha aos quarenta colaboradores dos escritórios da sua empresa.
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Muito mais se poderia ter alcançado caso tivessem sido aproveitadas as oportunidades oferecidas de estabelecimento de relações entre universidades de Guangzhou e universidades portuguesas. Ou tivessem sido encetadas conversações promovendo o desenvolvimento do turismo de Guangdong em Portugal. Ficou provado que é muito eficaz chegar à China a partir de Singapura. Provavelmente mais eficaz que viajar directamente via Frankfurt, Amesterdão ou Londres.
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O modelo de internacionalização de empresas portuguesas passa pela inovação no ‘modus faciendi’ e pelo envolvimento de agentes facilitadores localizados na região.
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Mercê dos múltiplos acordos celebrados entre os governos asiáticos, as empresas na Ásia tendem a privilegiar as redes de empresas que actuam numa multiplicidade de países do continente asiático e que promovem sinergias entre si, acelerando os movimentos de trocas.
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E a diplomacia económica, por sua vez, precisa de reinventar-se para se adaptar às circunstâncias específicas dos mercados.

Tuesday, May 13, 2008

14-05-2008 Habitação e Exportação

O sistema de segurança social de Singapura, gerido pelo ‘Central Provident Fund’, é de capitalização. O sucesso está à vista.
Vai o Plano Estratégico de Habitação a discussão pública. Pedra basilar das políticas sociais, este debate oferece uma oportunidade para reflectir o que outras nações desenvolveram e os resultados internos e externos que alcançaram.
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Após a independência, Singapura teve de enfrentar o problema de falta de habitação. Através do ‘Housing and Development Act’ de 1960 foi criado o ‘Housing and Development Board’ (HDB) com planos quinquenais para construir habitação social de baixo custo. Um primeiro plano levou à construção, entre 1960 e 1965, de mais de 54 mil habitações para alugar a membros dos estratos de mais baixos rendimentos, com rendas subsidiadas.
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Porém, em 1968, o governo alterou a sua política a fim de fazer participar na riqueza nacional os cidadãos e os imigrantes e de os incentivar a um maior empenhamento na construção do país. Passou, então, a permitir a compra dos apartamentos pelos inquilinos. Esta compra assumiu, desde esta data, a natureza de um ‘leasing’ em que o título de propriedade tinha um período de validade de 99 anos.
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Mas, mais importante, é que permitiu, aos cidadãos de Singapura, utilizar até 80% das suas contribuições para a Segurança Social para pagar parcialmente o valor dos seus apartamentos, evitando assim que tivessem de utilizar parte do seu salário para esse efeito. A parte remanescente, não coberta por esta componente, poderia ser coberta por um empréstimo do HDB, e os pagamentos mensais poderiam ser pagos, também eles, a partir das contribuições para a Segurança Social. Em anos mais recentes a banca comercial passou a competir com o HDB na oferta de empréstimos desta natureza. Importa clarificar que o sistema de segurança social de Singapura, gerido pelo ‘Central Provident Fund’, é de capitalização.
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O sucesso desta política está à vista. No início dos anos sessenta havia 10% da população abrangida. Actualmente está mais de 80% da população coberta por habitação “social”. Isto é, cerca de três milhões. Os apartamentos do HDB, de 3, 4, 5 assoalhadas ou executivos, construídos em ‘outsourcing’ sob orientação duma vasta organização com mais de 4.500 colaboradores, não se assemelham de modo algum à habitação social britânica ou australiana. Equiparam-se à norueguesa.
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Os edifícios de apartamentos são enquadrados por jardins, com equipamentos desportivos, espaços de convívio e centros comunitários, com bibliotecas de elevada qualidade, e áreas comerciais. Dispõem de parques de estacionamento verticais. E têm manutenção permanente que se assemelha à dos condomínios privados. Para além de programas de requalificação estrutural, de sete em sete anos são objecto de obras gerais com renovação de todas as pinturas exteriores.
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O modelo de habitação social de Singapura encontra-se em expansão em diversos países, nomeadamente na China, onde será necessário construir quatro milhões e meio de apartamentos por ano durante as duas próximas décadas. HDBCorp International Pte Ltd (HCI) está já a construir em Chenggdu. Singapura assinou recentemente um acordo com a China para a construção de uma eco-cidade em Tianjin, baseada no modelo inovador de sustentabilidade de Punggol. O fundo soberano de Singapura GIC criou uma ‘joint venture’ com o HDB e a Wuthelam para, nos próximos anos, investir 75 milhões de dólares na construção de apartamentos na China, tirando partido da experiência adquirida em planeamento e desenvolvimento de cidades.
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O caso apresentado sugere que novas formas de financiamento para a aquisição de habitação possam ser consideradas, nomeadamente para as gerações mais jovens, com base nas contribuições para a Segurança Social. Tal corresponde a uma partilha da responsabilidade da gestão das contribuições entre o Estado e o contribuinte. A segunda proposta é que se faça o aproveitamento do cabedal de experiência do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, das suas estratégias, dos seus modelos de negócio, das suas metodologias, das suas políticas e procedimentos, dos seus ‘standards’, das suas competências e dos seus profissionais para potenciarem oportunidades de exportação de serviços em articulação com as empresas de construção civil portuguesas.
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Na Ásia, claro!
http://www.hdb.gov.sg

Tuesday, April 29, 2008

30-04-2008 Ritmos

A percepção que se tem, aqui na Ásia, é que Portugal não converge com a União Europeia no aproveitamento das oportunidades.

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1117780.html

Portugal não se preparou bem para a globalização e tem que mudar de rumo. “Depressa e bem!”, afirmou recentemente Teodora Cardoso na Associação Comercial e Industrial de Coimbra. Se há um problema de rumo em Portugal, há sobretudo falta de ritmo e de constância. E do que lhe está subjacente, isto é, a ausência duma séria preparação para a internacionalização por parte das empresas, das associações empresariais e das estruturas públicas relevantes, nomeadamente no que respeita às Ásias.
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A Índia terá tido um crescimento de 8,7% no ano fiscal que terminou a 31 de Março de 2008. A China, apesar da perda relativa de competitividade devido aos aumentos dos salários e matérias-primas, cresceu 10,6% no primeiro trimestre de 2008. Quando comparadas com as de outros países europeus, as exportações portuguesas para estes e outros países asiáticos continuam a ser insignificantes.
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O que impede as empresas portuguesas de tirarem partido do crescimento da China, da Índia, do Sudeste Asiático ou da Coreia do Sul? Em 2007, quantas empresas portuguesas avaliaram, de forma sistemática, a viabilidade da sua expansão nas Ásias? E quantas estão a fazê-lo em 2008? Dezenas? Centenas? A que fileiras ou ‘clusters’ pertencem? Que preparação, sistematização e empenhamento revelam as associações empresariais em relação às Ásias? Que planos estratégicos e quantas acções têm programadas, para 2008, em relação à China (Hong Kong, Macau e Taiwan incluídos), ao Japão, à Coreia do Sul, à Índia ou aos mais dinâmicos países do Sudeste Asiático, como Singapura, Malásia e Vietname?
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E que estratégias, que programas de apoio e que iniciativas têm as embaixadas portuguesas e as estruturas da AICEP na Ásia para apoiarem estas empresas, em cada um destes mercados, para o ano de 2008. Onde estão divulgadas? Alguma estrutura assegura a coordenação da informação sobre as iniciativas portuguesas nas Ásias? Como as divulga? Seria benéfico que, em articulação com os actuais ou futuros portais das embaixadas a que reportam, cada uma das representações da AICEP na Ásia tivesse o seu portal a que as empresas portuguesas pudessem fàcilmente aceder. As empresas ganhariam se tivessem acesso a um curto mas objectivo relatório de progresso trimestral da expansão empresarial portuguesa nas Ásias.
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E o Parlamento português, através das suas comissões, poderia assumir maiores responsabilidades na monitorização do avanço das relações económicas, políticas e culturais de Portugal com os países asiáticos.
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A percepção que se tem, aqui na Ásia, é que Portugal não converge com a União Europeia no aproveitamento das oportunidades.
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A Food & Hotel Asia 2008 (FHA2008), que acaba de se realizar em Singapura, ilustra bem um caso de oportunidade perdida. Que se lamenta. Tanto mais quanto se trata, porventura, da maior feira do sector alimentar e hoteleiro da Ásia, com mais de 3000 expositores e quarenta pavilhões. As empresas da União Europeia estiveram fortemente representadas, dominando claramente as do eixo mediterrânico. A Itália apresentou 178 empresas, a França 69, a Espanha 56 e Chipre 22 (mesmo a Turquia participou com 21 empresas). Portugal esteve presente através de duas empresas (a Fiamma e a ICEL) que já haviam participado na FHA2006. Mais de cinco meses passados desde a abertura do Centro de Negócios da AICEP, em Singapura, não foram suficientes para que este mobilizasse empresas portuguesas na apresentação das suas marcas e dos seus produtos aos 30.000 profissionais do continente asiático que visitaram a Feira. O panorama não foi melhor no que respeita à participação nos múltiplos concursos que tiveram lugar, nomeadamente no Wine & Spirits Asia Challenge. Portugal teve 30 prémios na competição que se realizou durante a FHA2004. E teve 47 prémios na FHA2006. Na FHA2008 ficou-se por uma medalha de prata, atribuída à Adega Cooperativa de Borba. A sustentabilidade perdida. Contrastando, o Brasil teve pavilhão próprio e fez questão de mostrar os seus vinhos.
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Portugal não deve perder de vista que, mau grado a actual crise económica mundial, os países asiáticos continuarão a crescer de forma expressiva e sustentada. É mais do que tempo para Portugal acelerar a reconquista duma posição económica nas Ásias.

Monday, April 21, 2008

21-04-2008 Líderes

A Administração Pública deve ser dirigida por uma elite de reconhecido mérito, com qualidades de liderança, dinamismo e proactividade.
A Administração Pública existe para promover o interesse público, reforçar a sociedade civil e a justiça social e pôr em prática as estratégias e políticas do governo em exercício. Existe para ajudar a liderança política do país a identificar problemas e tendências, a elaborar análises que fundamentem futuras decisões políticas e a formular políticas que favorecem o sucesso do país. Deve ser dirigida por uma elite de reconhecido mérito, com elevadas qualidades de liderança, dinamismo, proactividade, imaginação e inovação, visão ampla e de longo prazo, competência técnica, sentido da realidade, sensibilidade político-social, capacidade para analisar e resolver problemas de elevada complexidade, capacidade de decisão, de comunicação e de delegação. Profissionais com caracter, motivação e empenhamento. Cidadãs e cidadãos de primeira classe, intelectualmente superiores.
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Para garantir o desenvolvimento de uma liderança no sector público o Estado deve recrutar os melhores, formá-los, pô-los constantemente à prova e pagar-lhes adequadamente em função do seu efectivo nível de desempenho. Deve recrutar os futuros administradores públicos entre os melhores graduados dos melhores departamentos universitários de cada ano, financiar as suas pós graduações nas melhores escolas mundiais com contrapartida da prestação de serviço público por um número determinado de anos. Submetendo-os a desafios constantes e crescentes. E garantindo a sua independência. Há que garantir um elevado grau de continuidade e estabilidade na liderança da Administração Pública.
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Altos quadros da Administração Pública, com a sua liderança, asseguram o prestígio e a eficácia do Estado. Naquela que passa por ser uma das melhores administrações públicas do Mundo, a de Singapura, Philip Yeo é um alto quadro público a destacar, a quem a política nunca seduziu. Nascido em 1946, estudou na Universidade de Toronto e Harvard com bolsas de estudo dos governos canadianos e norte-americano. Integrou-se na Administração Pública em 1970. Em 1979, era já director geral do Ministério da Defesa. Em 1981 foi nomeado ‘Chairman’ do ‘National Computer Board’. Em cinco anos informatizou integralmente dez ministérios, com cem milhões de dólares, sem consultores externos e com uma equipa de jovens graduados em TIC. Aquando da recessão de 1986 foi nomeado ‘Chairman’ do ‘Economic Development Board’ (equivalente à ex-API). Entre 1986-2000 atraíu investimento no valor de 70 mil milhões de dólares, que geraram 230.000 postos de trabalho, nos sectores químico, aerospacial e dos semicondutores. Em cinco anos desenvolveu a petroquímica na Jurong Island, atraindo sessenta companhias e vinte mil milhões de dólares. Entre 1994 e 1999 foi ‘Chairman’ da SemCorp. Em 2001, como ‘Chairman’ do ‘National Science and Technology Board’ (actualmente A*STAR), desenvolveu a indústria biomédica, atraiu talento internacional, desenvolveu recursos nacionais, criou diversos institutos de investigação biomédica e construiu a ‘Biopolis’. O ‘output’ das ciências biomédicas alcançou dezoito mil milhões de dólares em 2005. Por onde passou, Philip Yeo investiu nas pessoas e apostou em formar centenas de quadros com bolsas de pós graduação. Na A*STAR existem mais de 600 PhD ‘scholars’ com bolsas de 1500 euros. ‘Postdocs’ recebem 3500 euros.
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O sector público tem de ser competitivo com o sector privado. Os salários de políticos e líderes da administração pública, em Singapura, são determinados pelos critérios explicitados num ‘White Paper’ denominado ‘Competitive Salaries for Competent and Honest Government: Benchmarks for Ministers and Senior Public Officers’. O ‘benchmark’ para directores gerais séniores é definido por correspondência a 2/3 da mediana do rendimento dos oito contribuintes mais bem remunerados pertencentes a seis profissões.Um director geral sénior ganhava, em 2007, cerca de 800.000 euros Jovens directores ficavam-se pelos 190.000 euros.
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Portugal deve preocupar-se com o futuro da sua Administração Pública, com o recrutamento, o desenvolvimento e a retenção de altos quadros de reconhecido mérito na Administração Pública, nos institutos públicos e nas empresas públicas. A tal obriga o interesse público.

Wednesday, April 2, 2008

2-04-2008 Governação Dinâmica

Não basta a liderança dos governantes, faz falta desenvolver capacidades nas organizações públicas para resolver problemas.
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As forças do mercado são a pedra de toque duma economia eficiente. Mas o desempenho económico do país é fortemente determinado pela qualidade da governação e das instituições públicas que apoiam o mercado. O deficiente funcionamento das instituições do sector público é um efectivo constrangimento ao crescimento. Daniel Kaufman, director da ‘Global Governance’ do Banco Mundial, considera que os países que melhoram a eficácia da sua governação, no longo prazo, triplicam o nível de vida da sua população em termos de rendimento per capita. O que falta então em Portugal para alcançar este desiderato?

Bastará adoptar “boas práticas” de governação? Num ambiente de mudança permanente, não basta. Porque há boas práticas que simplesmente se tornaram disfuncionais e deixaram de ser as melhores direcções para o futuro.

O Estado para ser relevante e eficaz tem de ser dinâmico, hoje, mais do que nunca. A governação exige adaptação dinâmica e mudança inovadora. Não apenas ao nível do Governo e da Assembleia da República mas também ao nível do conjunto das instituições públicas. Necessário que se publique legislação inovadora. Mas é insuficiente. Quer a incipiência de uma cultura institucional de apoio à mudança quer a razoável ausência de capacidades organizacionais proactivas na administração pública constituem os mais poderosos obstáculos a um sistema de governação dinâmica. Não basta a liderança dos governantes, o seu esforço e carisma.
Faz falta desenvolver capacidades nas organizações públicas para resolver problemas. Faz falta uma boa capacidade de gestão da mudança. Faz falta uma generalização maciça da aprendizagem contínua no Estado que leve à compreensão dos acontecimentos globais e regionais que afectam e afectarão Portugal. Faz falta mais abertura para adaptar o conhecimento global às especificidades do país.

O sistema de governação precisa de se fundar num conjunto de valores e crenças partilhadas por todos os seus agentes. Ancorado numa cultura de integridade e incorruptibilidade. Focalizado nas pessoas e nos seus méritos e fazendo o melhor uso dos seus talentos. Racional, pragmático, orientado para os resultados. Eficiente, usando os mercados mas intervindo sempre que a equidade social fica em risco.

‘Think ahead’, ‘think again’, ‘think across’ são capacidades cognitivas essenciais a uma governação dinâmica que precisam de ser adquiridas e internalizadas nas estruturas e processos do Estado.

‘Thinking ahead’. Preparar o futuro. Consiste em dar conta das mudanças no ambiente físico, económico, social, antecipar os problemas, compreender o seu impacto futuro no país e pôr em prática políticas que permitam à população lidar eficazmente com as ameaças. Mas tirando também partido das oportunidades que possam surgir. Nos domínios da globalização económica, da segurança energética, das alterações climáticas, do ensino superior e da investigação, ou mesmo da escalada de preços nos produtos alimentares.

‘Thinking again’. Melhorar o desempenho. Boas políticas e programas que funcionaram bem no passado desactualizaram-se. É preciso pensar de novo sobre a sua relevância e em que medida respondem às necessidades da sociedade ou carecem de ser revistas a fim de alcançarem objectivos fundamentais. Os terrenos sensíveis da organização e das práticas da diplomacia oferecem matéria para reflexão.

‘Thinking across’. A economia baseada no conhecimento assenta numa constante recolha de informação, na investigação de ideias e de práticas úteis que se possam adaptar ao país. É tempo de atravessar todo o tipo de fronteiras e aprender com os outros. E incorporar essas percepções, reflexões e conhecimentos nas nossas crenças, políticas e estruturas. Tal como os países nórdicos, alguns países asiáticos são excelentes fontes de inspiração.

Os principais ‘drivers’ do desenvolvimento destas capacidades de governação dinâmica são profissionais competentes que lideram as instituições que concebem e põem em prática políticas públicas e que agilizam os processos de renovação e de mudança organizacional do Estado.

Haja clarividência para melhorar os critérios de recrutamento, selecção e compensação de administradores da coisa pública.

Wednesday, March 19, 2008

19-03-2008 Os Sete Pilares

A Ásia vive uma era de crescimento imparável que lhe permitirá a retoma da posição de supremacia do passado.
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A emergência recente de atitudes defensivas, em relação à China e a outros países asiáticos, faz lembrar o que se passou no século passado em relação ao Japão. Sucederam-se restrições proteccionistas a que o Japão respondeu com maciço investimento na Europa Ocidental. A Europa terá, hoje, mais a ganhar com um forte empenhamento diplomático e económico na Ásia, para alcançar um maior nível de interdependência, do que com medidas proteccionistas.
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A China, bem como outros países asiáticos, estão em condições de investir fortemente nas economias ocidentais. A Ásia vive uma era de crescimento imparável que lhe permitirá a retoma da posição de supremacia do passado. Nos anos 1000 DC, quando a Europa Ocidental não ía além dos 9%, a Ásia tinha 70% do PIB global. Só a partir da Revolução Industrial é que o Ocidente passou a deter uma parcela mais significativa da riqueza mundial. Tudo leva a crer que, em 2050, a China, a Índia e o Japão virão a estar entre as quatro mais importantes economias mundiais.
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Esta nova realidade é atribuída por Kishore Mahbubani (ver nota) ao facto de estes países estarem a assimilar rapidamente, e com sucesso, os sete pilares da “sabedoria ocidental”: pragmatismo, economia de mercado, educação, ciência e tecnologia, meritocracia, supremacia da lei e cultura da paz.
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Pragmatismo. O Japão adoptou soluções ocidentais. Singapura seguiu-lhe o exemplo. Deng Xiaoping visitou, em Novembro de 1978, as cidades de Banguecoque, Kuala Lumpur e Singapura. Impressionado com o que viu, recomendou ao PCC a economia de mercado. São suas as palavras: “enriquecer é uma glória”, “desenvolvimento lento é o mesmo que estar parado”.
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Economia de Mercado. Seguindo o exemplo do Japão e dos quatro tigres asiáticos, Deng Xiaoping introduziu, em 1978, o seu programa de modernização dando à província chinesa de Shenzhen o estatuto de ‘Special Economic Zone’. Entre 1980 e 2004, Shenzhen cresceu em média 28% ao ano. Em 2005, já com 11 milhões de habitantes, as suas exportações alcançaram os 102 mil milhões de dólares.
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Educação. Esta é a nova dependência dos asiáticos. Em 2005/06 estudaram em universidades americanas 76.503 indianos, 62.582 chineses, 59.847 coreanos, 38.712 japoneses. A maioria volta aos seus países. O ‘brain drain’ deu lugar ao ‘brain gain’. A Ásia possui algumas das melhores universidades do Mundo. As universidades americanas empenham-se cada vez mais em parcerias com universidades asiáticas.
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Ciência e tecnologia. Entre 1995 e 2005 a China duplicou a percentagem do PIB em I&D, de 0,6 para 1,3%. Em 2004 a China aprovou 30.000 doutorados e formou 200.000 engenheiros. Há previsões que apontam para que, em 2010, 90% dos doutorados em ‘hard sciences’ e engenheiros vivam na Ásia. O centro de gravidade da inovação está a passar do Ocidente para o Oriente. Muitos dos 750 centros de I&D de multinacionais na China são dirigidos por cientistas chineses retornados.
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Meritocracia. A mentalidade feudal e o princípio da antiguidade cederam lugar ao valor das qualificações. Zhu Rongji liderou a reforma do PCC aplicando o princípio do mérito no recrutamento dos dirigentes.
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Supremacia da Lei. Na tradição asiática o Estado e os governantes estavam acima da lei. A adopção na Ásia da ‘rule of law’ não decorre de imperativos éticos mas pragmáticos. Uma economia de mercado exige um sistema judicial independente. A China, como a Índia e muitos países asiáticos, tem, ainda, algum caminho a percorrer. Mas há consenso que uma sociedade e uma economia moderna pressupõem a supremacia da lei.
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Cultura da Paz. A Ásia valoriza a paz que permitiu a prosperidade aos países ocidentais após a II Grande Guerra. E reconhece que o poder duma nação se radica na dimensão da sua economia. A Ásia adoptou a paz, a cooperação e a diplomacia como meios de expressão política. A Ásia tem hoje a diplomacia mais activa do mundo e a ASEAN é disso a melhor expressão.
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Em vez de jogar à defesa, a Europa precisa de capitalizar a posição de referência e de a transformar em oportunidades ao nível económico, científico e tecnológico. A Europa precisa de continuar a encarar a Ásia de forma optimista, positiva e pro-activa para continuar a ser um seu parceiro.
Nota: Kishore Mahbubani, The New Asian Hemisphere, NY, Public Affairs, 2008

Wednesday, March 5, 2008

05-03-2008 ADB: Contribuir e Beneficiar

O Asian Development Bank, sediado em Manila, foi criado em 1966 por 31 países. Tem hoje 67 membros, 48 da Ásia e Pacífico.
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Portugal explora pouco as oportunidades que o Asian Development Bank (ADB) – http://www. adb.org/Consulting/dacon.asp – pode proporcionar às empresas e aos consultores portugueses no curto, médio e longo prazo.
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O crescimento esperado de 7,8%, em 2008, para as nações em desenvolvimento da Ásia-Pacífico reforça a necessidade de as entidades públicas e privadas portuguesas se mobilizarem no sentido de captar projectos do ADB. Deste modo as empresas poderão posicionar-se no seio de novos mercados locais, contribuindo ao mesmo tempo para o desenvolvimento económico da Ásia. Extraindo, daí, benefícios directos e indirectos.
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O ADB, sediado em Manila, foi criado em 1966 por 31 países. Tem hoje 67 membros, 48 dos quais da Ásia e Pacífico. Mas só 42 são países “clientes”. A eles se destinam as actividades do banco.
Entre os 19 membros exteriores à região incluem-se os EUA, o Canadá e dezasseis países europeus. Portugal aderiu ao ADB em 2002. A Irlanda só o fez em 2006.
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Todos os países membros são accionistas do Banco. Mas os países ocidentais e o Japão contribuem para o ‘Asian Development Fund’ e para o ‘Technical Assistance Special Fund’.
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O elevadìssimo nível de ajuda que flui através do ADB é evidenciado pelo rácio do valor das aquisições de bens e serviços com origem nos países “clientes”, decorrentes dos projectos do Banco, sobre as suas contribuições para os fundos do ADB, que é de 28,22. No caso da China o rácio é de 44,63.
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Por sua vez o rácio aquisições de bens e serviços com origem nos países “doadores” sobre as suas contribuições para os fundos do ADB fica-se pelos 0,96. O que traduz um quase equilíbrio entre as suas contribuições financeiras e o fornecimento de bens e serviços aos países “clientes”. Mas o rácio da Suiça, de 2,39, é bem mais favorável. Tal como o é o da Itália (2,09), ou do Reino Unido (1,70). Em flagrante contraste encontra-se Portugal. O rácio contribuições sobre aquisições de bens e serviços em Portugal não vai além dos 0,02. Mesmo o rácio da Irlanda se situa nos 0,15. Um indicador adicional da imensa distância a que Portugal se veio a colocar face aos destinos da Ásia. Em Portugal parece perdurar ainda uma mentalidade pós-colonial. Longe de partilhar uma visão global.
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Mas onde se encontram as oportunidades?
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O banco concede empréstimos, presta assistência técnica, aconselha e fornece informação aos países “clientes”. Em 2007, aprovou empréstimos para desenvolver 82 programas que ultrapassaram os dez mil milhões de dólares. Entre os países que mais acederam a estes contam-se o Paquistão, o Vietname, a Índia, a China, a Indonésia e o Bangladesh. O ADB aprovou, também, projectos de assistência técnica de mais de 240 milhões de dólares. E distribuiu subsídios no montante de 673 milhões para apoiar a preparação e implementação de projectos, prestar aconselhamento e apoiar actividades regionais.Os países “clientes” são responsáveis pela aquisição dos bens e pela contratação das obras. Acima de um milhão de dólares todos os fornecimentos e projectos obrigam a um ‘international competitive bidding’ (ICB). Porém, nenhuma empresa ou consórcio português concorreu a qualquer ICB em 2005, 2006 ou 2007.
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Foram adquiridos bens e obras públicas a empresas portuguesas para projectos do ADB, nos anos de 2005 e 2006, no valor de 1,6 milhões de dólares. Contra 14,3 milhões à Dinamarca, 18,5 milhões à Finlândia, 41,8 milhões à Áustria e 63,9 milhões à Bélgica.
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O ADB é responsável pela aquisição dos serviços de assistência técnica. Nos anos de 2005 e 2006 Portugal forneceu, à assistência técnica do ADB, consultoria no valor de 190.000 dólares. Contra 22,1 milhões da Dinamarca e 22,1 milhões da Finlândia.
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A ‘joint venture’ dinamarquesa Carl Bro, Ema Unihorn, Sai, Louis Berger ganhou nos últimos anos um contrato no valor de 11,3 milhões de dólares.
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De 2002 a 2006 colaboraram, em projectos do ADB, 23 consultores individuais dinamarqueses. Portugal está na 56ª posição no que respeita ao fornecimento de serviços de consultoria ao ADB.
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É evidente que empresas e consultores portugueses interessados se deviam inscrever no ADB. E deviam contar com muito mais iniciativa e apoio por parte das embaixadas, consulados e centros de negócio da AICEP na Ásia.

Tuesday, February 19, 2008

20-02-2008 Transformar-se ou Perder-se

Pela primeira vez na história recente, uma constipação na economia dos EUA não provocará uma gripe na Ásia.
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O confronto actual não se faz verdadeiramente entre o neoliberalismo e o socialismo. Faz-se entre os que consideram a globalização uma oportunidade política, económica e societal, e não um perigo. Faz-se entre os que advogam a participação positiva e eficaz no processo, os que antecipam as transformações necessárias, que as põem em prática em tempo útil e os que lhe resistem. Estes vão sendo arrastados penosamente na cauda do movimento de integração económica mundial. Recorde-se que Bill Clinton foi pró-globalização. E que a retórica populista e proteccionista que emerge actualmente nas eleições americanas responde, apenas, às necessidades do momento.
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A globalização é irreversível e não veio apenas desencadear alterações incrementais. Ela está, isso sim, a proporcionar um movimento de fundo que levará a “uma irresistível mudança de poder global para o Oriente”. São palavras do orador de Davos e director da Lee Kuan Yew School of Public Policy, de Singapura, Kishore Mahbubani, no lançamento da sua obra mais recente “The New Asian Hemisphere”. Onde anuncia o fim do “triunfalismo ocidental”. O Ocidente deixará de representar a “civilização universal”. O desafio está aí. Que os 12% da população mundial, que representam o Ocidente, queiram partilhar a tarefa de recriar uma nova civilização universal com a China, a ìndia, o Sudeste Asiático, o Médio Oriente, a América Latina e a África.
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A Ásia lidera com eficácia esta mudança e acode aos erros de gestão do Ocidente. O economista Larry Summers, 27º presidente da Harvard University, considera que, com o actual crescimento económico na Ásia, o nível de vida dos asiáticos poderá aumentar 10.000 por cento numa só geração. Centenas de milhões de seres humanos estão, em poucos anos, a libertar-se da pobreza devido à modernização da Ásia e à globalização. Muitos milhões de cérebros asiáticos, até há bem poucos anos subutilizados, lideram os projectos de inovação e de criatividade. Os fundos soberanos asiáticos amortecem a crise do crédito hipotecário de alto risco nos EUA e Europa. A convicção do ‘senior minister’ Lee Kuan Yew é que, pela primeira vez na história recente, uma constipação na economia dos EUA não provocará uma gripe na Ásia.
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É neste contexto que vale a pena questionar o argumento de que o ano 2008 não vai ser fácil em Portugal. Que não são de esperar grandes melhorias porque estas não dependem de nós. Esta desistência antecipada é o resultado da visão do mundo que se perfilha. Este sentimento de impotência é o travão psicológico que inibe Portugal de vencer onde outros sucedem.
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Foi possível a muitos países europeus terem enormes crescimentos das suas exportações para a China, em 2007. Portugal teve, aí, uma quebra significativa. De que dependeram esses países senão dos mesmos factores externos a que Portugal esteve exposto? Em 2007, a Noruega exportou para a China mais 33% que em 2006. A Dinamarca mais 35,5%. A Irlanda mais 44%. No ano que começou com a visita do primeiro-ministro Sócrates à China, Portugal exportou para aquele país menos 18% que em 2006. E, se se incluir Macau e Hong Kong, exportou menos 27%. Os exportadores portugueses tendem, de facto, a manter-se na sua ‘comfort zone’ exportando para os mercados culturalmente “próximos” que exigem um menor esforço de preparação. Portugal resiste à mudança, em vez de assumir deliberadamente o avanço para a Ásia.
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Portugal ocupa agora a 46ª posição, a nível mundial, no Índice de Confiança do Investimento Estrangeiro de 2007, caindo sete lugares face ao estudo elaborado em 2005, onde se posicionava no 39º lugar. E ocupa a 30ª posição no ‘Summary Innovation Index (SII)’ 2007. Mas mais grave, não só não pertence ao grupo dos ‘innovation leaders’, nem ao dos ‘innovation followers’, nem ao dos ‘moderate innovators’. Está nos grupos dos ‘catching up countries’, estimando o estudo que leve vinte anos até convergir com a média europeia.
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O Estado é um facilitador do desenvolvimento económico. Mas a chave do sucesso depende dos portugueses e das empresas portuguesas. Em que divisão, em que lugar, querem os portugueses e as empresas portuguesas jogar no campeonato mundial do desenvolvimento?
http://www.portugal-china.blogspot.com/

Tuesday, February 5, 2008

06-02-2008 Garantir a Integridade Pública

Portugal encontra-se na 28ª posição do índice de Percepção da Corrupção 2007, da Transparency International, a par da Estónia.
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Ninguém duvida que a corrupção tem efeitos negativos sobre o crescimento económico. Funciona como um desincentivo quer ao investimento nacional quer ao investimento estrangeiro. Pode distorcer a composição da despesa pública. Como pode contribuir para a falta de qualidade das infraestruturas do país. E para a falta de qualidade dos serviços públicos. E afectará, por certo, o volume de impostos. A pequena, a média e a grande corrupção grassa mais fàcilmente onde existe ineficiência institucional, aplicação “burocrática” da regulamentação, sistema judicial impotente e instabilidade política.
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Portugal vive sob normalidade política, é certo. Mas outras razões estão bem presentes, justificando que Portugal terá muito a ganhar com o desenvolvimento de um sistema nacional de integridade pública. Um sistema que se não reduza a uma mera instituição dedicada. Mas que penetre transversalmente toda a sociedade portuguesa. E que nela enraize uma cultura de integridade.
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Portugal encontra-se na 28ª posição do ìndice de Percepção da Corrupção 2007, da Transparency International. A par da Estónia. A Dinamarca ocupa a primeira posição, ‘ex aequo’ com a Finlândia e a Nova Zelândia. Imediatamente a seguir distingue-se Singapura. Que não está imune à corrupção. Mas que a combate de forma agressiva. Foram aí julgados 172 casos em 2004. Um episódio simples chega para revelar uma cultura de integridade pública. Na recente época natalícia uma empresa enviou uma garrafa de vinho de qualidade às chefias dum departamento governamental. Uma semana depois a empresa recebeu uma carta agradecendo a gentileza, mas referindo que a oferta seria enviada à sua direcção geral que seguiria os procedimentos constantes do Government Instructional Manual (GIM). A exposição em local público das ofertas, ou a entrega a instituições de caridade, estão ali prescritas.
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Para além da Prevention and Corruption Act, que criou o Corrupt Practices Investigation Bureau (http://www.cpib.gov.sg), e da Corruption, Drug Trafficking and other serious crimes Act, o sistema legal de prevenção e controle da corrupção de Singapura inclue um código de conduta para ministros, ‘guidelines’ sobre o envolvimento dos deputados em actividades empresariais, o já referido GIM para os funcionários públicos e o código de conduta e disciplina dos funcionários públicos.
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O sucesso de Singapura na luta anti-corrupção é atribuído à existência de leis anti-corrupção exigentes, que são postas em prática por entidades eficientes, céleres e independentes, que actuam com rapidez e em profundidade. Ao facto do país dispôr de uma liderança íntegra e com vontade política de erradicar tais práticas. Às características do funcionalismo público e ao ‘ethos’ de serviço por estes partilhado. Aos elevados salários dos líderes políticos e funcionários públicos que previnem as tentações. Mas, também, às medidas administrativas para aumentar a transparência e a previsibilidade dos contratos. E, ‘last but not the least’, à melhoria da eficácia e eficiência da acção governativa.
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É complexa a luta anti-corrupção porque ela assenta numa multiplicidade de pilares em que todos, e cada um, têm de contribuir para garantir a integridade do sistema: os partidos políticos, o sistema eleitoral, o parlamento, o executivo, a administração pública, o tribunal de contas, os tribunais, as polícias, as entidades anti-corrupção, os media, a sociedade civil e o sector empresarial. Cada uma destas componentes da sociedade deverá desenvolver, se não o fez ainda, instrumentos de ‘accountability’ e de garantia da integridade pública.
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Na aquisição de bens e serviços o Estado tem de encorajar a prática de concorrência aberta e justa. Singapura adoptou um sistema de ‘e-procurement’. Aquisições acima de 35.000 euros são obrigatòriamente sujeitas a concurso. Que pode ser aberto, selectivo ou limitado. O selectivo serve para pré qualificar os candidatos. Só em matéria de segurança nacional, de peça de arte ou inexistência de candidatos em anterior concurso aberto ou selectivo, pode o concurso limitar-se a um fornecedor.
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O desenvolvimento de Portugal requer mais integridade.

Wednesday, January 23, 2008

23-01-2007 'Standards' e crescimento económico

Se Portugal adoptasse as práticas dos países em desenvolvimento também cresceria ao mesmo ritmo. Mas será mesmo assim?

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1081146.html

“It is not the big that eat the small...It’s the fast that eat the slow” Laurence Haughton, 2001

Afirma-se, com alguma frequência, que os actuais problemas de crescimento dos países desenvolvidos e o desemprego têm causas exógenas. Que são de algum modo o resultado duma concorrência desleal por parte dos países em desenvolvimento, nomeadamente da China, da Índia e do Sudeste Asiático. Que a sua legislação laboral está longe dos ‘standards’ praticados pelos países desenvolvidos. Que aceitam o trabalho infantil. Que não asseguram nem o emprego nem a segurança e a saúde no trabalho. Que não têm salário mínimo.
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O argumento subjacente é simples: se Portugal adoptasse as mesmas práticas também cresceria ao mesmo ritmo.
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Utilizemos então, como teste, o caso de Singapura, onde não há salário mínimo, e que passou por graves problemas de desemprego nos anos 60 e 70, só resolvidos nos anos 80 através dum eficaz programa de industrialização orientada para a exportação. A sua taxa de crescimento foi de 7,5%, em 2007. A taxa de desemprego de 1,7%.
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‘Standards’: a primeira legislação de trabalho remonta a 1955 e 1957. Após a independência, e a fim de criar um clima industrial estável propício ao investimento estrangeiro, o governo consolidou diversa legislação através do “Employment Act” e do “Industrial Relations Act”, em 1968. O limite máximo de horas de trabalho semanal foi fixado nas 44 horas. Direitos e deveres dos trabalhadores ficaram aí regulados, nomeadamente os dias de descanso, férias e direito ao ‘bonus’ anual de um mês. O subsídio de desemprego passou a ser concedido a quem tivesse trabalhado pelo menos três anos.
O direito a uma pensão de reforma passou a ser concedido a quem tivesse trabalhado pelo menos cinco anos. Os acordos de contratação colectiva passaram a ter uma validade de três anos.
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Flexibilidade: esta lei foi revista em 1972, em 1984 e em 1988. Nesta última revisão foi introduzido o sistema de remuneração flexível com prémios variáveis em função do nível de desempenho. A transição da indústria de mão-de-obra intensiva para a indústria de alta tecnologia exigira adaptações. “The Employment Act” introduziu maior flexibilidade na utilização das 44 horas, garantindo o dia de descanso. Nos anos 90 a ênfase foi posta na tecnologia de informação. Nos últimos dez anos o país reorientou-se para uma economia baseada no conhecimento. A adaptação das empresas implicou despedimentos que são regulados ou pelos acordos colectivos ou pela legislação geral. A prática do “despedimento responsável” impõe à empresa que justifique junto do Ministério e dos sindicatos os motivos que o originaram. Os trabalhadores têm de ser notificados com 14 meses de antecedência se estavam há cinco ou mais anos na empresa.
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Apoio e formação: o Ministério e a empresa têm a responsabilidade de ajudar os trabalhadores a encontrarem trabalho noutras empresas. Em 2002 foram lançados os ‘skill redevelopment programmes’ e as feiras de trabalho.
Singapura legislou sobre matérias de segurança e saúde no trabalho, desde os anos 70, reforçando nos anos 90 com “The Factories Act” e, mais recentemente, com “The Workplace Safety and Health Act 2006”.
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Emprego sénior: desde Janeiro de 2006, o governo empenha-se na mudança de atitudes por parte dos empresários em relação ao emprego dos mais idosos, procurando expandir as oportunidades de emprego das pessoas com mais de 62 anos de idade (emprego que as empresas terão de garantir a partir de 2012), investindo no aumento das suas competências e apoiando o reforço da sua competitividade. A idade de reforma irá passar para os 67 anos. As contribuições por parte das empresas para a segurança social, relativas aos trabalhadores com mais de 55 anos foram substancialmente reduzidas.
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Nível salarial: o rendimento bruto médio mensal em 2006 (incuindo prémios e horas extra) foi de 3.554 dólares de Singapura (cerca de 1.770 euros), variando entre 6.291 dólares nos serviços financeiros e 1.381 na restauração.
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O que separa Portugal de Singapura não são os ‘standards’ da legislação laboral. É a necessidade de mais flexibilidade e apoio para facilitar a reestruturação da economia. Mas faltará sobretudo estratégia empresarial e arrojo.

Wednesday, January 9, 2008

09-01-2008 Mais turistas asiáticos

A ‘World Tourism Organisation’ prevê que, em 2010, haja 50 milhões de turistas chineses a viajar no estrangeiro.
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1075793.html

Nos próximos anos, Portugal vai querer captar investimento na Ásia e deseja promover os seus produtos e serviços na região mais populosa do mundo. Para alcançar esses objectivos há que fomentar uma maior reaproximação entre Portugal e os povos asiáticos. Há que facilitar um maior interconhecimento entre portugueses e asiáticos. Há que levá-los a conhecer as nossas vantagens competitivas, a diferenciação das nossas empresas, a qualidade dos nossos produtos. O reforço do comércio e do investimento implica sempre viagens de negócios. Incoerente é que se não promovam, desde já, as viagens a Portugal de turistas desses países e que se não pretenda conquistar nichos do mercado turístico da China, da Índia, do Sudeste Asiático ou, mesmo, dos países do Golfo.

O problema está, em primeiro lugar, no Plano Estratégico Nacional de Turismo, um importante documento orientador, que não valorizou adequadamente os actuais desenvolvimentos da Ásia e subestimou oportunidades para o turismo nacional. Decisões institucionais mais recentes reforçaram esta tendência. Salvou-se, e bem, o Japão que já leva mais de vinte anos de promoção.

Insistimos, aqui, que o mercado emissor da China requer acção por parte de Portugal. A partir de meados dos anos 80, o governo chinês começou a flexibilizar as saídas e negociou, com cerca de cem governos estrangeiros, a concessão de “Estatuto de Destino Aprovado” a países passíveis de serem visitados. Nos últimos 10 anos as viagens ao estrangeiro cresceram 700%. A “China National Tourism Administration” calcula terem saído do país, em 2007, cerca de 37 milhões de chineses. Destes, só 5% terão visitado a Europa. Menos de 2 milhões. A França registou 820.000 chegadas da China em 2006.

A “World Tourism Organisation” prevê que, em 2010, haja 50 milhões de chineses a viajar no estrangeiro. Em 2020, haverá 100 milhões de turistas chineses, isto é, mais do que 6% do volume global de turismo externo. Poderão ser, então, 5 milhões a visitar a Europa. Se a França, Itália, Reino Unido, e a Alemanha têm recolhido a preferência dos turistas chineses, outros países europeus começam a beneficiar deste movimento.

Existem dois segmentos de mercado: o primeiro, constituído por turistas que gostam de viajar em grandes grupos, que compram pacotes de baixo preço, gostam de ir às compras, visitar locais aprazíveis mas que mercê das condições oferecidas de alojamento, alimentação e transporte reclamam muito e guardam má imagem; o segundo grupo viaja em pequenos grupos de amigos, não tem preocupações de consumir mas de usufruir de alojamento e serviços de alta qualidade, com comforto superior ao que disfrutam no seu dia a dia. No passado mês de Novembro 2007, na “World Travel Market-China Contact Forum” em Londres, diversos oradores sugeriram que o marketing se focalize na elite rica e na classe média que gosta de sofisticação e que gasta na qualidade. A Suiça, as Seychelles, as ilhas Fiji já descobriram este nicho do mercado chinês. O “China Outbound Tourism Research Institute” (COTRI) atribui o “China Outbound Quality Label” para distinguir programas que incluem práticas desportivas (golfe, vela, cavalos), alojamento e serviço de alta qualidade.

Também a Ìndia requer iniciativas. A “Euromonitor International” estima um acréscimo de 132%, entre 2006 e 2011, no número de cidadãos da Índia a viajarem pelo estrangeiro. Neste último ano serão 16 milhões. Consequência do aumento do poder de compra. Em 2006, segundo a “IPK” Indian Travel Monitor, os indianos fizeram 8,6 milhões de viagens ao exterior; 7 a 10% das quais por indivíduos afluentes que gastaram 10.000 dólares americanos por pessoa e por viagem.

Finalmente, os países do Golfo Pérsico merecem uma outra atitude. A Alemanha recebeu mais de 85.000 turistas da região em 2005. Nesse ano a Alemanha abrira um ‘tourist office’ no Dubai. A Austria seguiu-lhe o caminho em 2007, promovendo os destinos austriacos na Arabia Saudita, nos EAU, no Kuwait e no Qatar. No “Arabian Travel Mart” de 2007 participaram, da Europa, a Alemanha, a França, o Reino Unido, a Irlanda, a Suiça, a Bulgária, o Chipre, a Croácia, e a República Checa.

De que estamos nós à espera?

Wednesday, December 26, 2007

26-12-2007 Para o Futuro

Com ‘deficits’ de liderança aos mais diversos níveis Portugal é uma sociedade tradicional que cristalizou num passado recente

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1071663.html

O que importa é ganhar o futuro. É este ímpeto que se vive no Sudeste Asiático onde, em 2007, o desempenho da economia superou as expectativas, suportado num sólido crescimento das exportações, do investimento e do consumo. As taxas de crescimento económico situar-se-ão, este ano, entre os 6 e os 9%, com excepção da Tailândia. O Ministro Lim acaba de desafiar a indústria de mobiliário de Singapura, responsável pelas exportações de 0,7 deste mercado mundial, a alcançar os 2% em 2015.
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É este ritmo que falta à Europa. É este vigor de mudança que falta, ainda, a Portugal. É esta força disciplinada que se não adivinha, ainda, na sociedade portuguesa. Porque Portugal é, ainda, uma sociedade tradicional que cristalizou num passado recente. Com ‘deficits’ de liderança aos mais diversos níveis. Com uma comunicação dominada mais pelas opiniões e atitudes críticas, típicas de adolescente, que pelas acções do adulto maduro e construtivo.
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Há, entre nós, uma pequena elite esclarecida que não só entendeu a profunda transformação por que passa a economia mundial como também começou a tomar decisões no sentido de levar Portugal a assumir uma posição avançada no seio das nações desenvolvidas. Localizam-se os seus membros entre actores do governo da Nação como em nichos da oposição democrática. Estão presentes na indústria como nos serviços e, até mesmo, nalguns sectores da universidade e dos centros de investigação. Mas esta elite está longe de ter influenciado a sociedade e a cultura portuguesa ao ponto de gerar a necessária transformação das mentalidades dominantes.
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As maiorias continuam a pensar, a sentir e a agir como se a sociedade portuguesa pudesse desenvolver-se de acordo com os parâmetros dos anos setenta. Ainda há alunos dos cursos de ciências e tecnologias universitários e de institutos politécnicos que podem terminar os seus cursos sem terem uma formação em empreendedorismo. Saem das escolas modelados, não para serem empresários, mas para serem empregados por conta de alguém, porventura, com menos formação académica.
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Portugal precisa, também, de anular um enorme ‘deficit’ de liderança transformacional. A mudança necessária exige liderança a todos os níveis e em todos os sectores da sociedade. Líderes com visão de futuro, capazes de inspirar e envolver outros cidadãos ou colegas de trabalho de todas as idades. Capazes de os apoiarem e de os ajudarem a desenvolver-se. Isto precisa de ser entendido pelos empresários que consideram que a mudança deve assentar apenas nas gerações com menos de quarenta anos de idade, deitando ao desbarato o capital de competências e de regeneração das gerações mais velhas essenciais para criar massa crítica ao processo de modernização.
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Portugal apresentou-se com uma nova imagem para o futuro. Ao conjunto de instrumentos desta promoção deverão estar associados objectivos a atingir. Singapura definiu, em 2005, que pretendia atingir, em 2015, os 17 milhões de turistas e receitas de turismo no valor de trinta mil milhões de dólares. Qual é o nosso ‘target’? Que mercados turísticos se incluem e se excluem?
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No início dos anos 80, questionou-se o então responsável pelo turismo, Nandin de Carvalho, pela irracionalidade de não existirem turistas em Portugal duma nação economicamente poderosa, o Japão. As suas iniciativas deram frutos que continuam a alimentar, ainda hoje, um fluxo constante de visitantes nipónicos.
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No protocolo assinado recentemente entre a AICEP e o Turismo de Portugal estão ausentes os países islâmicos, a China, a Índia e o Sudeste Asiático como mercados alvos. Qual a racionalidade económica desta decisão? O fluxo de turistas do mundo árabe em Portugal é irrisório. Merece a matéria reflexão e iniciativas. Estarão os responsaveis do turismo cientes que sem um programa de certificação de restaurantes em ‘halal food’ a probabilidade de atrair turistas islâmicos é muito diminuta? Há, também, que lançar um programa operacional para facilitar o desenvolvimento de uma rede nacional de restauração chinesa de qualidade que possa, também, servir a classe afluente chinesa que queira visitar o país.
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Bom Ano Novo, com uma taxa de crescimento económico de 4%, bem acima do esperado.

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Nota do autor:
Pedro Pita Barros escreve no DE de 18.4.2008
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1113419.html
Velhos são os trapos
Deitar fora o conhecimento dos “velhos”pode ser decisivo a longo prazo, para o crescimento das empresas e da economia.

Wednesday, December 12, 2007

12-12-2007 Aplacar o Dragão

O Ocidente, tem de integrar a promissora economia da China, tem de aprender a lidar com este ‘flying Dragon’.

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1067497.html

A China prossegue a escalada no crescimento das suas exportações. Continua a aumentar o ‘deficit’ comercial entre a UE27 e a China. Motivos mais que bastantes para que a Declaração Conjunta da 10ª Cimeira China-UE estabeleça que, até final de Março do próximo ano, se dê início ao Diálogo sobre Comércio e Relações Económicas, ao mais alto nível, entre a Comissão Europeia e o Conselho de Estado da China.
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Alguns resultados são de esperar deste modelo de abordagem político-administrativo bilateral. Mas a UE e os governos dos Estados- membros precisam de compreender melhor os objectivos, os valores e as expectativas dos múltiplos ‘stakeholders’ da RPC para tornarem as suas estratégias mais eficazes. Como deveriam tentar perceber qual o entendimento que as autoridades chinesas têm das causas do ‘deficit’ comercial. É que metade dos produtos que a China exporta têm origem em empresas ocidentais aí instaladas que tiram partido dos seus baixos salários.
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É certo que a China terá de fazer ajustamentos à medida que se transforma numa potência económica mundial. Mas o Mundo, e particularmente o Ocidente, tem de integrar a promissora economia da China, tem de aprender a lidar com este ‘flying Dragon’.
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Os estados membros da UE precisam, por um lado, de se envolver num ‘soft engagement’ com um número crescente de autoridades, não apenas a nível nacional, mas também a nível províncial e das principais cidades chinesas, multiplicando visitas, envolvendo-se em iniciativas e projectos que levem os responsaveis a perceber que existem interesses comuns de médio e longo prazo. É que não basta negociar com o poder central na China.
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Por outro lado, os agentes da mudança da China devem ser cumprimentados pelos sucessos alcançados nestes últimos vinte anos, a nível interno e externo, e não devem ser apenas criticados pelos efeitos indesejáveis que as suas transformações estão a produzir no Ocidente. A China tem contribuido para a paz e a estabilidade no mundo. O crescimento global da última década recebeu um forte contributo das sinergias geradas pela economia chinesa. Uma poderosa classe média emergiu na China ao mesmo tempo que se deu uma profunda melhoria nas competências da população. A infraestrutura, sobretudo nas regiões costeiras, alcançou níveis de qualidade elevada.
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As relações entre Singapura e a China, se têm especificidades que impedem generalizações, comportam ensinamentos que merecem reflexão. Em primeiro lugar, elas sempre foram pautadas por um enorme pragmatismo. Shee Poon Kim (ver nota) apelida as políticas de Singapura em relação à China como de ‘enlightened economic pragmatism’, procurando a República tirar partido das oportunidades económicas que a modernização da China pode proporcionar. No passado mês Singapura assinou um pacto para a criação duma ‘eco-city’ no norte da China.
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Em segundo lugar, a China precisa de conceitos e modelos para modernizar a sua economia e o seu sistema social e a República de Singapura tem alguns bons exemplos para oferecer. A China está a inspirar-se na gestão da economia de Singapura, das suas reservas financeiras, a aprender com a gestão dos seus portos, a reproduzir os seus programas de habitação social e de segurança social. A China aplicou no ‘China-Singapore Suzhou Industrial Park’ o modelo do Jurong Town Corporation de Singapura.
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Em terceiro lugar, Singapura abriu as portas às empresas da China. Mais de 2200 empresas chinesas estabeleceram-se em Singapura e 118 estão cotadas na ‘Singapore Exchange’. Milhares de empresas de Singapura estabeleceram-se na China fazendo de Singapura uma excelente porta de entrada na China.
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Finalmente, o progresso das relações entre estados depende também das relações pessoais entre líderes. Lee Kuan Yew, actual ministro mentor de Singapura, visitou dezassete vezes a China e conversou largamente com todos os líderes, inclusivé com aqueles que estão na linha de sucessão aos actuais detentores do poder em Pequim.
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Os bons exemplos copiam-se.
Nota: In Shee Poon Kim, “Singapore-China Special Economic Relations: in search of Business Opportunities, Ritsumeikan International Affairs, vol 3, 2005, pgs. 151-176”

Wednesday, November 28, 2007

28-11-2007 ‘Branding branding’

Por que não ser a economia portuguesa a beneficiar das mais-valias criadas com estratégias, de criatividade e marketing, mais eficazes?

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1062555.html

Que marcas de renome internacional? Foi com esta pergunta que, ao longo dos últimos meses, empresas de Singapura e Malásia responderam ao convite para participarem numa missão comercial do Sudeste Asiático e da China (Macau e Hong Kong incluídos) e que está neste momento a decorrer em Portugal, por iniciativa da AEP, nos sectores de vinhos e têxteis lar.

Qual deve ser a posição das empresas portuguesas face às marcas? Produzir com qualidade e eficiência para as marcas internacionais ou criar e promover as suas marcas próprias e extrair as consequentes mais valias. Eis matéria, ao que parece, ainda controversa no Portugal do século XXI. Tema que faz despoletar percepções bem distintas do que é ou não prioritário para as indústrias dirigidas ao consumo quotidiano. Posturas assumidas que não são alheias ao posicionamento que se detém no processo económico. Os que controlam quaisquer das quinhentas marcas actualmente existentes, e que geram cerca de duzentos mil milhões de dólares anualmente, disfrutando de crescimentos particularmente significativos nos mercados emergentes da China, Índia, Rússia e Sudeste Asiático, não estarão particularmente interessados em incentivar a entrada de novas marcas destinadas à classe média e aos novos ricos que têm acesso aos meios de comunicação social, às tendências da moda e ao turismo global. Preferem que quem produz o faça com qualidade e que lhes permita apropriar-se da parte mais lucrativa do ciclo de vida dos produtos. É, nem mais nem menos, a competição global pela conquista dos rendimentos disponíveis.

Mas porque não ser a economia portuguesa a beneficiar das mais valias criadas, gerindo preventiva e gradualmente a transição para uma economia baseada em ‘clusters’ de criatividade e de estratégias de marketing eficaz, compensando os impactes negativos com políticas mais agressivas de reestruturação e de reorientação deliberada e explícita do mercado da formação?

Uma significativa maioria dos produtos têxteis lar à venda em Singapura são produzidos na China, na Malásia, no Vietname. Muitas das empresas presentes com os seus promotores nas ‘corner shops’ dos sofisticados ‘department stores’, como o Takashimaya, Robinson, Tang, Isetan, ou Metro, produzem directamente naqueles países. Actuam com base em empresas de marketing local para promover as suas marcas italianas ou francesas e para abastecerem o mercado com estratégias de ‘just in time’. Recorrem a ‘designers’ internacionais ou locais para a concepção de novos produtos de qualidade. Eles próprios exportam para o resto do mundo. As que importam de países ocidentais fazem-no para tirarem partido da atractividade das marcas globais bem estabelecidas. Algumas das quais produzem mesmo na região alguns dos seus produtos.

Os melhores produtos portugueses só têm interesse para os mercados asiáticos desde que tenham qualidade superior e uma marca europeia identificavel e valorizada socialmente a nível local. O que implica dar a conhecê-la, torná-la saliente, promovê-la em parceria com os importadores e distribuidores locais. Para os consumidores asiáticos estes produtos têm que satisfazer as necessidades simbólicas de diferenciação social e não só satisfazer necessidades funcionais. E têm que ter um ‘packaging’ muito atraente, mesmo sedutor.

Os importadores e distribuidores querem ter acesso a catálogos de excelente qualidade gráfica que os ajudem a fazer opções. Mesmo que existam possibilidades de aceder a muitos outros produtos neles não incluídos. Precisam de conhecer o perfil de marketing da empresa, de examinar os seus conceitos estéticos. Querem ‘websites’ de acesso muito fácil e rápido, intuitivos, criativos, dinâmicos, com impacto visual imediato.As empresas portuguesas têm pois de investir na concepção e arquitectura das suas marcas, no desenvolvimento dos canais e dos sistemas de informação das marcas, na exploração estratégica e táctica das mensagens externas e internas, recorrendo a programas de comunicação para os colaboradores das empresas e com programas de aculturação das marcas, com gestão das mesmas através de ‘guidelines’ e utilização de recursos internos das empresas. Depressa e bem.

Wednesday, November 14, 2007

14-11-2007 Reforçar as relações UE-ASEAN

É fácil identicarmos países da UE que ainda olham para a Ásia com uma distância psicológica inimaginável.
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http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1057249.html

Sob muitos pontos de vista a Europa ainda tem uma política do século XX para uma Ásia do século XXI. A afirmação é do Comissário Europeu Peter Mandelson. Mas é difícil dela discordar. E se passarmos do nível regional para o nacional, é fácil identicarmos países da UE que ainda olham para a Ásia com uma distância psicológica inimaginável, fruto dum completo desconhecimento do mundo de esperança que vai crescendo na China, na Índia, no Vietname, na Malásia ou em Singapura. Maior aproximação entre os dois continentes é absolutamente indispensável para garantir a paz, a estabilidade e o desenvolvimento.
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A ASEAN justifica um lugar mais destacado na agenda da política exerna da UE. Os interesses estratégicos da UE e da ASEAN estão de tal forma interligados que exigem uma intensificação destas relações. Uma nova parceria transregional é o que se espera da UE e da ASEAN, ao celebrarem, este mês, o trigésimo aniversário das suas relações. Uma parceria mais dinâmica, mais abrangente, reforçando as trocas comerciais e o investimento. Uma cooperação mais aprofundada, nomeadamente ao nível dos processos de integração regional. Mas, também, o exercício concertado da liderança na prossecução de transformações globais, em particular, na redução do aquecimento global.
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A ASEAN foi criada em 1967 em Banguecoque. A ela pertencem dez países do Sudeste Asiático e cerca de 560 milhões de habitantes. A formalização das relações entre a CEE e a ASEAN data de 1977, muito embora a sua institucionalização só tenha tido lugar durante o segundo Encontro Ministerial UE-ASEAN, em Kuala Lumpur, em Março de 1980. O Acordo de Cooperação CE-ASEAN assumiu o compromisso de se apoiarem mùtuamente na criação e reforço de organizações regionais empenhadas no crescimento económico, no progresso social e no desenvolvimento cultural, procurando deste modo introduzir mais equilíbrio nas relações internacionais.
A UE e a ASEAN têm partilhado importantes prioridades multilaterais, nomeadamente a segurança global, a não proliferação das armas nucleares, a reforma da ONU, uma globalização equilibarada, a resposta a catástrofes naturais, o combate ao crime transnacional e ao terrorismo, a imigração ilegal, a prevenção e o combate às pandemias. Mais recentemente, também as alterações climáticas, a energia e o comércio internacional.

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A cooperação actual entre a UE e a ASEAN desenvolve-se através de múltiplos instrumentos em que importaria activar a participação portuguesa. O APRIS, é o projecto UE-ASEAN de apoio à integração regional. Na esfera ambiental está activo o ‘ASEAN Centre for Biodiversity’ e o ‘EC-ASEAN Energy Facility Program’. No campo académico a cooperação está enquadrada pelo ‘ASEAN-EU University Network Program’. Em 1997 foi criado o ‘ASEAN-EU Partenariat’ para promover a cooperação entre PME. Outros mecanismos activos, além do já referido ‘ASEAN-EU Ministerial Meeting’, são a ‘Post-Ministerial Conference’, o ‘ASEAN Regional Forum’, o ‘ASEAN-EU Senior Officials Meeting’ e o ‘Joint Cooperation Committee’.

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A ASEAN encoraja o acesso dos membros da UE ao Tratado de Amizade e Cooperação (TAC). Na Declaração de Nuremberga, de Março deste ano, a UE exprimiu a intenção de aceder ao TAC. A França havia sido o primeiro país europeu a subscrever o Tratado, em Janeiro deste ano. E Portugal, cujos laços históricos com a região são tão profundos, ficaria bem se lhe seguisse o exemplo caso o processo a nível da UE venha a ser adiado.

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É de salientar a enorme importância que terá para o desenvolvimento do comércio e investimento, entre estas duas regiões do mundo, o estabelecimento de um Acordo de Livre Comércio entre a UE e a ASEAN. A Europa atrasou-se em relação aos EUA, ao Japão, à China, à Coreia do Sul e à EFTA.
Finalmente, Portugal tem uma oportunidade ímpar para relançar a sua imagem no Sudeste Asiático, já que o primeiro-ministro Sócrates liderará o Conselho Europeu e Barroso está à frente da Comissão Europeia, aquando do ‘ASEAN-EU Commemorative Summit’ que terá lugar em Singapura no próximo dia 22 de Novembro de 2007. Segundo informação local, o primeiro-ministro Sócrates inaugurará, após a Cimeira, o ‘Business Center’ da AICEP em Singapura.

Wednesday, October 31, 2007

31-10-2007 Força Europa

A Europa vai ter um novo tratado. Mas o risco de prolongar a crise institucional da Europa não está totalmente ultrapassado.

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1052269.html

Estão de parabéns os líderes políticos dos países membros da UE, o Governo português e a Comissão Europeia. A Europa vai ter um novo tratado. Mas o risco de prolongar a crise institucional da Europa não está totalmente ultrapassado. Nem está garantido o caminho para a inversão do declínio da Europa.O debate político focaliza-se, agora, na forma de consulta nacional. Atente-se, porém, num recente comentário do director de Estudos do Royal United Services Institute for Defense Studies de Londres, Jonathan Eyal, publicado no “Straits Times” de Singapura: enquanto se discutem as instituições europeias, relegam-se para segundo plano “as questões que verdadeiramente interessam, nomeadamente a situação económica do continente”. A UE representava 27% do PIB mundial quando foi criada. Hoje não vai além dos 18%, com tendência para diminuir. Há cinquenta anos as quatro principais nações europeias controlavam um quinto da riqueza mundial. Hoje não ultrapassam os 13% e já foram ultrapassadas pela China.
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É na Ásia que a Europa deverá encontrar a fonte de sustentabilidade, compensando deste modo as fragilidades da economia americana. A Europa deve poder e ser capaz de tirar partido das enormes oportunidades que ali emergem, nomeadamente ao nível do crescimento da procura interna de bens, serviços e capital. Prioridades devem ser a China e a Índia mas também o Sudeste Asiático. A dimensão dos mercados e o seu potencial de crescimento, para além doutros factores, oferecem oportunidades de negócio difíceis de igualar. Existem, actualmente, na China meio milhão de empresas oriundas de 170 países. Entre os associados do US-China Business Council, 81% referiram que as suas empresas na China eram lucrativas. As trocas comerciais entre a China e a UE excederam, em 2006, os 250 mil milhões de euros.

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Amizades à parte, os EUA são os principais concorrentes da Europa na Ásia. Os países membros da UE precisam de actuar de forma mais concertada. A Europa precisa de novas iniciativas que, nos mais importantes países asiáticos, ajudem as empresas a alcançarem os seus objectivos estratégicos em áreas funcionais específicas. Na China, redes europeias público-privadas de consultadoria devem poder oferecer às empresas da UE apoio na selecção da estratégia de entrada, ao nível das operações de produção, do ‘marketing’, da gestão financeira, da gestão de recursos humanos, da negociação, da gestão de alianças, da protecção da propriedade intelectual e da prática do ‘guanxi’.
Mais de 1.800 programas de investigação chineses estão abertos à participação europeia através dum acordo firmado entre a UE e a China. A sua gestão passa pelas universidades chinesas, mas também pelas comissões de ciência e tecnologia existentes em cada uma das regiões e nas principais cidades da China. É claro que se deve aprofundar esta colaboração ao nível científico e tecnológico com a China.

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Nota: Não foi a primeira mostra de produtos portugueses em Singapura. Mas foi, sem dúvida, a mais digna e diferenciada presença de Portugal na República. De 25 a 27 de Outubro, teve lugar na Singapore EXPO a Wine for Ásia 2007. Lideradas pela AEP, e com o apoio da AICEP, seis empresas (Vallegre, Saven, Quinta da Aveleda, Joopy, Herdade da Calada, e F. Trigueiros) representaram mais de vinte produtores portugueses. Cerca de vinte medalhas de ouro, prata e bronze foram atribuídas aos vinhos portugueses pelo júri do ‘Wine Style Asia Award 2007’ presidido por John Chua, além das muitas menções honrosas. O Pavilhão de Portugal, concebido e executado por uma das mais prestigiadas empresas asiáticas, ombreou em impacto visual e qualidade com os pavilhões da Austrália, França, Espanha e Nova Zelândia. Uma vez mais, Singapura provou ser uma ‘trade hub’, tantos foram os importadores e distribuidores da China, Taiwan, Hong Kong, Macau, Coreia, Vietname, Tailândia, Malásia, Indonésia e Índia que encetaram conversações com as representações portuguesas. Fazendo jus aos elevados padrões de Singapura, a ‘Wine for Asia 2007’ foi considerada pelos expositores portugueses como tendo a melhor organização de todas as Feiras de Vinhos em que até hoje participaram, incluindo as europeias.

Wednesday, October 17, 2007

17-10-2007 Riqueza e Responsabilidade

Com a riqueza criada podem satisfazer-se as necessidades da população, aumentar o emprego e erradicar a pobreza.

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1046851.html

A primeira responsabilidade de uma sociedade consiste em criar e acumular riqueza. Com a riqueza criada podem satisfazer-se as necessidades da população, aumentar o emprego e erradicar a pobreza. Mas enquanto na China ou em Singapura a riqueza e a prosperidade são os mais poderosos factores de mobilização colectiva e individual, a mentalidade dominante em Portugal continua a bloquear o desejo de fortuna. Os portugueses estão decisivamente a precisar de muito mais ambição. Para transformarem as suas vidas e a sua nação.
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Em Portugal a riqueza é considerada um mal. Os que a alcançam são olhados de soslaio. Algumas interpretações da tradição judaico-cristã influenciaram sobremaneira o modo como se consideram os bens materiais. Um extracto do Novo Testamento serviu para cristalizar esta mentalidade: “em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus”. Assim, todos os que criam riqueza são vistos como feridos de indignidade. Os empresários são, a esta luz, condenados. Em contraponto, o Estado, qual agente distribuidor da riqueza por outros criada, emerge como a fonte de toda a bondade. O problema não está na criação da riqueza. Está na forma como ela é utilizada pelos que tiveram a ousadia e a capacidade de a criar.

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As transformações que têm lugar no actual momento da vida económica mundial obrigam a uma rápida reconstrução destas nossas mentalidades. Numa economia cada vez mais dominada pelo desenvolvimento da China e da Índia torna-se imperioso que os portugueses tenham uma visão clara do que querem que seja o seu futuro económico e do que querem que seja o seu lugar na economia global. E que construam laboriosa e sistematicamente esse posicionamento diferenciado. Os portugueses têm de se assumir mais como criadores e não como meros consumidores dos produtos e dos projectos alheios. Têm de ser mais curiosos, de organizar melhor, de trabalhar melhor, de conceber mais, de inovar mais. Os portugueses precisam de ter mais desejo de criar novas empresas de sucesso para reproduzir noutros pontos de Portugal e expandir pelo mundo. Devem querer assumir riscos. Devem ambicionar tornar-se empresários ricos, fruto de boas estratégias de gestão e através do desenvolvimento de empresas de grande qualidade na sua organização, nos serviços prestados, nos bens produzidos e no bem estar dos seus colaboradores. Sem precisarem de recorrer ao pagamento de salários indignos ou ao abuso do trabalho de estagiários sem remuneração.

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Os portugueses devem admirar e valorizar os que enriqueceram honestamente. No país e no estrangeiro. Devem querer aprender com os seus sucessos e insucessos. Em contrapartida, a sociedade deve esperar dos cidadãos afluentes contributos significativos que levem à criação de melhores condições de enriquecimento colectivo e à resolução de problemas das populações. Portugal deve poder esperar dos empresários mais bem sucedidos contributos significativos para o desenvolvimento do ensino e da investigação aplicada, fontes primordiais do crescimento económico e do desenvolvimento global.
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António Champalimaud deixou a sua marca em Portugal e no mundo, com a sua extraordinária doação de 500 milhões de euros para a criação duma Fundação dedicada à investigação científica. Cidadãos afluentes de Singapura têm, igualmente, demonstrado uma evidente postura ética. A Lee Foundation, do banqueiro e ‘Rubber and Pineapple King’, Lee Kong Chian, ofereceu 50 milhões de dólares para a criação da Singapore Management University e 60 milhões de dólares para a criação da Singapore National Library. Wong Kwok Leong, e sua mulher, doaram um milhão de dólares para o Wong Kwok Leong Endowed Scholarship, a fim de apoiarem alunos da Singapore Management University. A família do banqueiro e industrial de hotelaria Khoo Teck Puat contribuiu com 80 milhões de dólares para o desenvolvimento da investigação biomédica na Duke-National University of Singapore Graduate Medical School e, ainda, com 125 milhões de dólares para a construção dum hospital de 550 camas no distrito de Yishun em Singapura. Este é o modelo de cidadãos ricos e socialmente responsáveis.

Wednesday, October 3, 2007

03-10-2007 Atrair Investimentos

É chegada a hora de, em Portugal, as câmaras municipais apresentarem o seu plano estratégico para os próximos dez anos.

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1042231.html

É altura das principais cidades do país estabelecerem metas, cada vez mais exigentes, em relação ao seu contributo para o PIB nacional e para o emprego. À semelhança do que se passa a Ocidente e a Oriente, é chegada a hora de, em Portugal, as câmaras municipais apresentarem a sua visão estratégica e o seu plano estratégico para os próximos dez e vinte e cinco anos, enquadrando os seus projectos de desenvolvimento concretos de curto e médio prazo. E de se mobilizarem em ‘road shows’ na captação internacional de recursos em articulação com a AICEP. É tempo da abordagem ‘top down’ ser fortemente complementada pela abordagem ‘bottom up’. Um movimento em que emerjam em ‘networking’, num esforço conjugado com as câmaras municipais e as associações empresariais, os projectos dos empresários articulados em ‘clusters’ locais e regionais dedicados à exportação. A experiência neo zelandesa continua a ser, a este propósito, uma excelente referência que importaria avaliar e reproduzir.
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Exemplos não faltam. Na Ásia assiste-se a um forte e redobrado impulso renovador e desenvolvimentista que não é alheio à necessidade de responder ao desafio posto pela explosão económica da China e da Índia. E que leva governadores de regiões e presidentes de câmara a dedicarem-se cada vez mais ao desenvolvimento económico estratégico. As cidades e as regiões, a par das grandes empresas e das agências nacionais, estão pois no terreno pela captação de investimento estrangeiro. Em consequência, a competição internacional pelo financiamento de projectos, quer por parte de países desenvolvidos quer dos países em desenvolvimento, está cada vez mais agressiva exigindo um ‘marketing’ dos projectos altamente diferenciado.

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As cidades japonesas de Sendai, Kanagawa, Shizuoka, Osaka, Hiroshima e Fukuoka apresentaram recentemente, em Singapura, o seu plano estratégico e os seus projectos de desenvolvimento na expectativa de interessarem os investidores locais e internacionais. Representantes de Ho Chi Minh, de outras cidades e províncias do Vietname, já o tinham feito dias antes. E, não muito depois, ali iria Rafidah Aziz, a enérgica ministra do Comércio e Indústria da Malásia. Para apresentar a 2000 participantes os incentivos específicos ao investimento estrangeiro em cada um dos sectores económicos prioritários do seu país (1). Apoiando, ao mesmo tempo, a apresentação de projectos de desenvolvimento regional ambiciosos quer por parte do Chief Minister de Malaca quer pela iniciativa Iskandar Development Region (2), do estado de Johor.

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Ganha-se em perceber que na Ásia a atracção do investimento estrangeiro usa as mais diversificadas estratégias ‘win-win’. A CapitaLand de Singapura constrói e gere mais uma centena de centros comerciais na China, na Índia, no Japão e no Vietname. Integrar um dos seus dezasseis centros comerciais de Singapura abre a porta à entrada nos seus congéneres em outras tantas capitais asiáticas. Assim Singapura ganha, ganham os países onde investe, ganham as empresas estrangeiras que oferecem os seus produtos numa alargada rede multinacional.

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Ganha-se em perceber que na Ásia se conquistam mercados a partir da participação em projectos de desenvolvimento locais. Na China, as autoridades regionais, distritais ou locais facilitam tanto mais as importações quanto mais empenhada estiver a empresa estrangeira em investir localmente, na criação duma unidade local ou duma ‘joint venture’, na aquisição de fábricas ou de terrenos. Um alerta para os exportadores portugueses que se focalizam na mera procura de agentes importadores e distribuidores para os seus produtos.

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Finalmente, as zonas económicas especiais, os parques industriais e os parques de ciência e tecnologia integram as estratégias de atracção de investimento estrangeiro. No actual contexto de globalização as iniciativas nacionais devem ser aferidas pelas melhores práticas internacionais porque os investidores não deixam de comparar alternativas. Valerá a pena fazer o ‘benchmarking’ com as experiências similares na Ásia, nomeadamente ao nível dos incentivos, da organização e dos serviços proporcionados. Há aí muito a aprender.

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1) MIDA, Malaysia Investment in the Manufacturing Sector, Policies, Incentives and Facilities, 2007, 156 páginas. Consultar http://www.mida.gov.my/2)
http://www.iskandar.com.my/

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Notas do Autor
"A AIMinho realizou, entre os passados dias 06 e 09 de Abril (2008), uma missão de reconhecimento a Tampere, na Finlândia, desenvolvida no âmbito do Estudo para o Ordenamento do Território Empresarial do Minho, um dos mais recentes projectos da associação.
[16-04-2008] [ Associação Industrial do Minho ]
Esta missão teve como principal objectivo estudar a história e trajectória de desenvolvimento de Tampere, uma cidade que tem vindo a crescer em média 5% desde o ano 2000, graças à reestruturação económica regional empreendida com base numa estratégia de inovação assente em clusters de proximidade.
2.
Cidades do Douro fazem aliança para o QREN
DN 25.05.2008, JOSÉ CARDOSO

A grande cidade do Douro nasceu esta semana em Peso da Régua, com a assinatura do protocolo de cooperação urbana que une as três cidades durienses: Vila Real, Régua e Lamego. Os três municípios, que formam agora a "Douro Alliance - Eixo Urbano do Douro", distam 30 quilómetros, estão ligados pela A24 e neles residem 100 mil pessoas, das quais 67 mil habitam nas zonas urbanas.
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O projecto da nova cidade conta com a parceria da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, das associações comerciais e industriais de Vila Real e Peso da Régua e associações empresariais de Lamego e Vila Real. Além de estabelecer os objectivos do projecto, o protocolo assinado pelas três autarquias prevê a institucionalização da "Douro Alliance".
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Na primeira fase, o Gabinete Técnico do Eixo irá articular em rede as potencialidades dos três concelhos e elaborar os projectos que serão alvo de candidaturas ao Cidade Polis XXI, no âmbito do Programa Operacional Regional, que contará com os fundos comunitários do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN 2007-2013). A primeira acção da "Douro Alliance" está marcada para 5 de Junho , na Aula Magna da UTAD, onde decorrerá o "I Fórum da Cidadania: Cidade do Douro, Cidade do Mundo".
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Manuel Martins, presidente da câmara de Vila Real e um dos impulsionadores do projecto, disse ao DN que a proposta de criar um eixo urbano entre as três cidades surgiu no início dos anos 90 por intermédio do então ministro do Planeamento e Ordenamento do Território, Valente de Oliveira. " A ideia falhou por diversas razões. As acessibilidades na altura eram complicadas e a estrutura muito pesada".
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O território envolvente às cidades de Vila Real, Régua e Lamego, "vai beneficiar com o sucesso do projecto, que permitirá corrigir desequilíbrios, potenciar a fixação de massa crítica e combater a desertificação", sublinhou Manuel Martins. A sede da "Douro Alliance" ficará na Alameda de Grasse, em Vila Real.

Wednesday, September 19, 2007

19-09-2007 “Representative Office”

Nos mercados asiáticos, a criação de um ‘Representative Office’ é, sem dúvida, uma opção a considerar

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1037146.html

A internacionalização duma empresa é um processo complexo e arriscado, sobretudo para as PME. Não basta ter um projecto, com produtos ou serviços diferenciados e de excepcional qualidade, para ser capaz de o exportar com sucesso para diversos mercados.

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Múltiplos factores condicionam os resultados e, por consequência, a decisão de se internacionalizar obriga a sopesar argumentos favoráveis e desfavoráveis. Os conhecimentos e as competências exigidas ultrapassam em muito os requisitos dos mercados internos. Só algumas empresas estão em condições de dar um salto organizacional que se repercutirá ao nível da sua ‘corporate governance’. Há que aplicar as técnicas de marketing mais avançadas utilizadas, agora, em todos os cantos do mundo, do ocidente a oriente. Há que explorar as mais diversas formas de apoio a nascente e a jusante. E há que decidir qual a melhor estratégia de entrada. Nos mercados asiáticos, a criação de um ‘Representative Office’ é, sem dúvida, uma opção a considerar.

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As características, os conhecimentos e as competências dos empresários, a sua visão empresarial e o seu espírito empreendedor são factores cruciais na internacionalização. Mas a extensão e o ritmo de internacionalização, o aumento da dependência das empresas em relação aos mercados externos e a sua capacidade para criar vantagens competitivas, estão profundamente dependentes de factores ambientais externos no país de origem e nos de chegada, de factores organizacionais internos, como as características da equipa de gestão, a diferenciação dos recursos humanos, a capacidade financeira, as características da própria empresa, e de factores estratégicos, nomeadamente das estratégias de entrada nos mercados. Estas podem assumir múltiplas formas, desde a nomeação de agentes, importadores e distribuidores, à criação de uma sucursal, de uma empresa subsidiária, à constituição de uma ‘joint venture’, à aquisição de uma empresa local, ou à criação de uma empresa de raiz. As PPP permitem, ainda, outro tipo de soluções.

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A escolha da melhor estratégia de entrada não é fácil, nomeadamente porque ela deve assentar em conhecimentos sobre os mercados locais e o ambiente legal e institucional, que a empresa não dispõe à partida. Há, por outro lado, que reconhecer que os mercados são cada vez mais ‘networks of relationships’ entre empresas, entre empresários, entre gestores, e não apenas fluxos de mercadorias e serviços. E, por isso, requerem a presença no terreno de recursos humanos qualificados com elevada mobilidade que penetrem a todo o tempo o campo das oportunidades.

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Ora países asiáticos, como o Japão, o Vietname ou Singapura, legislaram condições favoráveis para a instalação de uma solução incremental: o “representative office’. Esta modalidade pode ser utilizada por organizações que pretendam vir a instalar-se no país ou que pretendam criar uma ‘hub’ regional.

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Destinam-se estes escritórios a permitir que as empresas avaliem a viabilidade do seu negócio nestes mercados, antes de fazerem investimentos, e que realizem actividades preparatórias para a sua instalação futura. Podem desenvolver contactos, recolher informações, levar a cabo estudos de mercado e campanhas publicitárias, dar informações a distribuidores, comunicar preços e condições de venda, identificar oportunidades de negócio. Mas não podem fazer vendas, realizar contratos, fazer consultoria remunerada, fazer ‘transshipment’ de produtos, negociar cartas de crédito. Não têm de possuir contabilidade organizada nem de manter registos. Estão isentas de impostos, apenas se lhes exigindo que assegurem o pagamento de IRS relativamente ao pessoal ao serviço e de contribuições para a segurança social. Podem permanecer com este estatuto por vários anos. O representante deverá ter um visto (‘pass holder’), ou ter o estatuto de ‘permanent resident’ ou ser cidadão nacional. Se o escritório resolver instalar-se definitivamente no país deverá posteriormente proceder à sua legalização como empresa.

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Do futuro ‘Business Centre’ da AICEP, em Singapura, se espera que venha a ser o incubador desta e de muitas das melhores oportunidades de negócio na Ásia.

Wednesday, September 5, 2007

05-09-2007. Uma nova era...

Economistas explicarão, um dia, porque é que Portugal é o último dos países desenvolvidos a estabelecer uma estratégia de reforço das relações com Singapura.

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1032103.html

O Governo Português aproveitou bem o mês de Agosto para reacertar o passo com o sudeste asiático e com Singapura. É o recomeço de um longo e lento processo de tomada de decisão política iniciado nos anos oitenta. A aproximação entre os dois países começa, finalmente, a ganhar forma.
Historiadores, sociólogos e economistas explicarão, um dia, porque é que Portugal é o último dos países desenvolvidos a estabelecer uma estratégia de reforço das relações políticas, económicas e culturais com Singapura.

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Em 1785, já havia um Cônsul Geral de Portugal na ilha, José de Almeida, que dá o nome à ‘Almeida Street’. Mas a história recente das relações entre os dois Estados tem apenas um quarto de século. Em Fevereiro de 1982, Melo Gouveia apresentou credenciais junto do Presidente Devan Nair, sendo Embaixador residente em Banguecoque. Foi o primeiro representante de Portugal junto da República. Um segundo impulso ocorreu a partir do final dos anos noventa e gravitou à volta de Sines. Primeiro, foi a supressão de vistos que veio a ser consagrada por Guterres em Janeiro de 1998. Na sequência da decisão, de 1997, de transformar Sines no maior porto de ‘transhipment’ de contentores do Atlântico e do Mediterrâneo Ocidental, veio a ser assinado com a PSA de Singapura, em Junho de 1999, o acordo para esta empresa construir o terminal de contentores de Sines. Finalmente, a Convenção entre a República Portuguesa e Singapura para evitar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal em matéria de impostos sobre o rendimento foi assinada, em Singapura, em Setembro de 1999. Em Fevereiro de 2000, em trânsito para Timor Leste, Sampaio visitou Nathan, o Presidente da República. No ano seguinte, Singapura reduziu a sua participação no capital dum importante grupo português.

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Um terceiro impulso teve origem em Barroso que, em Maio de 2002, terá visitado o PM de Singapura, Goh Chok Tong, e a PSA. Em Junho de 2002, numa apresentação à Comissão de Política Externa do Parlamento afirmava o então MNE que “as nossas relações com a Ásia, especialmente com a Índia e o Paquistão, mas também com a China, o Japão, a Coreia do Sul, as Filipinas e Singapura, têm de ser redimensionadas nos planos político, económico e cultural”. Goh Chok Tong visitou Portugal no final de 2003. A partir dos relatos internacionais desta visita sabe-se que as expectativas nunca se concretizaram. Em Fevereiro de 2006, em trânsito por Singapura, Sampaio voltaria a encontrar-se com o Presidente.

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O quarto impulso foi desencadeado nos inícios de 2006. Em Maio, Basílio Horta considerou Singapura um mercado prioritário. Numa interpelação parlamentar sobre política económica e emprego, em Junho, Manuel Pinho deu conta do forte aumento das exportações para fora da Europa, nomeadamente para Singapura. Na versão para discussão pública da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável, de 2006, referia-se a necessidade de um reforço das relações com outras regiões inovadoras e dinâmicas do mundo e apontava-se para a instalação de pólos da rede API/ICEP/AdI em cidades da “Grande China” e da Índia - tendo como centro as relações de Portugal com Singapura. Em Março de 2007, no contexto da reunião UE-ASEAN em Nuremberga, Luis Amado teve contactos bilaterais com a Malásia, Singapura e a Indonésia. Em Agosto passado foi publicada a nomeação de Faria e Maya como novo Embaixador em Singapura, embora residente em Banguecoque. No final do mês foi a vez da AICEP dar a conhecer o Plano de Restruturação da sua rede externa, onde se destaca quer uma atenção especial à Asia quer a criação duma ‘business unit’ em Singapura. Logo de seguida reuniram-se, em Lisboa, os MNE de Portugal e de Singapura que concluiram ser oportuno o reforço das relações políticas e económicas entre os dois países. George Yeo acolheu positivamente a proposta portuguesa de criar um Centro de Negócios em Singapura para facilitar o desenvolvimento da cooperação económica entre Portugal e o sudeste asiático. Recorde-se que, há alguns meses, Sócrates convidou Lee Hsien Loong, PM de Singapura, a visitar Portugal.

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Empresários, centros de pesquisa, jovens graduados é chegada a hora de avançar.

Wednesday, August 22, 2007

22-08-2007 . Democracia e Eficácia

A democracia é a melhor forma de governo de uma nação. Mas este meio posto ao serviço do bem comum e do interesse nacional não garante por si só óptimos resultados.

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1027911.html

Não é a dimensão que determina o sucesso duma nação. Nem tão pouco os recursos naturais. A democracia favorece mas, em última instância, é o modo como cada sociedade e os seus actores políticos fazem uso da democracia que dá lugar à satisfação das expectativas e necessidades dos cidadãos. É, por isso, urgente incentivar a mudança de atitudes dos portugueses face à acção política, aos actores políticos e ao sistema político.
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A democracia é a melhor forma de governo de uma nação. Mas este meio posto ao serviço do bem comum e do interesse nacional não garante por si só óptimos resultados. A democracia é um pré-requisito, um factor favorável, mas não é instrumento suficiente para satisfazer as necessidades do país. Há democracias capazes de obter elevados níveis de bem estar e outras que estão longe de alcançar tal desiderato. O modelo democrático contém um conjunto essencial de princípios, de estruturas e de processos políticos e administrativos estandardizados, qual ‘hardware’, que permite operar com múltiplas combinações de ideologias, de políticas e de estilos de liderança as quais produzem distintos resultados. Os políticos, os padrões de acção colectiva e de acção política, os processos políticos, as políticas substantivas e os padrões de implementação das políticas constituem como que o ‘software’ da democracia e determinam em larga medida o resultado final do sistema político. Quando os actores da política, os líderes nacionais, regionais ou locais, os líderes sectoriais, os sindicalistas e os empresários, os professores e os estudantes, os cidadãos em geral, gastam as suas energias na crítica cínica e sistemática, o país desperdiça energias, perde força e estagna. Quando a maioria dos cidadãos investe na procura sistemática e inovadora, na construção e na aplicação de soluções para a melhoria da empresa onde trabalha e da comunidade onde vive, o país progride. Uma sociedade que se entretém com o lado emocional da política não consegue alcançar os mesmos resultados que aquela que se aplica na construção racional e aprofundada das políticas.

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Política racional é a que Singapura revela ao mundo. No segundo trimestre de 2007 a economia cresceu 8,6% e está melhor que nunca, vibrante e competitiva. Nos últimos cinco anos cresceu a uma taxa de 6,1% ao ano e, segundo as estimativas conservadoras do Governo, crescerá nos próximos 5 a 10 anos a uma taxa de 4 a 6%. O PIB per capita foi, em 2006, de 29,474 dólares americanos. O desemprego situa-se, hoje, nos 2,4%. Para isto Singapura paga bem aos seus políticos e aos funcionários públicos. Para ter resultados inquestionáveis, para poder seleccionar os melhores e para prevenir a corrupção. A compensação está associada ao crescimento económico. Em tempo de crise económica baixam os salários dos políticos e funcionários, de cima a baixo. O Parlamento tem, apenas, 84 deputados. Por sua vez, os salários dos ministros são dos mais elevados do mundo e virão a corresponder a 2/3 da mediana do rendimento dos 48 contribuintes das seis profissões mais bem pagas, em 2008, a que acrescem os prémios de desempenho da economia. Em 1985, Lee Kuan Yew afirmava que era um dos ministros mais bem pagos mas provavelmente um dos mais pobres primeiros ministros do terceiro mundo.

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Singapura não invoca a sua pequena dimensão para falar do seu desenvolvimento. Minúsculo país, de menos de 700 km2 (menos de 1% de Portugal), gere 16 portos em 11 países. Investe largamente no estrangeiro. Mais de 500 projectos de investimento em curso no Vietname, com um valor aproximado de 7 mil milhões de euros. Mais de 2000 empresas de Singapura operam em Xangai.Singapura não tem água. Transformou um problema numa oportunidade. Das suas necessidades de água, 50% tem origem na chuva, 10% é dessalinizada e 40% é comprada à Malásia. Inovou, produziu soluções, Hoje tem água reciclada pura. No passado dia 15, Singapura recebeu na Suécia o “Stockholm Industry Water Award”, que premeia a inovação tecnológica no reaproveitamento da água. A Organização Mundial de Saúde fez uma parceria com a PUB de Singapura para promover a qualidade da água de beber nos países em desenvolvimento.

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Democracia eficaz precisa-se.

Wednesday, August 8, 2007

08-08-2007. Culturas e Negócios

Em tempo de internacionalização, conhecer as diferenças culturais é a primeira condição de sucesso

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1024567.html
Férias. Cruzam-se fronteiras, exploram-se novos ambientes. Fala-se, interage-se, observam-se outras gentes. Experimentam-se diferenças. Interrogam-se outros modos de viver, de pensar e de fazer dos povos que se visitam. Alargam-se as vistas e acrescenta-se mundo ao mapa mental. De volta trazem-se ideias, projectos, mesmo soluções. Mas também um melhor entendimento das identidades alheias. E do que pensam dos portugueses. Estereótipos! Mas, em tempo de internacionalização, conhecer as diferenças culturais é a primeira condição de sucesso.
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Quem passa por Singapura encontra-a aberta e cosmopolita. Escancarada às empresas estrangeiras e aos estrangeiros. Uma sociedade multi-étnica bem integrada de chineses, malaios, indianos, euroasiáticos. Muitas religiões, diversas línguas. Muito hierarquizada entre patrões e empregados como entre pais e filhos. Sagrado é o respeito e a obediência aos mais velhos. O grupo é mais importante que o indivíduo. A família alargada e os amigos chegados constituem o alicerce da estrutura social. Ter bom nome, bom caracter e ser estimado são qualidades pessoais muito apreciadas. A falta de respeito não é tolerada. Não há ‘graffiti’ nas paredes. Há que salvaguardar sempre a face de todos e de cada um. Para manter a harmonia em todo o tipo de relações.
Os negócios só se fazem entre pessoas. Não entre empresas. E se se chegarem a relações pessoais duradouras. A empresa estrangeira tem que demonstrar que veio para ficar e não para realizar ganhos fáceis e rápidos. Negócios fazem-se todo o ano, embora Junho seja o período em que mais pessoas fazem férias. Os empresários locais são negociadores difíceis no que toca a preço e prazos. Há que planear cedências que não ponham em risco o interesse do negócio. As decisões alcançam-se por consenso. A afabilidade é a norma. Há que nunca mostrar irritação. Comunicação não verbal é mais importante que palavras. A expressão facial, o tom e a postura corporal são as mais reveladoras. Como o é o silêncio. Em vez de dizer “não” dirão que “vão tentar”. É preciso reinterpretar os sinais para além do que se ouve. Bem diferente do mundo ocidental de discurso directo.

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Do lado de cá está Portugal. Quem o visita e estuda diz que ainda é uma sociedade tradicional, conservadora e ainda muito fechada sobre si. Os estrangeiros vivem ainda segregados. A família é a mais importante fonte de estabilidade. Prevalece sobre as relações sociais. Sobrepõe-se mesmo na vida empresarial. Observam que se empregam as pessoas que se conhecem e em quem se confia. Uma forma de nepotismo resistente.

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Reconhecem que os portugueses são delicados, mesmo formais, no relacionamento social. Que são contidos e pouco espontâneos. Nas zonas urbanas valorizam muito o aspecto exterior. Dão muita importância às “modas” e acreditam que a forma de vestir é um indicador decisivo de sucesso e de posição social. Usam as melhores roupas e as marcas mais conhecidas.

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Da sociedade portuguesa e do mundo dos negócios dizem que são altamente estratificados. As hierarquias são muito respeitadas. Os graduados são sempre tratados por títulos. Esperam que a decisão venha sempre de cima. Nos negócios o poder e a autoridade estão concentrados numa só pessoa que decide sem se preocupar com a criação de consensos com os subordinados. Na decisão e na resolução dos problemas ainda prevalece uma abordagem autoritária. Da produtividade e da eficiência decisionais afirmam que deixam muito a desejar. Que o ritmo é lento. Que aos mais diversos níveis se tomam diariamente poucas decisões. Podiam usar mais e melhor a inteligência que possuem. Os assuntos são mal estudados. Os negócios fazem-se com quem se conhece e as decisões são tomadas em reuniões pessoais.

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Longas introduções pessoais precedem os contactos de negócios. Contactos escritos são vistos como impessoais. Os contratos são cumpridos. Mas a pontualidade e cumprimento de datas não são necessariamente observados. Críticas directas não são bem vistas. Agosto é mês perdido para decisões empresariais, bem ao contrário das terras do sol nascente.

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Semelhanças e contrastes para meditar antes dum novo ano de trabalho.

Wednesday, July 25, 2007

25-07-2007. Internacionalizar-se na Ásia

A convicção de que faz sentido penetrar num determinado mercado está na base de outros movimentos de partida.

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1020202.html

A internacionalização é gerada por factores endógenos e exógenos às empresas. Mas são sempre pessoas que avaliam as condições favoráveis à sua efectivação, que têm orientação para o negócio internacional, que têm as percepções, os valores e as atitudes apropriadas, a personalidade e as competêncas adequadas para levar as empresas aos mercados externos. A internacionalização exige gestores e profissionais com vontade, motivação, impulso e empenho numa gestão voltada para a exportação e para o marketing internacional. Que sejam destemidos, que tenham condições familiares favoráveis, que se desloquem e se deslocalizem para os mercados externos e que, quando de volta ao país, incentivem a abertura ao mundo.

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Portugal precisa de acelerar a formação de “agentes” avançados da internacionalização da economia portuguesa. Em particular nos imensos mercados da Ásia.

A génese. As empresas orientadas para a inovação, para a resolução de problemas e para as oportunidades de mercado estão entre as primeiras a lançarem-se na exploração de mercados externos. A convicção de que faz sentido penetrar num determinado mercado está na base de outros movimentos de partida. O ímpeto para exportar surge, também, a partir do momento em que as empresas concluem que não conseguem alcançar a satisfação dos seus objectivos estratégicos no mercado nacional. Empresários e colaboradores avaliam os recursos e as capacidades das suas organizações, avaliam as suas ambições pessoais e empresariais, e avançam para estratégias de internacionalização. Noutros casos, factores exteriores à empresa associados às características dos mercados externos, a um ambiente legal e económico favorável, a oportunidades percebidas, a custos e lucros previsíveis, determinam a decisão de encetar a primeira experiência internacional. Outras vezes são distribuidores, um banco, ou mesmo o governo local que sugerem a entrada num dado país estrangeiro. Através da rede de amigos, do conhecimento ocasional de empresários ou de empresas estrangeiras, chega-se igualmente a oportunidades em mercados alheios e, com menor grau de incerteza e mais segurança, dão-se voos mais largos.

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As competências. Mas é claro que a internacionalização se faz com colaboradores competentes e disponíveis que ganharam experiência nos mercados internacionais e, aí, se movem à vontade. E, por isso, é necessário capitalizar as comunidades portuguesas no estrangeiro e investir, aí, na formação de “agentes” locais de internacionalização da economia portuguesa. Como é igualmente necessário favorecer a dispersão, nomeadamente nos países sem emigrantes portugueses, de um número muito significativo de gestores e de profissionais portugueses que se entrosem nas empresas multinacionais e locais, que ganhem experiência nesses mercados, e que favoreçam, apoiem e promovam a expansão das empresas portuguesas. Com especial incidência na Ásia, do Japão à China, da Índia à Indonésia, da Malásia a Singapura. Foi isso que fizeram países desenvolvidos que têm hoje um poderoso “exército” de gestores e profissionais com experiência asiática, como está à vista em Singapura. Um terço da população activa de Singapura é estrangeira. Entre os 875.000 estrangeiros, cerca de 110.000 são gestores e profissionais qualificados, dos quais 17.000 são britânicos, 15.000 são norte-americanos, 5.000 são alemães, 4.000 são franceses, alguns milhares são canadianos e outro tanto holandeses, largas centenas são irlandeses, suecos, dinamarqueses, noruegueses, suiços e russos.

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As oportunidades. As duas dezenas de residentes portugueses na cidade-Estado podem rapidamente decuplicar. Basta que os candidatos adiram às políticas de recrutamento de estrangeiros qualificados de Singapura para preencherem postos de trabalho em múltiplas áreas da gestão, banca, TIC, logística, sector químico, saúde e educação. Consultem-se as ‘Strategic Skills List’*. Existem incentivos ao emprego de jovens graduados e pós graduados como o ‘Work Holiday Programme’. Os suplementos de “Emprego”, da edição de sábado do ‘Straits Times’, têm habitualmente 66 páginas de anúncios.

No sudeste asiático também há futuro para os portugueses. E para Portugal.

Wednesday, July 11, 2007

11-07-2007.Mais e melhor “marketing”

A sabedoria detida por pequenos e médios empresários portugueses é desbaratada no comércio internacional

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1015102.html

Como explicar que não exista uma marca portuguesa de pastéis de nata com projecção mundial? Quando em alguns centros comerciais de Singapura, fruto das recentes relações com Macau, se encontram à venda as ‘portuguese tarts’ sem forma nem qualidade que se assemelhe aos “pastéis de Belém”, logo se percebe que neste, como numa infinidade de casos, a sabedoria detida por pequenos e médios empresários portugueses é desbaratada no comércio internacional.

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A restauração e a confeitaria portuguesa comportam uma riqueza de produtos que transformados em modelos de negócio permitiriam uma expansão estratégica assinalavel à escala global com marca própria muito para além das presenças “artesanais” nos mercados da saudade, associados às comunidades portuguesas da diáspora. Dessa inovação seriam de esperar resultados apreciáveis com significativos impactes ao nível da exportação de produtos e do turismo, nomeadamente no sudeste asiático.

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Um dos primeiros factores críticos no desenvolvimento desta área de negócio prende-se com o insuficiente ‘know how’. Portugal adoptou modelos americanos de restauração mas, ainda, mal desenvolveu modelos nacionais de restauração, cafetaria e confeitaria capazes de serem multiplicados no país e internacionalizados, nomeadamente sob a forma de ‘franchising’. Dir-se-á que é diminuta a iniciativa. Por certo. Mas falta investigação. Falta sistematizar o conhecimento sobre as áreas de negócio da restauração, cafetaria e confeitaria em Portugal. É escassa a investigação económica e de gestão sobre a restauração, como também o é no que respeita ao ‘retailing’, em geral. São áreas que só recentemente começaram a ser consideradas com “nobreza” suficiente para os institutos de gestão, as faculdades de economia e os politécnicos e que devem ser destacadas e reforçadas com meios humanos e financeiros acrescidos.

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Um segundo factor crítico relaciona-se com o insuficiente desenvolvimento de competências de gestão e, especificamente, de ‘marketing’ da restauração, cafetaria e confeitaria. O empreendedorismo e a inovação empresarial implicam não só a formação de jovens que se “aventurem” como empresários no curto e médio prazo, mas exigem também o apoio aos actuais empresários do ‘retailing’ para que levem as suas empresas a subir na cadeia de valor, para que explicitem, redefinam e requalifiquem os seus planos de negócio de modo a capitalizarem os conhecimentos e competências adquiridas. Também os trabalhadores do “comércio a retalho” necessitam dum rápido aumento de competências específicas que lhes permita actuar com conhecimentos aprofundados dos produtos, dos serviços e dos processos de ‘marketing’ e vendas em que estão envolvidos. À semelhança do que tem sido promovido noutros sectores, seria de estimular uma parceria com o muito conceituado Institute for Retail Studies, da Universidade de Stirling, que, além de oferecer formação em ‘retail management’ e ‘retail marketing’, tem celebrado acordos de colaboração com as mais diversas entidades no mundo, nomeadamente com a Nanyang Polytechnic, o Singapore Institute of Retail Studies e a Singapore Workforce Development Agency.

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Por último, há que referir como factor crítico de sucesso a atitude dos empresários e dos responsáveis de ‘marketing’. As empresas exportadoras portuguesas ganhariam em concentrar-se mais nos mercados, nas suas necessidades e preferências, e no serviço que pretendem prestar-lhes, em vez da sua atenção continuar a direccionar-se sobretudo para os seus actuais produtos e para a sua distribuição. Na Ásia esperam que as empresas exportadoras invistam nos mercados e não apenas que “despejem” os seus produtos. Exigem disponibilidade por parte das empresas para estudarem o mercado, para conhecerem a cultura local e os apetites dos consumidores, para adaptarem os seus produtos, para os diferenciarem face à concorrência, para os posicionarem, para criarem e defenderem a sua marca. No sudeste asiático novos desafios se colocam em virtude da heterogeneidade étnica ao contrário do que se passa nos mercados homogéneos do Japão, Coreia e China.

Exportar é, mesmo, um negócio cultural.

Wednesday, June 27, 2007

27-06-2007: Mais Estandardização

A estandardização é parte integrante dum movimento de diferenciação orientado para a excelência e a qualidade.

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/1010153.html

A estandardização precisa de ser mais valorizada, promovida, premiada porque são múltiplos e duradouros os seus benefícios económicos e sociais.
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Milhões de famílias em 36 países fazem uso de modelos estandardizados de mobiliário de marca sueca bem conhecida. Simplicidade, funcionalidade, eficiência no uso do espaço, qualidade e baixo custo contribuem actualmente para um processo de estandardização doméstica à escala global como nunca tivera lugar. Um sucesso ‘knowledge based’ com produção descentralizada. Um ícone da globalização.
O fenómeno da estandardização, que à partida poderia parecer em aparente conflito com a necessidade de inovação e de criatividade nas empresas, antes as propicia. Garantir determinados ‘standards’ numa empresa não significa mais que alcançar níveis mínimos de qualidade, uma ‘baseline’, deixando aos gestores, líderes e às equipas de colaboradores a oportunidade para inovarem e criarem melhores produtos e serviços, melhores ambientes de trabalho, melhores resultados que satisfaçam os consumidores, os trabalhadores e os investidores de forma sustentada. A estandardização, que de forma tão cabal favoreceu o desenvolvimento científico e tecnológico, a indústria automóvel e aeronáutica e a indústria das NTIC, tem retorno económico e promove a qualidade de vida no trabalho.

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As economias mais desenvolvidas, mais dependentes do conhecimento (’knowledge based economies’), são as que alcançaram níveis mais elevados na estandardização da sua ‘corporate governance’ e dos processos de gestão e de produção. A estandardização é parte integrante dum movimento de diferenciação orientado para a excelência e a qualidade, que atravessa o mundo de ocidente a oriente, e no qual cada país se vai integrando progressivamente.

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Portugal, que iniciou há muito este processo, precisa decididamente de acelerar a sua participação neste universo de superior diferenciação através da adopção genuína e massiva das metodologias e dos instrumentos de garantia da qualidade. Nas práticas de gestão públicas e privadas. Em todos os sectores económicos. Com impacto na relação com os mercados nacionais mas também com os estrangeiros. Na relação com os consumidores de bens e de serviços privados e públicos.. Na gestão de recursos humanos e na organização do trabalho. É altura de perguntar que percentagem de empresas de cada um dos sectores de actividade alcançou, em Portugal, a certificação de qualidade e criou uma cultura de melhoria contínua? Quantas PME? Quantos hotéis? E que percentagem de cada um dos diferentes tipos de serviços públicos? Quantas repartições de finanças?

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O aumento da produtividade e da competitividade, a crescente globalização dos mercados de trabalho, a mobilidade e a necessidade de pôr em prática o princípio da aprendizagem ao longo da vida, implicam uma crescente estandardização dos sistemas de qualificação de competências, que em muito ultrapassa as fronteiras da UE e o Quadro Europeu de Referência das Qualificações para a Aprendizagem ao Longo da Vida (QEQ). O Sistema Nacional de Qualificações português e o Programa Operacional Potencial Humano do QREN teriam vantagem em promover consultas com organizações de países que têm avançado com segurança neste caminho, como é o caso da Australia e de Singapura. ‘The Singapore Workforce Skills Qualifications’ (WSQ)* é um sistema integrado de formação contínua, reconhecido pelos empregadores e validado pela indústria, que entre outros aspectos melhora os programas de gestão de desempenho, suporta o desenvolvimento das ‘job descriptions’, insuficientemente aplicadas em Portugal, facilita a avaliação de competências e a análise de necessidades de formação. O sistema integra ainda um sistema de acreditação e de garantia da qualidade das organizações formadoras, dos programas de formação e dos formadores.


Os governos têm de garantir que o investimento feito pelas empresas e pelos cidadãos na permanente melhoria das qualificações e competências tem reconhecimento inquestionavel a uma escala cada vez mais global. E, por isso, torna-se necessário uma estandardização de políticas, procedimentos e práticas da formação ao longo da vida, com rigorosa validação e avaliação.*(http://wsq.wda.gov.sg)

Wednesday, May 30, 2007

30-05-2007: Acordos a Oriente

Estarão as empresas portuguesas atentas para tirar partido dos acordos de livre comércio com e entre países asiáticos?

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/999851.html

Multiplicaram-se os acordos de livre comércio (ALC) bilaterais, regionais, entre blocos económicos, mudando significativamente os contextos em que as empresas operam. Estarão as empresas portuguesas atentas para tirar partido dos acordos de livre comércio com e entre países asiáticos?
Os ALC são autoestradas que conectam economias e mercados. São instrumentos criados para promover uma maior fluidez dos mercados. Através deles eliminam-se barreiras comerciais entre países e reduzem-se tarifas aduaneiras no comércio de bens e serviços. Incluem, com cada vez maior frequência, cláusulas relativas ao comércio electrónico, ao ambiente e às condições de trabalho, à protecção da propriedade intelectual, ao equilíbrio da balança comercial, às regras de origem, às salvaguardas e procedimentos respeitantes a consultas recíprocas e à resolução de conflitos.

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Com os acordos do GATT e a criação da OMC caminhou-se no sentido duma integração económica mundial. À visão dos líderes americanos e aos fundadores da EFTA e do Mercado Comum europeu, a ocidente, juntou-se a oriente o dinamismo de Singapura, do Japão, da Nova Zelândia e da Austrália.

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A ocidente, os EUA assinaram um ALC com o Canada, em 1988, alargando-o, em 1994, ao México (NAFTA). Mas, logo em 2000, os EUA lançaram as negociações com Singapura para o primeiro ALC com um país asiático. Dois anos mais tarde os EUA iniciaram um aprofundamento deste relacionamento económico com a ASEAN através duma iniciativa denominada The Entreprise for Asean Initiative (EAI), em ordem a criar uma rede de ALC bilaterais com os países do sudeste asiático membros da OMC. A estes países foi-lhes exigido que assinassem préviamente um ‘Trade and Investment Framework Agreement’ (TIFA) antes de negociarem um ALC. As relações dos EUA com a Indonésia, Filipinas e Tailândia estão, ainda hoje, enquadradas por um TIFA. Mas, em Maio de 2003, os EUA e Singapura assinaram o primeiro ALC com um país da ASEAN, que começou a ser implementado em Janeiro de 2004. Está iminente a celebração do ALC EUA-Malásia.

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A UE apenas iniciou conversações com a China, em 2006, para celebrar ‘The Partnership and Cooperation Agreement’. Mas, já então, encetara conversações prévias para concluir um ALC com a ASEAN. Em 2004, a UE lançou ‘the Transregional EU-ASEAN Trade Initiative’ tendo os dois blocos acordado iniciar negociações formais para um ALC em 4 de Maio de 2007. Espera-se a sua conclusão apenas em 2015, altura em que a ASEAN terá constituido o seu próprio mercado comum. Mas é convicção geral que muito antes dessa data a UE alcançará ALC bilaterais com Singapura e com a Malásia.

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Singapura tem, de facto, assumido desde os anos 90 uma forte liderança no movimento da globalização, bem visível nos treze acordos que já subscreveu. O primeiro ALC do Japão foi celebrado com Singapura e entrou em vigor em Novembro de 2002. Para além dos ALC com a Nova Zelândia, EFTA, Australia, EUA, Canadá, Jordânia e Coreia, Singapura concluiu em 2005 um Acordo de Cooperação Económica (CECA) com a Índia e iniciou conversações com a China no sentido de alcançar a breve trecho um ALC que aumenta os benefícios já hoje concedidos pelos acordos China-ASEAN (ACFTA). Deste modo os exportadores e investidores, nacionais ou estrangeiros, baseados em Singapura disfrutam de um vasto conjunto de benefícios na sua relação com os países com quem celebrou ALC, desde a redução das tarifas aduaneiras, acesso preferencial a certos sectores e rápida entrada nos mercados, bem como protecção da propriedade intelectual.

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As estratégias de internacionalização das empresas portuguesas têm de ter em consideração as redes de ALC. As PME como as grandes empresas necessitam de uma decisão fundamentada sobre os países onde devem ser concentrados os primeiros esforços na Ásia e sobre a estratégia de entrada. Há países mais fáceis, há mercados mais transparentes, com maior poder de compra. Há mercados que exigem maior adaptação dos produtos e serviços. Novos mercados exigem estudos de mercado, ‘marketing’ adaptado, literatura na língua local. Todos os mercados exigem tempo, atenção e signficativos recursos financeiros.

Wednesday, May 16, 2007

16-05-2007: Diplomacia económica articulada

As exportações para a Malásia tiveram um crescimento de 660% e seguem um padrão semelhante ao de Singapura.

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/994119.html

A diplomacia económica é essencial ao desenvolvimento económico de Portugal e, por isso, tem de ser decididamente activa, proactiva, mesmo enérgica. A sua acção tem de pautar-se pela máxima eficácia possível. A sua intervenção tem de potenciar os esforços das PME às grandes empresas, das universidades e de outros centros de investigação científica e tecnológica e de entidades públicas envolvidas na expansão das exportações, na captação de investimentos, na celebração de parcerias e na promoção do turismo. Sem esquecer que a ajuda ao desenvolvimento, uma outra forma de diplomacia económica, pode e deve constituir um catalisador de relações comerciais a médio e longo prazo.
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Basílio Horta sugeria recentemente que para lidar com o desconhecimento dos mercados na China e na Índia é “fundamental uma boa articulação entre a nossa diplomacia, a diplomacia económica e as empresas”. Um excelente princípio que, naturalmente, enriquece a multifacetada intervenção diplomática e de que devem extrair-se as devidas consequências.
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No comércio internacional o grau de conhecimento prévio dos mercados constitui um critério relevante para determinar o grau de articulação necessária entre diplomacia, diplomacia económica e empresas. Ora existindo sempre um desconhecimento relativo de alguns mercados em qualquer país recomendar-se-ía uma presença diplomática em todos os países parceiros comerciais de Portugal e justificar-se-ía aí uma boa articulação entre diplomacia e empresas. Mesmo em países europeus existem múltiplos aspectos legais, muitas práticas empresariais desconhecidas e hábitos de consumo que aconselham um tal suporte.
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Mas, porque os recursos são limitados, têm de ser estabelecidas prioridades que tenham em consideração quer a relevância das trocas comerciais actuais, quer o potencial de expansão num futuro próximo quer a eficácia provável da sua acção. Assegurar a melhor articulação entre empresas e o aparelho diplomático nos EUA e em Angola é absolutamente indispensável já que constituem os dois mais importantes mercados extracomunitários de bens e serviços portugueses. Ter uma rede diplomática a apoiar as empresas portuguesas na China é uma urgência. Porque a China, que no primeiro trimestre do ano ficou na décima posição como destino das nossas exportações extracomunitárias, será em pouco mais de vinte anos a segunda potência económica mundial, tendo actualmente 1,3 mil milhões de pessoas e uma classe média de 200 milhões de consumidores. Tenha-se bem presente o facto de investirem hoje na China mais de 550.000 empresas estrangeiras, entre elas um muito reduzido número de portuguesas.
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Portugal tem Embaixada em oito dos dez mais importantes clientes extracomunitários, mas não tem Embaixada nos países que no primeiro trimestre de 2007 ocupam a terceira e quarta posição como mais importantes clientes portugueses extracomunitários: Singapura e Malásia. Os dois países do sudeste asiático passaram a deter em conjunto 11,6% do total das exportações extracomunitárias. As exportações para a Malásia tiveram um crescimento de 660%, em relação a igual período do ano passado, e seguem um padrão de exportações semelhante ao de Singapura, já que 87% são produtos electrónicos, entre estes circuitos integrados . A exploração de outros mercados, por parte das empresas portuguesas, só teria a ganhar com a abertura duma Embaixada nestes países e com o desenvolvimento duma forte articulação com a nossa diplomacia.
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A recente reforma consular não contemplou a Ásia. Tal facto só poderá justificar-se pela vontade de realizar uma avaliação apropriada da rede diplomática e consular do continente onde vive a maior parte da população do planeta. Será aconselhavel reforçar sem delongas a representação portuguesa na Ásia. Porque hesitações nesta matéria terão custos económicos elevados no médio e longo prazo. Singapura não perde oportunidades e, por isso, tem na China consulados gerais em Xangai, Guangzhou, Xiamen, Hong Kong e um consulado em Chengdu, além da Embaixada em Pequim. A Ásia requer acções consequentes, sustentadas e sustentáveis.

Wednesday, May 2, 2007

02-05-2007: Investir nas Pessoas

O investimento em I&D, em Portugal, por parte das empresas tem ainda expressão minoritária.

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/979103.html

O mais recente anúncio da contratação de mil investigadores doutorados traduz um inquestionável reforço da política de investigação e desenvolvimento científico e tecnológico cuja vitalidade estava já bem à vista através do muito significativo aumento do número de bolsas de doutoramento e de pós doutoramento financiadas directamente pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. As parcerias internacionais, já celebradas, começam a dar resultados e algumas grandes empresas portuguesas e multinacionais assumiram um papel relevante neste processo.
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Porém, é expectável que o sector privado se empenhe cada vez mais neste esforço nacional. Tome-se, como exemplo, Singapura que investiu 2,5% do PIB em I&D, em 2005, e que pretende alcançar anualmente os 3% do PIB já em 2010. O Governo da cidade-estado injecta na investigação e desenvolvimento, em 2007, cerca de 1.000 de euros milhões a que acrescerá o investimento do sector privado. No ano de 2005 as empresas responsabilizaram-se por cerca de 66% do investimento em I&D, contribuindo com cerca de 1.500 milhões de euros. Entre os investigadores, 60% trabalha para o sector privado. Integra este movimento a Infineon que anunciou, há dias, ir investir, em Singapura, 200 milhões de euros em I&D, recrutando 150 novos investigadores e fazendo subir para 550 o número de engenheiros dedicados a I&D nesta empresa local.

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Mas o investimento em I&D, em Portugal, por parte das empresas tem ainda expressão minoritária. As empresas multinacionais foram as primeiras a avançar porque reconhecem que da I&D depende a sua posição no mercado global. A questão está em saber como induzir nas empresas nacionais idêntica atitude. Investir em I&D também é um comportamento inovador para as empresas e como tal deve ser abordado. Devem investigar-se os factores que podem contribuir para a difusão da I&D. Que factores predisponentes, facilitadores e de reforço podem levar as empresas a investir em I&D. Sabe-se, também, que o comportamento inovador se distribui numa “população” segundo a curva de Gauss. Assim teremos que os inovadores representam 2,5%, os ‘early adopters’ 13,5%, a ‘early majority’ 34%, tal como a ‘late majority’ (34%) e os ‘laggards’ constituem 16%. Estamos, porventura, ainda longe de ter 2,5% das empresas de Portugal a investir em I&D. Há, pois, que aliciar mais empresas predispostas para participarem na promoção da I&D, facilitar-lhes os mecanismos de integração e reforçar-lhes a apetência por inovarem na concepção dos seus produtos e/ou serviços, na reengenharia dos seus processos de produção, no redesenho da sua organização, na redefinição do seu modelo de negócio, na elaboração do seu plano estratégico, na adaptação a novos mercados, na sua internacionalização. Há que identificar os 2,5% de empresas (e empresários) potencialmente inovadoras, de cada sector de actividade, e apoiá-las na definição da sua política de I&D e na procura dos recursos necessários quer financeiros, quer humanos. Sem esquecer os ‘clusters”.

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Portugal está, finalmente, a reabrir-se ao talento estrangeiro e deve-o fazer de forma deliberada. Cabe aqui lembrar que entre os 4,5 milhões de habitantes da progressiva Singapura, existem 756.300 estrangeiros, isto é, 30% da população activa. Destes, 110.000 são quadros profissionais e cerca de duas dezenas são portugueses. Muitos daqueles são doutorados, mestres ou simplesmente pós graduados. Sem profissionais altamente qualificados nacionais e estrangeiros, capazes de pensar, de modelar e de influenciar o futuro não há desenvolvimento. E, por isso, a cidade-estado criou o programa People Developer para estimular as empresas a investirem nos seus colaboradores. O People Developer avalia a excelência do negócio com base na qualidade do exercício da Liderança, do Planeamento, da Informação, das Pessoas e dos Resultados.

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A marca Portugal deve muito aos desportistas portugueses, aos portugueses que ocupam posições de elevada responsabilidade, quer em organizações supranacionais púbicas quer em empresas multinacionais. Mas deve sobretudo aos empresários e aos seus colaboradores. São as pessoas que fazem o sucesso das empresas e que fazem o sucesso de uma nação.

Wednesday, April 18, 2007

18-04-2007: Direcção China

As iniciativas do PR e do PM não desencadearam ainda um forte movimento de empresários disponíveis para intervir na Índia e na China.

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/965164.html

Portugal não tem tempo a perder. A necessidade de se colocar ao nível dos países mais avançados requer que as forças económicas e sociais, as elites e os media se focalizem deliberadamente em prioridades nacionais. Multiplicar significativamente o investimento, aumentar a competitividade, acelerar as exportações de bens e serviços constituem os mais importantes objectivos nacionais, sem os quais não haverá crescimento sustentavel nem sociedade de bem estar.
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As iniciativas facilitadoras do Presidente da República e do primeiro-ministro e de algumas associações não desencadearam ainda um forte movimento de empresários disponíveis para intervir na Àsia, na Índia e na China, para avaliarem as potencialidades e as oportunidades destes mercados para as suas empresas, para os estudarem detalhadamente e para elaborarem uma estratégia de internacionalização naquelas paragens, para experimentarem o lançamento de um projecto num destes países ou para reproduzirem uma experiência positiva, expandindo-se na Índia, na China, no Vietname, na Tailândia, na Malásia ou em Singapura.

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Mudar de atitude é aconselhavel já que, nomeadamente, a China oferece oportunidades que as empresas portuguesas ganhariam em explorar. Uma delas respeita à possibilidade, desde 1 de Março de 2006, de abrir uma ‘Foreign Investment Commercial Entreprise’ (FICE), quer para comércio grossista quer de retalho, sendo o processo submetido à ‘Foreign Economic Relation and Trade Commission’ das câmaras locais. Uma outra alternativa consiste em investir num parque industrial acedendo a incentivos e outras facilidades. Em toda a China existem, hoje, mais de 270 parques, sendo certo que o seu sucesso está associado à localização e à qualidade da infraestrutura e da sua gestão.

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Em 26 Fevereiro de 1994, o vice primeiro-ministro chinês Li Lanqing e o ministro sénior de Singapura Lee Kuan Yew assinaram um acordo para desenvolverem o Suzhou Industrial Park (SIP), perto de Xangai, como um parque de alta tecnologia, internacionalmente competitivo, integrado numa cidade jardim moderna e cosmopolita. Dez anos mais tarde, o primeiro-ministro Wen Jiabao considerou-o o parque industrial mais competitivo da Ásia. Com um capital de $125 milhões de dólares, repartido entre outros pelo China Consortium (52%) e pelo Singapore Consortium (28%), o China-Singapore Suzhou Industrial Park Development Co, Ltd (CSSD) tem mais de 2000 empresas estrangeiras. A taxa de crescimento anual sustentada do SIP é de 40%.

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O Suzhou Industrial Park, com uma área de 70 km2 baseou-se num sistema integrado de planeamento com um avançado sistema de gestão. Além de uma excelente infraestrutura, na qual se incluem os serviços de telecomunicações e serviços postais, possui um serviço de segurança e de prevenção de acidentes, um serviço médico de emergência, várias clínicas e um hospital, fruto do investimento estrangeiro. A Administração do SIP tem autonomia para aprovar os projectos de investimento estrangeiros que estejam de acordo com as políticas nacionais. Três dias é o tempo necessário para criar uma empresa no SIP. O seu sistema logístico dispõe de alfandega própria e de um ‘Bonded Logistic Center’. O Air Land Transhipment Model permite o processo de desalfandegamento e o transporte dos produtos do porto à empresa em 5 horas. O SIP integra ainda uma ‘Export Processing Zone’, o ‘International Science Park’, o SIP ‘Science Hub’, o ‘SIP Bio Bay’, o ‘Innovation Industrial Park’ e o ‘Dushu Lake Higher Education District’ que atraiu 15 universidades. A Administração do SIP tem poderes delegados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros para autorizar visitas oficiais e conceder vistos. O SIP tem, também, um sistema de segurança social de capitalização, baseado no modelo do ‘Central Provident Fund’ de Singapura, que funciona como um seguro de saúde, garantindo o subsídio de doença e o pagamento de despesas de saúde, a pensão de reforma e permite a utilização parcial do capital para aquisição de habitação.

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Importa alargar e aprofundar o debate, acelerar decisões, ganhar mais e melhor posição na China.

Wednesday, April 4, 2007

04-04-2007: Representação Externa

Importa suscitar o debate sobre o tipo de representantes que Portugal deve ter no exterior. Embaixadores políticos e/ou económicos?

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/882301.html

Os ministérios dos Negócios Estrangeiros operam, hoje, num clima de permanente desafio interno e externo. A reavaliação da organização da diplomacia, a procura da sua eficácia e da sua eficiência é evidente quer por parte das grandes potências quer dos pequenos países. O Quai d’Orsay reorganiza-se e muda-se para fora de Paris. O Foreign and Commonwealth Office do Reino Unido procedeu a um exercício de racionalização da sua representação diplomática no mundo em 2004. A emergência e reforço do MNE europeu, por outro lado, tem consequências a nível da estruturação e do funcionamento dos MNE nacionais, já hoje, mas sobretudo no futuro. Poderão as funções consulares vir a ser assumidas a nível da UE? E a ajuda ao desenvolvimento? Solana questionava, em 2002: É a eficácia dos 40.000 diplomatas da UE quatro vezes superior à dos 10.000 dos EUA? O alargamento da UE, e a sua consolidação, constituem, sem qualquer dúvida, uma oportunidade para repensar o que devem ser as competências de representação externa da União e o que deve permanecer com os Estados. A globalização e a regionalização, a vontade e a necessidade política de envolvimento internacional, a percepção de necessidades crescentes, o prestígio e o simbolismo da função e, ainda, a limitação de recursos, concorrem para a revisão das estruturas, dos padrões e das redes de representação diplomática.
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É, também, neste contexto que importa suscitar o debate sobre o tipo de representantes que Portugal deve ter no exterior. Apenas embaixadores de carreira, residentes e não residentes. Embaixadores políticos? Embaixadores económicos? Embaixadores acreditados num dado país mas residentes em Portugal?

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Pequenos países têm optado por modelos mistos quer por razões de escassez de recursos quer por necessidade de garantir a eficácia da representação. O Governo de Singapura acaba de nomear os seus embaixadores na Áustria, República Checa e Eslováquia. Todos manterão a sua residência em Singapura. Jennie Chua, embaixadora designada na Eslováquia, é actualmente chief strategic relations officer da CapitaLand, membro do conselho de administração da Workforce Development Agency, da Singapore International Chamber of Commerce e membro do World Travel and Tourism Council. É graduada pela School of Hotel Administration da Cornell University. Soo Kok Leng, próximo embaixador na Áustria, é chairman da JTC Corporation, governador da Singapore-China Foundation, membro do Singapore-Liaoning Economic and Trade Council e professor auxiliar da faculdade de engenharia da NUS. O embaixador designado para a República Checa é Tan Soo Khoon, um homem de negócios que foi deputado durante trinta anos, tendo exercido a função de presidente da Asean InterParliamentary Organization.

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Encontramos, também, entre grandes nações o recurso a outras fontes de recrutamento. Actualmente, entre os 108 embaixadores da Índia, 7 não são diplomatas de carreira. Em Agosto de 2002, o MNE japonês introduziu a regra de que 20% dos seus embaixadores teriam origem fora do seu MNE e que outros 20% não seriam embaixadores de carreira. Os EUA têm cerca de 170 embaixadores acreditados pelo mundo, 31% dos quais não são de carreira. Esta percentagem tem-se mantido razoavelmente estavel desde 1961. Kennedy e Reagan nomearam 32% de embaixadores “políticos”. Carter apenas nomeou 24% fora da carreira. Mas poucos de entre estes são embaixadores “políticos”. Na sua maioria têm origem no mundo dos negócios. Ellsworth Bunker, David Bruce, Claire Booth Luce, Mike Mansfield figuram entre os destacados embaixadores dos EUA que não pertenciam à carreira diplomática.

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O vector mais poderoso desta mudança parece estar na importância atribuída à diplomacia económica. Como afirma Rik Coolsaet, professor de Relações Internacionais do Departamento de Ciência Política da Universidade de Gent, Bélgica, “diplomatas de muitos países não fazem segredo que a sua principal tarefa consiste, agora, em cuidar dos interesses comerciais do estado que representam”(1).
(1) ‘In Rik Coolsaet, Historical Patterns in Economic Diplomacy, From Protectionism to Globalisation, The case of Belgium, International Studies Association 2001 Convention, Chicago, USA’

Wednesday, March 21, 2007

21-03-2007: De “Interesse Nacional”

A “comunidade política” com interesses na rede consular passou a incluir as associações empresariais e da inovação.

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/751837.html

Dois importantes acontecimentos tiveram lugar na passada semana: a Cimeira UE-ASEAN e a resolução do Conselho de Ministros relativa à reestruturação consular. Ambos, de interesse nacional.
A maioria dos problemas políticos regem-se por um “ciclo de atenção política”. Como no caso dos alcatruzes, ora submergindo ora emergindo e voltando à ribalta, também a “reestruturação consular” reentrou em processo político. Na semana passada o Governo aprovou finalmente uma política consular, componente essencial da política externa de qualquer estado, cujo alcance vai muito para além da abertura, requalificação e encerramento de estruturas consulares. A componente mais relevante traduziu-se na redefinição e ampliação das “missões” da acção consular, passando a incluir deliberadamente a intervenção dos consulados na esfera económica, em consonância com deliberações recentes. Decidiu, também, o Governo promover a aprovação do modelo de funcionamento e organização das estruturas consulares e das suas competências, atribuições específicas e modos de articulação, da metodologia de adaptação futura da rede consular e, ainda, do estatuto e das carreiras dos funcionários dos serviços externos do MNE. Uma outra linha desta reforma, que está já em fase de implementação, respeita à modernização e informatização dos serviços consulares. O aspecto da nova política que mais interessou os media foi a reestruturação da rede consular na Europa, África e nas Américas.

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Sabe-se bem que qualquer mudança nas “políticas públicas” acaba por proceder a uma redistribuição de benefícios, de poder e de estatuto, entre diferentes grupos sociais que tende a gerar reclamações, protestos, manifestações e resistências e, nem sempre, só aplausos. Aparentemente, os únicos prejudicados ou beneficiários da reforma consular seriam os emigrantes portugueses, os imigrantes estrangeiros ou os funcionários consulares. O Governo, ao consultar apenas o Conselho das Comunidades Portuguesas, a Associação Sindical dos Diplomatas Portugueses e o Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas de Portugal no Estrangeiro, poderá ter criado o equívoco de que são estes os únicos ‘stakeholders’ do sistema consular português.

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Mas ao interpretar o “interesse nacional” presente e futuro como exigindo o alargamento da intervenção consular à intervenção económica o Governo aumentou os ‘stakeholders’ da rede consular. A “comunidade política” com interesses na rede consular, passou ipso facto a incluir, também, as estruturas ligadas ao progresso da economia nacional, nomeadamente as associações empresariais e as estruturas associadas à promoção da inovação científica e tecnológica. Esta alteração no sistema consular provocará inevitavelmente, por via organizacional, transformações significativas no sistema diplomático português. A rede diplomática e consular, de ora em diante, deverá estar presente onde quer que o interesse económico nacional o exija, consolidando e expandindo o esforço há muito iniciado pelo ICEP. São as exportações, o investimento estrangeiro e o turismo, o crescimento económico, o emprego e o bem estar dos portugueses que estão em causa. E, por isso, os beneficiários desta reforma serão, afinal, todos os portugueses.

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A cimeira UE-ASEAN foi pouco valorizada pelos media portugueses. Não admira. A generalidade dos portugueses considera que a Ásia, que detêm 61% da população mundial, está demasiado distante. O que ali se passa não parece ainda afectar de modo significativo o nosso dia a dia. Para muitos portugueses o centro do mundo está, ainda, no Atlântico. E estava, até aos anos 80. Depois, começou a deslocar-se para o Pacífico, da Califórnia ao Japão e aos NIC. Mas este é, definitivamente, o século da Ásia. No momento em que progride a sua integração económica, será avisado que aumentemos fortemente a nossa participação na Ásia, que nos empenhemos na celebração do Acordo de Comércio Livre UE-ASEAN e que aumentemos o turismo, o investimento e as trocas comerciais com o sudeste asiático, contribuindo, dessa forma, para uma economia mundial multipolar.